Em 'Segundo Sol', personagem de Giovanna Lancellotti perde os movimentos das mãos e das pernas

Rochelle passa a usar cadeira de rodas. 'Torço para ela se recuperar. Não só dos movimentos, mas de alma', diz

Por Gabriel Sobreira

Rochelle perde movimento de mãos e pernas
Rochelle perde movimento de mãos e pernas -

Rio - Dificuldade de escovar os dentes, pentear o cabelo e se banhar, necessidade de usar cadeira de rodas e impossibilidade de se arrumar sozinha. Essa será a rotina de Rochelle (Giovanna Lancellotti), que perderá os movimentos das mãos e dos pés ao ser diagnosticada com a Síndrome de Guillain-Barré (distúrbio neurológico em que o sistema imunológico passa a atacar o sistema nervoso, causando paralisia), a partir de quarta-feira, em 'Segundo Sol', da Globo.

"Quando eu li no capítulo, fiquei com frio na barriga. Gelei na hora. Nesse momento, com a doença, é como se eu estivesse começando um novo trabalho, uma nova personagem. É meio que começar do zero", define a atriz.

COMPOSIÇÃO

Aos 25 anos, Giovanna mergulhou em pesquisas na internet sobre a doença e pediu orientação teórica do pai e do padrasto, ambos médicos. "Cheguei a treinar umas falhas de movimentos com eles e foi muito importante. Quando saíram as primeiras notícias sobre o drama da Rochelle, eu recebi várias mensagens no Instagram de pessoas com a síndrome", conta.

"Tem uma menina que estou acompanhando e tem me ajudado muito. Ela já teve a síndrome há dois anos e ainda está se reabilitando. A gente tem se encontrado quase todo dia. Eu vou com ela ao SARAH, que é centro de reabilitação que ela frequenta. Fui ao neurologista com ela, à fisioterapia", revela a intérprete, que tem tido apoio da preparadora Patrícia Carvalho, que trabalhou com Alinne Moraes, quando ela interpretou Luciana, uma modelo que ficava tetraplégica em 'Viver a Vida'.

DOENÇA

O diagnóstico da doença em Rochelle acontece quando que a personagem é levada ao hospital depois de cair sobre uma mesa de vidro ao acusar falsamente Roberval (Fabricio Boliveira) de tê-la violentado ela usa maquiagem para forjar hematomas. Diante de médicos, a jovem diz não sentir os dedos das mãos e dos pés e, após exames detalhados, é diagnosticada a síndrome.

"É um desespero. O nome dessa cena para mim é desespero. É naquele momento em que ela descobre que está perdendo os movimentos, que vai perdê-los, e que vai ter que recuperá-los, que ela vai renascer, que ela vai ter que se redescobrir e depender de toda família. Ela fica revoltada, tem muitos momentos de fraqueza. Ela se sente frágil, desmontada, sem poder se arrumar como ela gosta. Ela fica com a autoestima baixa. É uma mudança interna e externa. É uma mudança geral. A reação dela é bem dramática, e acho que a família vai ser essencial para ela nesse momento", afirma.

SEM PUNIÇÃO

A paulista de Ribeirão Preto não encara a doença de sua personagem como uma forma de punição. "Ainda mais essa síndrome. Acho que esse foi um recurso muito inteligente do João (Emanuel Carneiro, autor da novela) para falar sobre essa doença e com uma personagem que não dava valor realmente a nada. Isso, dramaturgicamente falando, deixa a história muito rica".

Mas a atriz percebe que essa nova chance trará um aprendizado para Rochelle. "Acho que qualquer pessoa que passa por isso ou por algo parecido com isso se transforma. E evolui. Todas as pessoas com quem conversei, todos os casos que eu já vi sempre foram assim, e eu acho que com ela não vai ser diferente", acredita.

HUMOR

E o tom sarcástico e o humor da personagem, acha que ela irá perdê-los? "Não e nem quero também. Só que ela usa tudo isso para o lado negativo. Se ela usasse essa mesma energia, essa impulsividade, boa de improviso, engraçada, se ela levasse isso para o lado positivo, ela seria uma pessoa muito legal. Então, eu gostaria muito de ver essa transformação, sem que ela perdesse a essência dela, que acho a coisa mais bonito que ela tem", afirma.

A doença também mudará a relação com que Rochelle encara Manuela (Luisa Arraes), sua irmã de criação. "É uma mudança geral. A Manuela se solidariza muito com ela, ajuda, escova os dentes dela, penteia o cabelo. Ela ajuda muito. Acho que a Rochelle realmente vai começar a abrir o coração e acho que vai começar a fazer uma viagem. Com certeza, vai ter uma mudança na relação das duas", atesta.

FINAL

Giovanna não esconde o desejo para que sua personagem recupere os movimentos totalmente. "A chance de recuperação total para quem tem a síndrome é grande. E eu acho também que a gente tem que passar essa esperança para as pessoas que estão vivenciando isso agora", deseja a atriz. "Torço para Rochelle se recuperar. Não só dos movimentos, mas de alma. De ela renascer e ver a vida de outra forma, ver as pessoas de outro jeito. Acho que é isso que vai acabar acontecendo. Fica a dica aí para o João", entrega a atriz, aos risos.

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