Por bianca.lobianco
Rio - Enquanto cobria um Réveillon em Copacabana, o fotógrafo do DIA Severino Silva se encantou com uma imagem. Não eram os fogos, mas as oferendas para Iemanjá, que tomavam a areia da praia. A partir daquele momento, ele decidiu registrar as diferentes demonstrações de fé espalhadas pelo país. O resultado foi batizado como a série ‘Fé, Luz e Sombra’, nome de sua exposição, em cartaz no Centro Cultural Light, a partir de sexta-feira.
Registro da celebração de fim de ano umbandista%2C no Parque dos Orixás%2C caminho para a serra de PetrópolisSeverino Silva / Agência O Dia

Mas se é a fé que ampara a esperança de um ano melhor para quem pula sete ondas no Réveillon e deixa presentes ao orixá, é também ela que move milhares de pessoas em todo o país, principalmente no Nordeste. “Vi que a fé está em todos os lugares. Você pode não ter religião, mas tem sempre fé em algo”, diz Severino, que, em seguida, partiu para Juazeiro.

A cidade do interior da Bahia foi o início de suas andanças pelo Brasil, acompanhando diferentes celebrações religiosas por 13 anos. O resultado está guardado em dois HDs de um tera cada. Por isso, não foi fácil selecionar apenas 30 fotos para a exposição. Mas cada clique guarda uma história, como a imagem de uma devota com um terço na mão, durante o velório de uma imagem em tamanho real de Jesus — tradição durante a Semana Santa, em Santa Brígida (BA).
Beata ora durante a Semana Santa%2C na cidade de Santa Brígida (BA)Severino Silva / Agência O Dia

“Pegava um mochilão, uma rede e um saco de dormir e ia para o Nordeste. Conheci muita gente assim. Sempre que chegava em um lugar, os romeiros me indicavam outro”, conta Severino. “Até hoje, muita gente me liga do sertão. Nordestino é um bicho desconfiado, mas muito acolhedor”, conta o fotógrafo, nascido na Paraíba.