Segue o baile: Rennan da Penha comemora aniversário e lançamento de DVD com live na Rocinha

DJ, cria do Complexo da Penha, lamenta violência nas favelas. "O governo não vai combater o crime dando tiro na comunidade", diz

Por Juliana Pimenta

Rennan da Penha durante gravação do DVD 'Segue o Baile' em janeiro
Rennan da Penha durante gravação do DVD 'Segue o Baile' em janeiro -

Rio - O mundo todo foi atingido pela pandemia do novo coronavírus e, definitivamente, 2020 não tem sido um ano fácil para a maioria da população. Mas em relação a 2019, Rennan da Penha não tem do que se queixar. Amanhã, o DJ carioca apresenta uma live para comemorar seus 26 anos, completados na última quarta-feira. No ano passado, Rennan passou a data na prisão.

"Felicidade total em estar com a minha família, trabalhando e vivo. Imagina como estaria difícil se eu ainda estivesse naquele lugar. Ainda mais com essa pandemia, sem visita, eu ia estar batendo com a cabeça na parede", confessa o jovem talento do funk que, no ano passado, foi condenado por associação ao tráfico de drogas em decisão duramente questionada por autoridades e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Debutante

Mas, além de curtir a data em liberdade, Rennan tem mais um motivo para comemorar. O DJ acaba de lançar 'Segue o Baile', seu primeiro DVD, gravado em janeiro. "Tudo me marcou naquele dia. A minha volta, estar com a minha família, com a minha esposa, com todo mundo que eu gosto e ainda mais com a recepção que tive do público. Foi a coisa mais expressiva naquele dia e realmente senti que eles estavam esperando por mim. Fiquei muito feliz", destaca Rennan, que contou com a participação de figuras de destaque na música como Livinho, Rebecca, Luísa Sonza, Kekel e Turma do Pagode.

Produção especial

Por conta da pandemia, Rennan não pôde preparar a celebração que gostaria. "Certamente, se o mundo tivesse normal e tivesse rolando baile na comunidade, eu ia comemorar meu aniversário lá no morro. Eu ia fazer um evento e chamar os MCs para fazer um baile. Ia ser um bailão de arromba", brinca o DJ, que encontrou na live uma solução para se conectar em tempos de isolamento.

"Mas está tudo certo e 'vai dar bom' se Deus quiser. A gente estava com esse planejamento há um tempo. Eu já fazia live lá no Complexo da Penha, mas falei para dar uma mudada e colocar um visual diferenciado para quem está de fora conhecer a beleza da maior favela da América Latina", explica Rennan, ao justificar a escolha da Rocinha.

Dilemas do isolamento

Apesar de se entreter com o trabalho e a produção das lives, o DJ reclama (e muito) das limitações impostas pela pandemia. "Eu estou agoniado, não está dando mais. A gente, que é adepto ao público, não consegue viver assim, sem fazer show, sem ver gente. Agora não tem isso e está complicado demais", confessa Rennan, que foi convidado para fazer uma apresentação atípica enquanto não volta aos bailes. "Eu recebi uma proposta para fazer um show naquele drive-in e estou analisando aqui. Acho que vai ser maneiro. É muito diferente e vou curtir bastante", revela.

Mas, além do isolamento, Rennan entende que, como figura pública e pai de dois, precisa dar o exemplo no que diz respeito aos cuidados. "Eu sempre oriento todo mundo a se manter em casa. Minha mina também causa comigo direto com esse bagulho de álcool gel o tempo todo. A gente fica com isso toda na hora na cabeça, agora", brinca o DJ, falando da esposa.

A favela (ainda não) venceu

Apesar do reconhecimento de seu sucesso, Rennan entende que ainda falta muito para que a favela tenha o respeito que merece. "Quando eles montam operação dentro da comunidade, eles têm que pensar que a parede da casa das pessoas não é centro de treinamento de tiro. Aquilo é tijolo, a bala perfura o tijolo e perfura quem está dentro da casa. Eu acho que eles não vão combater o crime nunca. Eu tenho 26 anos de Complexo da Penha e eu nunca vi nada mudar lá dentro, absolutamente nada. O governo não vai combater o crime entrando com polícia e dando tiro na comunidade. O governo vai combater o crime fazendo escolas para crianças, investindo em educação e em tecnologia", argumenta o rapaz, que é testemunha das ocupações da polícia.

"Você acha que eles vão mudar alguma coisa? Se fosse mudar… Só eu vi duas ocupações no Complexo da Penha, uma em 2007 e uma em 2010. E mudou alguma coisa? Mudou nada. Só piorou? Todo ano piora mais. É muita morte. É uma parada sinistra. A gente não escolhe isso. Não somos nós que podemos parar com isso. Quem pode acabar com isso, não quer que acabe. Quem pode acabar com a guerra não quer que a guerra acabe", lamenta Rennan.

 

Agenda de lives do fim de semana

Sexta-feira
Angela Roro, às 19h - Youtube do Sesc São Paulo
Hungria, às 19h - Youtube
Paula Toller, às 20h - Youtube
Teresa Cristina, às 22h - Instagram
Chitãozinho e Xororó, às 22h15 - Youtube

Sábado

Felipe Araújo e Ferrugem, às 15h - Youtube
Dennis DJ, às 15h - Youtube
Babado Novo, às 17h - Youtube
Elba Ramalho e convidados, às 19h - Youtube do Sesc São Paulo
Edi Rock, às 21h - Youtube
Gabriel O Pensador, às 22h - Youtube
Teresa Cristina, às 22h - Instagram
Rennan da Penha, às 23h59 - Youtube

Domingo

Marcelo Falcão, às 17h - Youtube
Rael, às 18h - Youtube.
Solange Almeida, às 18h - no Youtube
Teresa Cristina, às 22h - Instagram 

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