Júlia PortesElisa Maciel / Divulgação
Júlia Portes vive mulher de físico nuclear em 'Emergência Radioativa'
Atriz também fala sobre sucesso do livro 'O céu no meio da cara' e novo filme
Rio - Conhecida por interpretar Lia em "Malhação – Vidas Brasileiras" (2018), da TV Globo, Júlia Portes integra o elenco da série "Emergência Radioativa", da Netflix, inspirada no acidente com Césio-137 em Goiânia, em 1987. Na trama, a atriz interpreta Bianca, mulher do físico nuclear Márcio (Johnny Massaro), que enfrenta dramas familiares em meio à catástrofe.
A artista recorda o início das gravações da série, que é a quarta mais vista do mundo entre as produções de língua não-inglesa da plataforma de streaming. "A primeira cena da Bianca, minha personagem, foi a primeira cena a ser gravada de toda a série. Lembro que depois de microfonarem a mim e ao Johnny, fizemos um ensaio e alguém da equipe de som veio da outra sala e disse que teria que mudar a lapela de lugar, porque tinha um coração batendo muito rápido. Era o meu, claro", conta, aos risos.
Ela também fala sobre sua preparação para a personagem: "Foi incrível, com a Nara Mendes, ela trabalha através da uma construção de memórias. Improvisamos muitos o passado das personagens, construímos a relação. Isso tudo com muito diálogo e proximidade com Fernando Coimbra, nosso diretor, que ama dirigir atores, o que sinto que faz toda a diferença, porque desde os teste a relação com ele me deu muito material para encontrar as nuances da Bianca".
Com uma trajetória construída pelo teatro e escrita, a artista diz como foi esse caminho profissional até 'Emergência Radioativa'. "Faço teatro desde criança, é de onde eu vim. Acho que isso dá um enorme pé no chão para a gente. Foi o teatro que me ensinou a escrita, porque eu queria aprender a fazer um teatro que eu acreditasse, então eu precisava escrever. Eu sempre tive essa necessidade de expressar, de inventar história e acredito na cena como algo expandido", relata.
Júlia destaca que a série marca um novo momento em sua carreira artística. "Está sendo muito gratificante, porque para fazer um trabalho no audiovisual muitos acasos precisam acontecer, a sorte precisa nos encontrar no momento certo. Além do que estou muito orgulhosa de estar nesse projeto que conta uma história do nosso país, com uma linguagem que eu acredito e uma equipe tão integrada. Fico feliz de sentir que eu estava preparada pra esse trabalho".
Autora
Na literatura, Júlia é autora de "O céu no meio da cara", finalista do Prêmio Jabuti. A obra ganhou adaptação para o teatro e agora caminha também para o cinema. "O prêmio foi uma surpresa enorme e muito feliz. A peça também é o máximo, porque muitas pessoas que amavam o livro assistiram e quem não tinha lido, foi ler depois da peça. É muito especial ver as personagens ganhando corpo e perigoso também, porque todo mundo é apegado ao que criou na própria imaginação. Agora vem o filme", vibra ela, que fala sobre os novos projetos. "Meu segundo livro vai sair pela Editora Fósforo; filmei a "Casa do Pai" e o curta Auditório com direção do Tadeu Bijos, da Cosmo Cine. E espero que em breve possa trazer mais boas notícias".
'Modo de viver'
Transitando entre teatro, literatura e agora televisão, a artista revela o que cada uma dessas linguagens lhe ensinou. "Nossa… tudo! Eu penso e converso sobre esses temas 24h por dia. É um modo de viver, a ficção me atormenta e me acalma, porque é um jeito de estar sozinha sem estar sozinha, como quando estamos lendo, por exemplo, que parece que estamos sendo acolhidas por pessoas que nem nos conhecem quando estamos no âmago da nossa solidão. Fora isso, uma linguagem ensina muito pra outra, escrevo atuando e atuo escrevendo, sempre. Até porque quando recebemos uma cena, de uma peça, uma série, etc, a gente precisa saber escrever o que não está ali".





