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Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o único filho de Migliaccio , Marcelo, o pai sofria de depressão profunda desde o ano passo. A psiquiatra do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, Tânia Alves, afirma ao iG que a depressão pode ser fator para o suicídio. "A depressão pode fazer com que a pessoa perca as esperanças, sem saída para a situação atual", aponta a psiquiatra.
"Essa etapa da vida possui traços mais sensíveis. A saída dos filhos de casa, a morte de amigos e a observação de uma vida que poderia ter sido e não foi podem ser fatores para a depressão na terceira idade", completa o psicólogo Luís Gustavo Carvalho.
Ainda há a sensação de inutilidade, a dependência maior que os idosos têm com parentes e a aproximação da morte, que nunca se sabe quando irá chegar.
Em geral, os sintomas em idosos são mais físicos do que psicológicos. "Normalmente sentem dores que não melhoram por nada, ou dores que são justificativas para falta de vontade do idoso de ter o convívio normal com a família ou atividades normais", aponta Tânia.
Outro sintoma que pode ocorrer é o esquecimento, que pode ser diagnosticado erroneamente como demência ou outra doença clínica. "Como a atenção está diminuída, a memória enfraquece mais, mas com o tratamento para depressão, a memória pode retornar", diz a psiquiatra do HC da FMUSP.
Diante de um cenário como o citado acima, pode ser o momento de agir. Fazer o idoso estar ativo dentro da família e no círculo social são formas de evitar a depressão, por exemplo.
O tratamento clínico é o mais indicado, mas a família pode auxiliar o idoso neste momento. Estar presente, prestar atenção no isolamento dele e prestar atenção nos sinais que o idoso dá é necessário. "Conversar, falar por vídeo, mostrar interesse e até pedir para os avós participarem de alguma atividade é importante", ressalta Tânia.
Segundo Luís Gustavo, o afeto é insubstituível. "É triste perceber que nossas habilidades motoras estão se esvaindo, que estamos nos tornando inúteis e de estarmos dando trabalho aos familiares. Acolher o idoso e ter paciência é manifestar o afeto", diz o psicólogo.
Às vezes, a reclamação constante pode ser sinal. O principal é esquecer que aquilo é coisa de velho e entender que pode ser algo mais sério. Além do tratamento psiquiátrico, "dar carinho e independência ao idoso pode ser essencial para a saúde mental dele", comenta Tânia.