
Os áudios que alegram o final de semana da galera começaram a ser feitos há dois anos. De lá pra cá, já foram mais de 200. O curioso é que Eduardo nem estava a fim de fazer. A ideia foi de um amigo, o empresário e produtor de eventos Alexandre Uzai.
“Ele me ligou e pediu pra eu gravar. Fiquei relutante, não queria, achei chato. Ele insistiu, insistiu, insistiu muito, aí eu gravei um mas também não levei a sério. Na outra semana não quis gravar, ele ficou chateado comigo. Falei ‘não vou gravar, não achei engraçado’” diz o jovem de 27 anos.
Mas o humorista não podia imaginar que a sua história estava prestes a dar uma guinada. Na semana seguinte o ator Lázaro Ramos compartilhou um áudio do 'Bom dia, família'. “Deu aquela despertada, tipo ‘caraca, chegou no cara, chegou no cara!’. Aí o Alexandre falou ‘to te falando que a parada é maneira’”.
Sobre o ‘embromation’ – marca registrada na pronúncia das músicas que interpreta, e que funcionam como pano de fundo para as piadas e comentários ao longo das gravações –, revela: “O inglês realmente é ruim, então eu não preciso ficar forçando pra fazer uma parada que eu realmente não sei fazer. Os áudios começaram a ficar melhores porque eu parei de forçar e comecei a cantar como realmente cantaria. Perdi essa preocupação em cantar errado”.
Ele afirma que, na quarentena, os áudios têm tido mais acesso, ajudando os fãs a aliviarem a pressão imposta pelo isolamento social. “Os áudios realmente têm mais acesso agora. Hoje, minha vida gira em torno do ‘Bom dia, família’. É o meu trabalho, né? Dos conteúdos que posto, os áudios são sempre os mais populares. Toda sexta-feira meu Instagram explode. Tem um alcance semanal de 600 mil a um milhão. Cerca de 70%, 80% é da sexta”, contabiliza.
“Posso fazer vários vídeos, postar outras coisas durante a semana que não têm o alcance dos áudios. As pessoas realmente esperam por eles”, diz. A brincadeira ficou tão séria que o niteroiense deixou o trabalho no banco para investir numa carreira em constante mutação no mundo digital.
Eduardo é um dos raros casos de influenciadores que ganharam projeção pelo WhatsApp para só depois ampliarem o público em outros canais. “Meu Instagram era normal, eu tinha 1.600 seguidores, amigos próximos mesmo. Começou a crescer através dos áudios porque eu comecei falar meu nome”, explica. Esse sucesso é bem visto por investidores, já que a taxa de engajamento no grupo do zap 'Bom dia, família', com quase 300 membros, é de quase 100%, muito maior que no Instagram ou Youtube. Isso sem falar nas centenas de grupos onde os áudios viralizam semanalmente.
Inspiração vem de casa
Ex-bancário, Eduardo Torreão costuma dizer que já foi quase jogador de futebol, músico e ator. A veia cômica herdada da família abriu a porta do humor na era digital. Sua mãe não se chama Hermínia, mas certamente valeria uma peça e é uma fonte de inspiração tal qual a famosa personagem criada e levada aos cinemas pelo ator, humorista e roteirista Paulo Gustavo, que também é de Niterói: “Sempre fiz muito vídeo engraçado com minha mãe, Cristina. Sempre tivemos uma relação engraçada.
Até brincava com o fato de o Paulo Gustavo ser de Niterói. Como a dele, a minha mãe é uma figura”. Além de Cristina, o braço direito Alexandre Uzai, o amigo que o incentivou, e a namorada Juliana são peças importantes do ‘Bom dia, família’, assim como os tios que abriram o seu horizonte artístico. “O tio Fernando foi cara que me despertou para o teatro. Já o Márcio foi o pai que praticamente me criou. Levou-me ao cinema, ao estádio, e me deu um violão”, revela Torreão, que hoje posta áudio novo. Divirtam-se






