Procura por games cresce com isolamento social por causa do coronavírus

Visualizações, downloads e acessos em várias áreas do setor tiveram picos desde início da quarentena

Por HUGO PERRUSO

Thiago Diniz, um dos fundadores e diretor de operações da Nuuvem
Thiago Diniz, um dos fundadores e diretor de operações da Nuuvem -
Rio - Com a quarentena forçada no Brasil e ao redor do mundo, uma indústria em especial tem crescido nesse período: a dos jogos eletrônicos. A conta é simples: mais pessoas em casa aumentam a demanda por diversão online e vários setores da área de games viram seus números terem picos de acessos.
A Nuuvem, empresa brasileira de venda de jogos digitais para computador, quadruplicou o número de downloads na primeira semana após o início da quarentena no Brasil, em 17 de março. E o número de acessos em seu servidor foi de 100% a mais. Já a Steam, plataforma digital para jogar e comprar online, bateu seu recorde duas vezes no período: primeiro alcançou 20,3 milhões de usuários simultâneos, em 15 de março, e depois mais de 24,5 milhões no início de abril.

"Desde que começou a quarentena, os games viraram uma forma de entretenimento barato. Tem jogos de 10 reais, 20 ou até de graça. E naturalmente os nossos números de acessos e downloads aumentaram . Se os jogos puderem ajudar as pessoas a ficarem em casa, será positivo. Mas a longo prazo não vemos como positivo porque vai afetar o país. O momento é complicado, estamos preocupados.", afirma Thiago Diniz, um dos fundadores e diretor de operações da Nuuvem.

Graças à nova rotina das pessoas em casa, o lançamento de jogos também teve impacto positivo. O "Doom Eternal" alcançou 100 mil jogadores simultâneos apenas no computador, dobrando a marca do último jogo da franquia no primeiro dia. E "Call of Duty: Warzone" contabilizou aumento de 400% em apenas 10 dias desde que foi liberado para download.

Desenvolvedora de "Call of Duty", a Blizzard aposta em jogos com modo multijogador neste momento de quarentena mundial. Neles, as pessoas podem manter contato com outras, com a possibilidade de conversarem entre si por áudio enquanto jogam.

"Além do aspecto da acessibilidade, considerando a oferta de jogos gratuitos, alguns games oferecem conteúdos que são mais bem aproveitados quando você joga com amigos e familiares a distância. Você pode se divertir de forma segura, cada um se conectando de sua residência e podendo conversar via chat ou voz", diz a Blizzard.

Também houve aumento na procura por vídeos e transmissões online de jogos em sites especializados, como o Twitch, que teve audiência média de 2,2 milhões de pessoas no início da segunda quinzena de março, quase 100% a mais do que vinha alcançando. E uma corrida virtual do jogo de Fórmula 1 na em 22/3, data que aconteceria o GP do Bahrein, cancelado, teve mais de 280 mil pessoas assistindo ao mesmo tempo.
"Desde o início da pandemia, na China, temos observado esse aumento (de consumo relacionado a games) pelo mundo", completa Thiago Diniz.

Caçar pokémons ficou mais complicado

Aline Gomes (ao centro, com dois celulares na mão) e seu grupo de 'Pokémon Go' - Arquivo pessoal
Apesar do aumento na demanda, nem todos os jogadores podem aproveitar seus games ao máximo durante a quarentena. Especialmente aqueles que têm como foco jogar na rua. Febre há alguns anos, "Pokémon Go" permite aos usuários caçar pokémons, batalhar ou fazer outras atividades ao ar livre. Com a proibição da circulação em vários países, a produtora Niantic teve que adiar eventos e mudar algumas dinâmicas, como facilitar a aparição das criaturas nas casas dos jogadores. Ainda assim, a rotina de quem usa o aplicativo mudou bastante.
A técnica em Análises Clínicas Aline Gomes, de 34 anos, costumava jogar todo dia no trajeto casa/trabalho e também se reunia com um grupo de pelo menos oito pessoas perto de casa, no Leblon, para jogar "Pokémon Go" no fim de semana. Agora, só em casa, mudando a dinâmica da diversão.
"Normalmente nos reuníamos nas praças para jogar. Mudou radicalmente. Eu ia trabalhar e conseguia jogar no caminho. Mas agora estou de férias coletivas e temos respeitado o isolamento social. Ainda dá pra se manter ativo, só que estou jogando menos. Com outras pessoas é mais interessante", diz Alice.

Comentários