Pabllo Vittar: Sofrência para fazer feliz

Novo disco da cantora tem histórias reais nas letras. "É para chorar dançando", brinca

Por RICARDO SCHOTT

Pabllo Vittar
Pabllo Vittar -

Rio - Pabllo Vittar diz ter colocado sua vida em 'Não Para Não', seu segundo disco, lançado há pouco pela Sony. "Eu quis levar para o disco toda a minha vivência de infância, de juventude. Morava em Santa Izabel do Pará (PA) e ouvia suingueira, tecnobrega, forró, guitarrada. O disco está muito transparente. Conversei muito com os meninos que trabalham comigo e eles me ajudaram nisso", conta a cantora.

O lado pessoal não está apenas nas reminiscências musicais. Músicas como 'Buzina' (definida pelo seu produtor musical, Rodrigo Gorky, como "o que seria o k-pop se fosse feito no Brasil"), o eletropagode baiano 'Problema Seu' (letra: "eu não sou santa e a pista tá fervendo/pode vir quente que o DJ tá chamando") e 'Disk Me' (dos versos: "que coragem você tem de me ligar às 4 da manhã pra me falar de amor/o que você tomou?") têm muito de situações vividas pela cantora.

"A ideia do disco é algo como: 'Vamo chorar dançando?'", brinca. "São histórias verídicas, coisas que aconteceram. Eu amo fazer isso: mostrar minha vida nas músicas. Até porque quem me conhece sabe que tenho essa transparência. As pessoas veem minha cara ali".

Mas os recados chegam às pessoas? Ninguém que teve uma história com você e a viu citada numa música se importou? "Não, não, porque quando eu vou falar de algo que aconteceu, procuro trazer de forma natural. Tem 'Open Bar', que a pessoa para quem escrevi sabe que foi para ela. Mas isso nunca mais vai acontecer, não vou ser boba de contar de novo", brinca Pabllo. "Eu falo de coisas pelas quais todo mundo passa, né? Quem nunca sofreu por amor, ou já passou por um momento em que ficou infeliz? O 'Não Para Não' é até por causa disso. É para que as pessoas nunca parem diante de um amor que se foi, de algo ruim".

Compacto não

'Não Para Não' tem pouco menos de trinta minutos. Ainda assim, é um álbum de verdade, não se trata de um EP - formato hoje preferido por muitos artistas. O sucesso não fez com que Pabllo quisesse lançar apenas músicas separadas ou um disco com poucas faixas, como tem sido quase mandatório hoje em dia.

"Imagina, eu amo os artistas que ainda se preocupam em lançar um álbum. É uma obra que o artista está se preocupando em lançar. Um trabalho com conceito", diz. "Fico até triste porque alguns artistas que eu gosto não lançam álbuns e preferem lançar singles. Aí ficam assim: 'Esse não vingou, vou lançar outro'. Parece uma fumaça que você lança no ar e se dissipa. Eu adoro viver na era digital por conta da facilidade, mas prefiro mostrar o trabalho completo", acredita.

Informação

Pabllo é um ícone do comportamento, para vários e várias jovens que escondem sua sexualidade de amigos e parentes. Em entrevista na revista 'Rolling Stone', a cantora chegou a dizer que ainda tentava conversar com parentes homofóbicos, mas sabia que alguns deles jamais mudariam. "Levar informação a gente tenta sempre levar, né?", diz. "Recebo muitas mensagens de fãs. Eu sou muito bem resolvida com minha sexualidade. Às vezes, acordo, estou cansada, tenho que fazer um monte de coisas, mas me sinto feliz com isso e queria que todas as pessoas se sentissem assim".

 

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