Que tudo mais vá pro inferno

Por SELECT ART

O poema não é suficiente para abarcar a arte do poeta. Já dizia o poeta russo que “sem forma revolucionária, não há arte revolucionária” (Maiakóvski, 1893-1930). Assim foi que Augusto de Campos inventou o popcreto, o despoema, o poemóbile, clip-poema, o não-poema, o poema-bomba e o contrapoema. Em cartaz na Luciana Brito Galeria, em São Paulo, a mostra Poemas e Contrapoemas apresenta duas gerações dos poemas de contestação do grande poeta, tradutor e ensaísta.

Os primeiros Contrapoemas de Augusto de Campos foram escritos e publicados nos anos 1960, em reação à ditadura militar. Contra a cor chumbo do regime, Augusto aplicava o timbre vibrante da palavra ferina. Diante da recente ascensão conservadora na politica e na sociedade brasileira, o autor retomou sua militância do contra. Entre os novos trabalhos, figura Cláusula Pétrea (2018), composto da transcrição de fragmento de texto da Constituição que afirma que ninguém pode ser considerado culpado antes de decisão judicial de última instância.

A seleção de obras inclui outros grandes momentos do Contrapoema, como Sol de Maiakóvski (1982-93), que imprime uma boa dose de psicodelia à rebeldia. Estão presentes ainda outros poemas clássicos, como Luxo (1965) – que ganhou nova versão com recorte circular –, e o enigmático Código (1973), que nos lembra que a obra de Augusto de Campos é um emblema da arte brasileira.

Serviço
Augusto de Campos – Poemas e Contrapoemas
Luciana Brito Galeria
Av. Nove de Julho, 5162 – São Paulo, SP
Até 1/6
lucianabritogaleria.com.br

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