Criado por Tatá Werneck ainda na faculdade, projeto pioneiro de teatro inclusivo completa mais de 20 anos e ainda enfrenta resistência para virar regra nas salas brasileiras Divulgação
Peça com Renato Borghi terá sessão totalmente acessível no Rio neste sábado
Criado por Tatá Werneck ainda na faculdade, projeto pioneiro de teatro inclusivo completa mais de 20 anos e ainda enfrenta resistência para virar regra nas salas brasileiras
O espetáculo 'Minha Estrela Dalva', estrelado por Renato Borghi e Soraya Ravenle, em cartaz no Teatro Claro Mais, em Copacabana, na Zona Sul, recebe neste sábado (19) uma sessão com acessibilidade completa: audiodescrição, Libras, legendas, abafadores de ouvido, óculos para fotossensibilidade e materiais táteis. A data marca o Dia Nacional do Teatro Acessível, cuja origem remonta à trajetória da atriz Tatá Werneck.
Em 2003, ainda estudante de Artes Cênicas na UniRio, Tatá fundou com colegas “Os Inclusos e os Sisos”, o primeiro grupo de teatro inclusivo do Brasil. A ideia partiu dela: criar um coletivo que falasse de inclusão e a praticasse, "tudo com humor e provocação", como lembra sua mãe, a ativista Claudia Werneck, à frente da Escola de Gente — Comunicação em Inclusão. A organização foi responsável pela campanha que resultou na lei que instituiu a data, em 2017.
O grupo, ainda ativo mais de duas décadas depois, foi pioneiro ao realizar, em 2007, o que a organização considera o primeiro espetáculo plenamente acessível do país, tendo sido premiado pela ONU, em Viena, em 2014.
Apesar do reconhecimento internacional e da legislação em vigor, a prática segue distante do padrão nas casas de espetáculo brasileiras. "A acessibilidade comunicacional ainda não é percebida como primordial, e sim como algo opcional", diz Claudia Werneck. Um erro recorrente, segundo ela, é tratar a Libras como uma solução isolada: como nem toda pessoa surda domina a língua, seria necessário oferecer também a legendagem em tempo real. "Sem acessibilidade a arte não vive. E ela deve ser oferecida em todo e qualquer espetáculo teatral", afirma.
A sessão deste sábado, às 20h, integra a V Mostra de Teatro Acessível e contará com uma fala de Claudia Werneck ao público antes da apresentação, contextualizando a data. Escrito e protagonizado por Renato Borghi, o espetáculo narra sua relação de afeto com a cantora Dalva de Oliveira, iniciada aos seis anos, quando ganhou da mãe um disco da trilha de “Branca de Neve”, no qual a cantora dava voz à personagem-título. No palco, Borghi divide a cena com Elcio Nogueira Seixas — que também assina a direção ao lado de Elias Andreato —, Soraya Ravenle, no papel de Dalva, e Ivan Vellame, que interpreta personagens marcantes da trajetória da cantora, entre eles o compositor Herivelto Martins.
Reportagem de Maria Fernanda Imbelloni sob supervisão de Renata Onaindia

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.