Ambientada em fictício bairro do Rio, série 'Um Dia Qualquer' mostra como rotina de violência afeta as vidas de famílias

Em cinco episódios, produção estreia hoje no Space

Por O Dia

Mariana Nunes e Jeferson Brasil em 'Um Dia Qualquer'
Mariana Nunes e Jeferson Brasil em 'Um Dia Qualquer' -

Envolta pela cortina das tragédias gregas, nas quais os personagens não podem fugir de seus destinos, a minissérie brasileira 'Um Dia Qualquer' estreia hoje, às 22h, no canal a cabo Space. A história se passa em um dia no subúrbio carioca, quando desde as primeiras horas da madrugada até a noite, a guerra entre milícia e tráfico ganha uma outra perspectiva nas mãos do diretor Pedro Von Krüger. Para além da violência e do confronto, 'Um Dia Qualquer' conta a trajetória de indivíduos imersos em uma realidade muitas vezes cruel, como fala o diretor.

"Essa série se passa muito dentro das casas, das intimidades. É algo mais humano. Apesar de ser ficção, mergulhamos muito na realidade, é a relação que as famílias têm com a violência. Não é uma história sobre o sistema, mas sobre como a relação das pessoas são afetadas pelo sistema", explica Von Krüger.

Antes escrita em formato de longa-metragem, 'Um Dia Qualquer' teve o lançamento adiado nos cinemas, se transformou em série e passou por mudanças na estrutura. A narrativa apresenta em 24 horas os personagens do policial Quirino, interpretado por Augusto Madeira, a evangélica Penha, de Mariana Nunes, e o traficante Seu Chapa, vivido por Jefferson Brasil. A relação deles, que se conhecem há 10 anos, é explicada em momentos de flashback que não existiam no filme.

Para Jefferson Brasil, que dá vida a Seu Chapa e já viveu outros personagens "estereotipados" como traficantes maus, foi uma experiência desafiadora trabalhar em 'Um Dia Qualquer'.

"Fiquei com um pé meio atrás, mas depois eu vi com bons olhos. Nós precisamos defender esses personagens, dar voz a ele em uma sociedade em que o negro não é ouvido. Tentei trazer o lado mais humano possível. Não é por ser bandido ou policial que não é ser humano, que não tem coração ou sentimentos", comenta o ator.

A série foi filmada em Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, mas o bairro fictício não tem nome. As dificuldades do subúrbio e da periferia carioca estão presentes nos cinco episódios. Augusto Madeira conta que para fazer Quirino, o policial que se torna miliciano, a ideia foi trazer características de alguém cansado e, mesmo fora da lei, com equilíbrio.

"O que o move, de uma forma torta, é um senso de justiça, de trazer uma tranquilidade para o bairro. Ele também tem uma relação de amor pela Penha, tem uma ciumeira em relação ao Chapa, uma preocupação com o filho. Eu tentei fazer ele cansado, acho que ele não é uma pessoa que viveria até os 80 anos", diz Madeira.

Segundo Mariana Nunes, quem lhe contou sobre a série foi a atriz Dira Paes, amiga de Pedro Von Krüger. Depois que tomou conhecimento do roteiro e da história de Penha, a vontade de viver a personagem, que começa imersa no funk e depois se converte, só cresceu. "Eu fiquei interessada não só no tema, mas também nessa mulher, de onde ela vem e pra onde ela vai. É uma trajetória muito interessante, um personagem interessante para uma atriz fazer", conta.

 

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