Rio - Quem é rainha nunca perde a majestade. O velho ditado cai como uma luva na trajetória da cantora Angela Maria. Aos 87 anos, ela se apresenta hoje no projeto ‘Jovens Tardes’, às 16h, no Theatro Net Rio, em Copacabana. Thiago Marques Luiz, produtor do projeto e do novo CD da cantora, conta que ela está em ótima forma física e vocal, e muito animada com a fase.
“Angela é uma força da natureza.Acabamos de gravar um disco dela cantando Roberto
Carlos (‘Angela canta Roberto’), com participação do Erasmo Carlos que sai agora em março pela gravadora Biscoito Fino. Vamos montar um novo show e correr o Brasil.E depois da apresentação de hoje, viajamos para a Bahia para fazer amanhã um show na festa de aniversário da padroeira de Santo Amaro da Purificação”, revela Thiago.
O ‘Jovens Tardes’, da produtora Brain +, foi idealizado com a proposta de fazer o público emocionar-se e recordar. Durante todo o verão, um grande artista que tenha se destacado na época da Jovem Guarda ou antes dela, faz show à tarde, no Theatro Net Rio. Angela é a segunda a se apresentar no projeto, e hoje revisita seu repertório —Moacyr Franco abriu a temporada semana passada.
“São lindas, coisas que ele não canta mais, como : ‘O Show Já Terminou’, ‘Não Se Esqueça De Mim’ e ‘Eu Disse Adeus’, que é linda demais, e nem sei porque ele parou de cantar. Os arranjos estão maravilhosos”, confidencia. Do disco que está para sair, quem participa é o amigo do ‘Rei’, Erasmo Carlos, em ‘Sentado À Beira do Caminho’. “A gravação está uma beleza”, diz.
E o Rei, o que achou da ideia da ‘Rainha’? “Fui pedir permissão para o Roberto, e ele disse: ‘você é dona do meu repertório, grava o que quiser”, alegra-se.
A cantora lembra que o conheceu bem no início da carreira, quando ele era um jovem rapaz em busca de um sonho. “Fui fazer divulgação na rádio Guanabara, e ele estava lançando o primeiro disco. Ele lá sentado, esperando uma oportunidade. E eu já trabalhando, ia fazer uma entrevista. Olhei e achei que tinha uma coisa especial. Ele disse que era meu fã. Depois veio esse sucesso todo. Roberto é imenso, e já dava para ver naquela época”, reflete. “De todos que quis gravar num CD, só faltava ele”.
CAUBY PARA SEMPRE
Uma das maiores vozes do país, ela opina sobre o maior cantor. “A maior voz do Brasil morreu. Era Cauby (Peixoto). Temos grandes cantores como Agnaldo Rayol, Agnaldo Timóteo. Mas Cauby era Cauby”, emociona-se ao falar do amigo, morto em maio do ano passado. Cauby Peixoto e Angela eram amigos há 67 anos, e segundo a cantora, eram ‘irmãos’.
“Tenho as melhores lembranças dele. O sorriso, a alegria, nossas conversas, a companhia agradável. Fizemos muitos shows juntos, gravamos muito. O último show dele, ele fez comigo, no Theatro Municipal. Saiu dali para o hospital”, lembra a amiga. A parceria com o cantor ajudou a construir sua história, como ela diz. “Ele já era muito famoso, mas era generoso. É uma saudade eterna”.






