Grupos do Centro de Teatro do Oprimido apresentam espetáculos gratuitos na UFF

Peças já foram apresentados em praças, feiras, auditórios e teatros no Centro, Zona Norte, Paquetá, Teresópolis, Parati e até em Salvador (Bahia)

Por BRUNNA CONDINI | brunna.condini@odia.com.br

Coletivo Madalenas Rio: grupo teatral de mulheres feministas
Coletivo Madalenas Rio: grupo teatral de mulheres feministas -

Rio - Em março, as atividades do Circuito Teatro do Oprimido para os próximos dois anos foram anunciadas. Na ocasião, foi dada a largada na programação de 120 apresentações públicas e gratuitas de espetáculos dos 10 grupos associados ao Centro de Teatro do Oprimido (CTO), idealizador e realizador do projeto.

Os espetáculos já foram apresentados em praças, feiras, auditórios e teatros no Centro, Zona Norte, Paquetá, Teresópolis, Parati e até em Salvador (Bahia). E até abril de 2019 é a vez de a Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, receber o Circuito no seu campus universitário. "Uma das finalidades do projeto é a conscientização de problemas sociais, onde o teatro torna-se o veículo para a organização e debate dos problemas", diz Geo Britto, membro de colegiado do Centro de Teatro do Oprimido e coordenador artístico do Circuito. "E agora, com subsídios da Petrobras, podemos realizar estas ações do Circuito com temáticas tão urgentes".

Os grupos são pautados pela diversidade de seus núcleos artísticos e das abordagens nas suas peças. Entre os grupos tem As Marias do Brasil, de empregadas domésticas. E o Pirei Na Cena, formado por usuários dos serviços de saúde mental e seus familiares. Ou o Pantera, de representantes LGBT, o Cor do Brasil, de artistas afro-descendentes, o Coletivo Madalenas Rio, formado por mulheres feministas, entre outros.

"São trabalhos pautados pelos desafios sofridos pelas 'minorias'. O público poderá assistir a espetáculos com temáticas contemporâneas, representados por elencos bem originais. Alguns deles, já possuem até carreira internacional, como o Cor do Brasil e Marias do Brasil", comenta Geo.

PARA DEBATER E TRANSFORMAR

Todos os grupos que integram o Circuito trabalham com a metodologia do teatrólogo Augusto Boal (1931-2009).

"Essa forma original de se apresentar um texto teatral foi criada nos anos 1970, pelo Boal, com a proposta de que os próprios oprimidos usassem o teatro para debater questões da sociedade. E que conseguissem mudar essa realidade através da arte e da organização política. Nesse sentido, um dos diferenciais do evento é o fato de o público ser convidado a participar como aliado dos protagonistas", esclarece o coordenador.

"No espetáculo 'Nós não somos invisíveis', o grupo Marias do Brasil fala sobre as domésticas, as últimas a terem direito às leis trabalhistas. O grupo surgiu em 1998, formado por mulheres de uma escola noturna. A maioria delas se chamava Maria e descobriram que os patrões, quando esqueciam o nome da trabalhadora doméstica, a chamavam de 'Maria'", finaliza.

A programação completa e gratuita pode ser acompanhada acessando a página www.facebook.com/circuitoteatrodooprimido.

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Coletivo Madalenas Rio: grupo teatral de mulheres feministas Nathali de Deus
As Marias do Brasil: grupo é formado por empregadas domésticas e já possui carreira internacional Divulgação

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