1080_Foto Bianca Aun_Benzinho_out2016 - Bianca Aun
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Por BRUNNA CONDINI

Rio - Estrelado por Karine Teles, Adriana Esteves, Otávio Müller e Konstantinos Sarris, 'Benzinho' tem conquistado o público, contando a história de Irene (Karine, que também escreveu o roteiro ao lado de Gustavo Pizzi). Uma mãe amorosa, que lida com a partida de seu filho mais velho, convidado para jogar handebol na Alemanha.

O DIA: Por quantos anos você e o Gustavo Pizzi gestaram 'Benzinho'? Por que esse nome?

KARINE: Começamos a escrever o roteiro em 2012. Esse é o jeito que os pais do Gustavo se chamam, e transformamos para o jeito que a mãe chama os filhos no filme. A gente acha uma forma carinhosa e engraçada de tratá-los.

No filme, a mãe sofre com a sensação de 'ninho vazio'. Mas o longa também aborda a violência contra a mulher, as dificuldades de uma família para viver no país. No fundo, é um filme sobre como o amor pode transformar as situações?

Sim. Trata-se de um filme sobre como o amor é a força propulsora da vida, como o amor é a base para sustentar as atitudes. Acredito muito que as pessoas que dão e recebem amor são incapazes de uma violência gratuita, de um ato de covardia. Acho que o amor é uma força muito poderosa, e a gente queria falar disso. A Irene não está feliz, gentil, o tempo inteiro. Ela se estressa, sofre, chora, briga, mas tudo isso faz parte do amor que ela tem pela família, pela irmã e por ela mesma. Isso acho um dos pontos mais importantes: o amor-próprio que a Irene está desenvolvendo.

Você filma com seus filhos, Francisco e Arthur. Como foi isso? Eles curtiram a experiência?

Foi emocionante, muito prazeroso e muito difícil também. Me exigia o triplo de foco e concentração porque eu estava ali sem deixar de ser a mãe deles, mas tendo que ser a Irene que é uma outra mulher. Eles também estavam brincando de serem diferentes deles mesmos. Então, era um lugar de concentração e que exigia muita energia da minha parte. Aí, entre um take e outro, eu aproveitava para ficar 'babando' eles.

E esse convite para Adriana Esteves? Como foi essa parceria com ela?

A ideia de chamar a Adriana veio do Gustavo. Quando ele falou, achei impossível. Não a conhecíamos. Pensava: "Quem somos nós para ter a Adriana no filme?" Ela é uma atriz muito sensível, generosa, inteligente, e pediu para ler o roteiro. Gostou muito. E demos sorte: Adriana estava procurando projeto de cinema para fazer e ainda conseguiu encaixar 'Benzinho' na agenda dela. Adriana é uma atriz rara, uma contribuição fundamental para o meu trabalho e para o filme.

'Benzinho' chegou a ser cotado para representar o Brasil no Oscar. Alguma frustração por não ter rolado?

Não tenho frustração de não ter rolado a indicação. Acho que a repercussão do filme e o que ele está conseguindo importantes. Estamos na quarta semana em cartaz, e ele continua crescendo, indo para mais cidades. Recebo todo dia mensagens de gente conhecida e desconhecida que se emociona com ele, que entendeu alguma coisa a seu próprio respeito ou a respeito da sua mãe ou do seu pai depois de ter assistido ao filme. São pessoas que se emocionaram. Claro que prêmios são importantes, porque o mercado dá valor a isso e, quanto mais você é reconhecido, mais chances tem de seguir trabalhando, o que é o mais importante. Mas estou muito feliz com o reconhecimento.

Você e Gustavo ficaram juntos por 11 anos, quando filmaram já estavam separados? Ainda trabalham juntos, qual o combustível dessa parceria?

Quando filmamos, estávamos separados. Na verdade, era um projeto que já tínhamos antes. Ele é um diretor muito talentoso, sensível, e para mim é sempre bom trabalhar com um diretor assim. Independentemente de a gente ter uma história pessoal, estou feliz de trabalhar com ele de novo, porque gosto dos resultados dos trabalhos dele, como com qualquer outro diretor que admire e me chamasse para trabalhar. Confesso que não é a coisa mais fácil do mundo, mas é possível. E vamos seguir para o próximo projeto.

O que você quer daqui para frente? Com o que sonha?

Com um mundo melhor para mim e para os meus filhos, para as novas gerações que estão chegando. Pretendo ficar bem velhinha, viver bastante. Tem muita coisa que eu quero fazer. Acho que tem um mundo velho, um ranço antigo, que está em um movimento de tentar se agarrar a uma estrutura que não tem mais condição de se sustentar, e que vai ruir. Acredito que "o tempo é um senhor tão bonito", como dizia o Caetano, e ele é muito poderoso, e aos poucos o mundo está mudando. Temos que abrir os olhos, o coração, enxergar o novo, no agora. É muito mais fácil viver em paz, seguir respeitando os outros e se respeitando. Isso é muito mais fácil do que brigar. Se guerra resolvesse alguma coisa, o mundo seria um lugar perfeito, né? Temos que descobrir essa potência do afeto, do amor, da empatia e entender que são ferramentas muito poderosas de transformação.

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