Em isolamento, Zeca Pagodinho reclama da rotina: "Vou da sala pro quarto e do quarto pra sala"

Com tempo de sobra, sambista revela que tem assistido a novelas como 'Brega & Chic', 'Chocolate com Pimenta' e 'O Clone'

Por Juliana Pimenta

Zeca Pagodinho
Zeca Pagodinho -

Rio - "Pois quando tudo se perdeu e a sorte desapareceu". Esses são versos de 'Quando a Gira Girou', uma das canções mais famosas de Zeca Pagodinho. Em isolamento social e vendo o número de vítimas do coronavírus crescer exponencialmente, a sociedade também compartilha desses sentimentos de dor, perda e abandono. Mas essa mesma canção também fala da importância de ter em quem se apoiar para resistir ao "temporal".

Homenageado do 'Altas Horas' deste sábado, o sambista tem feito o possível para servir de exemplo e alento aos fãs. "Você imagina o Zeca Pagodinho 60 dias sem sair de casa? É horrível, mas tem que ficar. Não tem jeito. Todo dia eu faço a mesma coisa: vou da sala para o quarto e, quando chego no quarto, volto para sala. Às vezes, vou na cozinha só para dar uma variada", brinca o músico, que tem assistido a novelas antigas como 'Brega & Chic', 'Chocolate com Pimenta' e 'O Clone' para ajudar a manter o bom humor em meio às lamentações.

Vontade de bater perna

"Eu sou acostumado a passar o dia na rua. Vou todo dia à gravadora, vou ao salão, corto as unhas, dou uma volta no shopping. Não gosto de ficar preso", destaca Zeca que, por conta da pandemia e, em respeito ao isolamento social, deixou de cumprir com algumas de suas tradições preferidas, como a feijoada de São Jorge e a entrega de ovos de Páscoa para crianças das comunidades de Xerém.

"Isso é ruim, mas principalmente para as crianças que ficam esperando. Mas Xerém está com um número alto de pessoas doentes e, se tem que ficar em casa, vou ficar em casa. Não vou ser diferente. A gente tem que pensar no próximo e se preocupar com as outras pessoas", defende Zeca, que destaca também a saudade dos seus "amigos, cachorros e porcos".

Trabalhador, preocupado com a família e com os amigos, Zeca desmistifica um pouco o slogan "deixa a vida me levar" associado à sua imagem. "Eu sou sério com meu trabalho e com a minha família. E hoje em dia não existe mais isso de boêmia. Tem muita violência na rua, e eu tenho 61 anos, não tenho como ficar até tarde. Agora é a vez da garotada! Às vezes, até dou meus pinotes, mas agora só depois do vírus", brinca.

Orações e despedidas

Religioso, o sambista, que recentemente perdeu amigos, como o compositor Aldir Blanc, revela também que recorre às orações para as despedidas que não puderam ser feitas presencialmente. "O mundo tá muito mudado, né? Ano passado, perdi muita gente querida e agora veio o coronavírus para levar mais um bocado. Eu rezo todos os dias às 18h. Era uma tradição de família que eu continuei. E são nesses momentos que eu peço por proteção e pelos meus amigos", diz.

Live mais assistida

Sem muita intimidade com a internet, Zeca soube pela filha da existência de uma campanha online, que pedia uma apresentação virtual do músico e de seus maiores sucessos. No último domingo, Dia das Mães, o compositor cedeu às investidas do público e fez a live. O resultado? A apresentação foi uma das mais assistidas do dia no YouTube, com mais de 3 milhões de visualizações. A repercussão também chegou ao Twitter, onde o cantor chegou a ser, simultaneamente, o 1º , 2º e 3º assunto mais comentado da rede social. No Instagram, o sambista já passa dos 2 milhões de seguidores.

"Eu sinto muitas saudades da música. O que eu gosto de fazer é cantar, mas a ideia da live também é legal por conta dessa história das cestas básicas, de ajudar o próximo", explica o cantor e compositor que, durante a apresentação, arrecadou mais de 20 toneladas de alimentos que serão doadas para o projeto 'Mães da Favela', realizado pela CUFA.

Comentários