Marcella Muniz, a Judite. No alto, a atriz com Eucir de Souza, o Caifás:
Marcella Muniz, a Judite. No alto, a atriz com Eucir de Souza, o Caifás: "Cumplicidade na maldade" Rodrigo Lopes/Divulgação e Reprodução
Por Gabriel Sobreira

Rio - Marcella Muniz, 51 anos, fica cada vez mais impressionada com o sangue frio de sua personagem, a amarga Judite, mulher de Caifás (Eucir de Souza), em 'Jesus', da Record. Nesta semana, a antagonista matou uma mulher que agredia Caifás. Juntos, Judite e o marido se livraram do corpo do desafeto deles em um vale usado para descartar corpos de pessoas indignas, restos de animais e lixo.

"É uma cumplicidade na maldade. Eles matam, esfaqueiam. Tudo pela lei, em nome da religião, e o mais difícil é fazer isso tudo sem culpa, com distanciamento", conta a atriz, que está com quase 40 anos de carreira e vive sua primeira vilã. "Ela tem muita segurança no que diz. Não se altera de maneira alguma e tem muita força também no olhar", completa.

Na história de Paula Richard, Judite é uma companheira dedicada. Como ela tem dificuldades para engravidar, o marido arrumou Livona (Bárbara Borges), uma serva fértil. Preterida e humilhada frequentemente pelo companheiro, Judite se desesperou ao ver a barriga da rival. Após descobrir que tudo é uma farsa, ela expulsa a mentirosa de casa. Só que Livona alega ter visto Judite e Caifás se livrando de um corpo e sugere uma troca: ela fica na casa e bola um plano para que Judite engravide.

A ideia de Livona é que Judite se disfarce de prostituta para se deitar com outro homem na esperança de poder gerar um herdeiro para o marido. "Ela ama o Caifás com todos os defeitos. Ela está desesperada para dar um filho. Se não engravidar, poderia ser apedrejada, devolvida ou jogada na rua para viver a vida de prostituta. Imagina que, se ela gerasse uma filha, o pai poderia dar a criança se não quisesse. Naquela época, tinha que dar um filho homem. Mulher não prestava para nada. É muito louco", surpreende-se a atriz.

Você perdoaria uma traição?

"É uma pergunta relativa, eu sou uma pessoa que acredito na relação de lealdade. Não sou a favor, mas não pode rotular uma traição. Existem casos e casos. Eu acho que na relação é muito difícil zerar esse tipo de coisa, a amargura que fica, a autoestima, tudo é conversado. Eu não admito a falta de lealdade, a falta de propósito. A traição, quando é dentro desse quadro de falta de lealdade, eu talvez não perdoasse", explica.

"Acho que, hoje em dia, falta a lealdade. Por isso, sou apaixonada por cachorro. Eles nos ensinam o que é lealdade", completa ela, que administra sua empresa C'est Potage, de culinária saudável. "Eu me formei há quatro anos em gastronomia. Adoraria interpretar uma chef de cozinha na TV", torce.

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