Rio - Após protagonizar a primeira fase de "Renascer" (2024) e engatar outro papel central em "Garota do Momento" (2025), Duda Santos, de 24 anos, assume o papel de Alika em "A Nobreza do Amor", novela das 18h da TV Globo. Na trama, ambientada entre a África e o interior do Rio Grande do Norte nos anos 1920, a atriz dá vida a uma princesa africana que se vê obrigada a fugir de seu reino e reconstruir a própria identidade no Brasil, enquanto enfrenta desafios políticos, pessoais e amorosos.
Na história, a personagem é cobiçada pelo vilão Jendal (Lázaro Ramos), Tonho (Ronald Sotto), com quem descobre o amor pela primeira vez, e Omar (Felipe Simas), aliado em sua fuga, além de lidar com a obsessão de Mirinho (Nicolas Prattes). Em entrevista ao MEIA HORA, a atriz fala sobre a personagem disputada, o significado do projeto e o impacto da história em sua trajetória.
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- Você nasceu na Vila Kosmos, na Zona Norte do Rio. O que significa, na sua trajetória, dar vida à uma princesa protagonista?
Acho que tem sido uma realização a cada dia. Essa é uma novela muito importante. É a primeira vez que a gente está podendo falar de uma África tão nobre, bonita, rica e fabulosa. Acho que o sonho é muito importante, porque eu sou uma menina construída de sonho. Só tinha sonho. E as coisas foram acontecendo. Hoje eu tenho parte do meu sonho comigo. Eu vivo meu sonho. O meu sonho era um dia ser princesa.
- A trama aborda racismo e também o poder da mulher preta. Como foi, para você, mergulhar nesses temas através da Alika?
É um trabalho de muita pesquisa. Foi um trabalho que tive que olhar para lugares que eu nunca tinha pensado que pudesse olhar. Estou muito grata de receber esse presente que é a Alika e essa realeza, e poder descobrir esses mundos dentro de mim. A gente tem uma dívida ancestral e também um lugar de nobreza dentro da gente, todos nós. Acho muito importante essa descoberta para mim. É uma novela que a gente estava sedento para assistir. Acho que a Duda criança está pulando de felicidade, como muitas outras. É uma história que está sendo contada porque muita gente veio para que a gente pudesse ter essa oportunidade hoje.
- Alika é uma mulher forte, que luta pelo seu reino e ocupa um lugar de poder. Como essa personagem tem impactado você?
É uma aula diária fazer a Alika. Eu nunca tinha me imaginado no lugar de poder e comandar um reino. É uma coisa que tem me marcado profundamente. É um trabalho que, em determinado momento é dolorido, e depois é lindo, porque é bonito descobrir de onde a gente veio e quais os nossos valores, para saber onde a gente quer ir. É uma personagem que tem me ensinado todo dia a descobrir a minha grandeza, a minha nobreza. É um trabalho coletivo, meus colegas e parceiros têm me ensinado muito a chegar nesse lugar.
- A caracterização da fase na África chama atenção pela força estética. Como foi se ver pronta pela primeira vez como Alika nesse contexto?
A primeira vez que eu vi foi quando eu entendi um pouco mais da Alika. O figurino ajuda muito nessa criação. Eu acho lindo o figurino quando ela está na África. Tem um pertencimento, a gente se sente: 'Olha, meu Deus, essa sou eu, eu mereço estar nesse lugar, eu mereço estar com essas roupas'.
- Sua personagem já se tornou referência para muitas meninas. Como você enxerga esse lugar de representatividade?
Acredito muito no espelho. Acho que o espelho é muito potente para construir uma sociedade mais honesta e igual, porque representatividade é se sentir possível. A gente só pode achar que é uma coisa quando vê ela acontecendo. Outro dia eu fui na rua e uma criança falou: 'Meu Deus, a princesa da novela'. E isso para mim já vale a pena. Acho que é essa a mensagem, é essa a nossa missão.
- Quando você era criança, existia alguma referência de princesa com quem se identificava?
Olha, não tinha, né? Não tinha princesa na minha infância. Acho que minha mãe fingia muito que era princesa e eu também. A gente tentava, mas era muito distante da gente. Por isso é tão representativo contar essa história. É uma história que mostra que a gente é digno de amor e sonho.
- Alika movimenta a história ao ter mais de um pretendente. Na sua opinião, com quem ela deveria ficar?
Me pergunto o que que ela tem que eu não tenho. Ela é disputa (risos). Eu aprendo com ela, ela é esperta. É uma personagem muito rica, uma mulher muito dona de si, e isso é o que mais me encanta. Ela é corajosa, aventureira, e eu acho que tem esse ‘mundo de homens’ para ela, mas o coração dela, o amor romântico, ela conhece com o Tonho. É a primeira vez que ela tem contato com esse tipo de amor. Eu acho importante que a gente fale do amor romântico também. Mulheres incríveis também têm sonhos básicos e a Alika tem sonhos que qualquer uma de nós tem.
- Você vem emendando protagonistas na TV. Como avalia esse momento da sua carreira?
Nossa, tenho sido muito feliz nesse aspecto. Tenho feito personagens que eu acredito muito, compartilhando elenco com pessoas que eu acredito muito, parceiros muito honestos e generosos. É uma carreira que eu me orgulho muito e fico feliz de estar nesse lugar. Fico agradecida por todo mundo que me ajudou a estar aqui.