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Marcello Pícchi comemora 50 anos de carreira com peça escrita e dirigida pelo filho Thiago

Rrojeto traz o ineditismo da primeira vez do ator sozinho em cena

Por BRUNNA CONDINI

Marcelo Picchi
Marcelo Picchi -

Rio - Marcello Picchi celebra seus 50 anos de carreira em grande estilo: em cartaz com 'O Papagaio', no Teatro Café Pequeno, no Leblon. E a peça tem texto e direção do filho Thiago Picchi, que também o dirige pela primeira vez. O projeto traz o ineditismo da primeira vez de Marcello sozinho em cena, também. A peça sobe ao palco de sexta a domingo, às 20h, e a temporada vai até 29 de abril.

"Não escolhi a peça exatamente por ser monólogo, mas pela qualidade literária do texto de Thiago. São personagens muito adequados à minha idade e a meu tipo físico. E de grande riqueza interior", esclarece Marcello sobre o texto - que é uma adaptação do livro de Thiago Picchi 'O Papagaio & Outras Músicas'.

Com uma carreira que contabiliza mais de vinte novelas, oito filmes e vinte peças, Marcello salienta a qualidade da direção do filho mais velho.

"Ser dirigido por ele foi uma delícia. Thiago possui uma aguda percepção da distância entre a leitura do ator e o que se aproxima ou não da história que está sendo contada. Sinto muita segurança na sua direção, que prima pela discrição e bom gosto", derrete-se ele, que também é pai de Diogo e dos gêmeos Tadeu e Cyro, do seu casamento com a atriz Elisabeth Savalla.

TEMA RECORRENTE

O espetáculo é composto de quatro contos, que dialogam entre si, e todas as personagens encontram formas inventivas e inusitadas de lidar com a solidão. "Ela é um tema recorrente na dramaturgia, bem como na existência humana. O relevo está no modo como expressar a mesma. Creio que a grande empatia que nossa peça provoca no público é o fato de tratar temas cotidianos com muito humor. Um humor patético, poético e inteligente. As pessoas saem elevadas", conta Marcelo.

Ele tem saudade de fazer TV, mas no momento só tem olhos mesmo para a peça nova. "Não tenho planos definidos. Meu trabalho mais recente em TV foi o deputado Sebonetti em 'Pé na Cova'", conta ele, que começou na Rede Globo em 1975. "Em 'Mico Preto', fiz o primeiro caso gay da TV, com Miguel Falabella", relembra ele.

Marcelo aprende coisas novas diariamente, mas sempre recorre à experiência que começou a desenvolver nas primeiras peças que fez em São Carlos (SP), onde começou. "Minha comunicação com o público se dá através do coração. Claro que ensaiei muito e usei toda técnica que aprendi nesses anos todos. Mas momentos antes de começar procuro me desprender do ego e me entregar de corpo e alma ao coração das pessoas".

PAIS E FILHOS

Thiago diz que dirigir o pai não foi difícil. Ou melhor... "É e não é", brinca.

"Às vezes, com um simples gesto ou olhar conseguia entender e me fazer entendido, graças à relação profunda, à intimidade visceral. Por outro lado, só de carreira meu pai tem uma década a mais que minha idade. Inevitável haver em algum momento um conflito entre gerações que, acredito, só enriqueceram a ambos", complementa o ator, falando sobre a importância do trabalho de quem atua ou escreve textos. "Quando a realidade atinge o limite do suportável precisamos fundar novos mundos".

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Marcelo Picchi Jeydsa Felix/divulgação
Marcello Picchi surge em dois momentos da peça (ao lado e abaixo, E), e posando com o filho Thiago (abaixo, D) FOTOS Jeydsa Felix/DIVULGAÇÃO

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