Luana, transexual ativista morta em 2017, ganha documentário

'A Rainha da Lapa' estreia no sábado em festival LGBTQ de cinema em Nova York e fala sobre o casarão que ela montou no bairro

Por VIVIANE FAVER

Luana e os diretores
Luana e os diretores -

Rio - 'A Rainha da Lapa', documentário inédito sobre a vida da transexual e ativista Luana Muniz, tem sua estreia neste sábado, na 31ª edição do New Fest, festival de filme LGBTQ de Nova York, nos Estados Unidos. O filme foi realizado pelo diretor e produtor americano Theodore Collados e pela diretora, produtora e dançarina brasileira Carolina Monnerat.

Luana sempre foi bastante popular nas ruas da Lapa, mas ficou bastante famosa após aparecer no programa 'Profissão Repórter' brigando com um cliente e falando a frase "tá pensando que travesti é bagunça?". "A grande expectativa é conseguir patrocínio para levar o filme para o Rio de Janeiro logo após Nova York. É o nosso grande sonho", alegra-se Carolina, lembrando que o foco principal do documentário é o casarão que Luana, morta em 2017, possuía há duas décadas, e no qual havia passado a alugar quartos para transexuais que chegavam ao Rio de Janeiro para trabalhar na Lapa.

Bem antes do casarão — e da aparição na TV — Luana passou muito tempo trabalhando na prostituição, e enfrentando todas as dificuldades comuns na vida de uma transexual no bairro da Glória, na Zona Sul do Rio. Como fundadora e presidente da Associação de Profissionais do Sexo Transgêneros, ela protestou e fez lobby pelos direitos das profissionais do sexo, levando o governo a reconhecer sua ocupação.

Carolina lembra que, no casarão, Luana ensinava as 'meninas' sobre comportamento, noções de certo e errado. Também oferecia proteção na rua para as que precisavam. "As meninas a chamavam de Mãe Luana", conta. "O filme é um retrato íntimo e cativante da renomada intérprete de cabaré, ativista e trabalhadora sexual Luana Muniz, uma das transexuais mais influentes da história", segundo o diretor Collados.

A ideia do documentário surgiu em 2013 quando Theodoro Collados estava no Rio de Janeiro com Carolina, fazendo um ensaio fotográfico numa rua da Glória. O diretor teve sua atenção chamada para as transexuais que estavam na calçada esperando clientes. No mesmo cenário, mães e crianças voltando das escolas.

O longa humaniza questões em torno do trabalho sexual entre transgêneros no Rio de Janeiro. O filme busca abordar o que é ser um transgênero vivendo em um ambiente sociopolítico hostil. Antes de nova York, 'A Rainha da Lapa' já havia participado de outros festivais internacionais de cinema.

 

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