Edilson Capetinha Reprodução / TV Globo

Rio - A equipe que administra as redes sociais de Edilson Capetinha publicou, nesta terça-feira (3), uma carta aberta após as polêmicas envolvendo o ex-jogador no "BBB 26". O posicionamento ocorre um dia depois do Sincerão, quando Edilson chamou Leandro Boneco de “analfabeto” durante a dinâmica ao vivo, o que provocou forte reação do público.
Na manhã desta terça, o pentacampeão chegou a arrumar as malas e afirmou que apertaria o botão da desistência, mas, até o momento, isso não se concretizou.
A carta começa com um tom irônico e faz referência às apostas sobre a permanência de Edilson no reality. “Olá jogadores! Essa Adm que vos escreve gostaria de iniciar essa carta aberta dizendo que já nos sentimos vencedores. Os bolões e apostas eram de no máximo uma semana para que a gente tivesse que vir aqui com uma carta aberta ao público. Quebramos os bolões e chegamos aqui com 3 semanas”, diz o texto.
Na sequência, os administradores abordam diretamente a fala que gerou a polêmica. “Mas agora falando sério: como ADMs do Edilson, escolhemos nos posicionar com responsabilidade, clareza e verdade. Ontem, durante o ao vivo, Edilson utilizou a palavra ‘analfabeto’ ao se referir ao Leandro. Em seguida, deixou explícito que falava do jogo, da dinâmica, da falta de habilidade estratégica que o próprio Leandro já declarou diversas vezes ter. Ainda assim, entendemos que a palavra, isolada do contexto, ganhou outra proporção”.
A equipe afirma acreditar na explicação dada pelo ex-atleta dentro da casa. “Diante disso, deixamos claro: como ADM, escolhemos acreditar na justificativa dada por Edilson, porque conhecemos sua história, sua origem e seu caráter. Edilson jamais traria uma pauta com a intenção de desvalorizar alguém pelo nível de instrução, formação ou intelecto. Isso simplesmente não faz sentido, especialmente porque todos dentro da casa conhecem a formação, a trajetória e a vivência do próprio Leandro. O que existe ali é um embate de jogo”.
O texto também trata da relação entre os dois participantes e da decisão de não interferir. “Edilson e Leandro estão em lados opostos dentro da dinâmica do programa. O que poderia ter sido uma amizade, inclusive por serem do mesmo lugar, não aconteceu. E isso, desde o início, nós, como ADMs, optamos por não interferir, não antecipar julgamentos e não ‘inflar’ situações, porque o jogo está apenas começando e ainda existem oportunidades de diálogo, ajustes e reconciliações, como já aconteceu em outros embates, inclusive no caso do Edilson com a Sol”.
A ausência de um pedido público de desculpas imediato também foi explicada. “Por isso, até o momento, não havíamos feito nenhuma retratação pública ou pedido de desculpas em nome dele. O motivo é simples: nós sabíamos que esse pedido viria dele. Conhecemos o coração do Edilson e tínhamos a certeza de que, assim que ele refletisse, a atitude partiria do próprio, olho no olho. Não cabia a nós atropelar a consciência dele. O que houve foi uma fala de jogo, dura, sim, mas não desumana, não elitista e não discriminatória”.
Na carta, os administradores relembram a trajetória pessoal do ex-jogador. “Edilson saiu de casa aos 13 anos. Assim como Leandro e milhões de brasileiros, fez o melhor que podia com aquilo que Deus lhe deu: talento, disciplina, esforço e trabalho. Hoje, ele é acusado de ser ‘menos merecedor’ da própria história porque, com sua capacidade intelectual, seu talento e sua dedicação, construiu um patrimônio milionário, muito maior, inclusive, do que o prêmio do BBB. E, ironicamente, passou a ser atacado de forma ainda mais cruel quando perdeu esse patrimônio. Poucos querem falar sobre isso”.
O texto também rebate rumores sobre vícios e perdas financeiras. “É mais fácil criar narrativas sobre vícios que nunca existiram. Edilson nunca bebeu uma gota de álcool. O que ele perdeu veio de ações trabalhistas, má administração, maus investimentos e de uma vida inteira focada em trabalhar, sem tempo ou suporte para gerir outros negócios. Isso não faz dele um coitado. Faz dele um homem em reconstrução”.
As dívidas de pensão alimentícia voltaram ao centro do debate e também foram esclarecidas. “Não conseguimos entender em que momento Edilson passou a valer menos como ser humano por ter perdido dinheiro. Ou por responder por uma dívida de pensão que vem sendo distorcida de forma cruel. E aqui fazemos questão de esclarecer: Edilson não deve 2 milhões de pensão para ‘os filhos’. Ele tem quatro filhos. Essa dívida se refere a um único filho, prestes a atingir a maioridade”.
A equipe detalha ainda o valor estipulado judicialmente. “É triste dever pensão? Sim. Mas também é sufocante viver com uma sentença de 10 salários mínimos mensais para um único filho — um valor estipulado em tempos de ‘vacas gordas’, mas que se tornou humanamente impossível de pagar integralmente após a perda total de patrimônio e emprego em 2018”.
A prisão do ex-jogador também foi mencionada no posicionamento. “Desde que foi preso, ele cumpre todas as obrigações e acordos dentro da sua nova realidade, mas segue sendo tratado como criminoso pelo tribunal da internet por conta de valores do passado. Nós, como ADMs, não compactuamos com falas erradas, especialmente quando retiradas de contexto viram gatilho para outras pessoas. Acreditamos, sim, que Edilson pode e deve rever certas expressões, porque o mundo mudou e algumas palavras já não cabem mais, mesmo quando usadas de forma corriqueira. Mas acreditamos muito mais no caráter, na honestidade, na bondade e na capacidade diária de evolução que ele demonstra”.
Sobre a rivalidade no jogo, a equipe reforça que não há sentimento de superioridade. “Edilson não se acha superior ao Leandro. Ele mesmo disse isso dentro do programa. Estão ali em igualdade, disputando o mesmo prêmio. A diferença é que, mesmo com histórias de vida muito parecidas, o público tem usado dois pesos e duas medidas. Edilson não é menos pai, menos homem, menos honrado porque passou por um momento de dificuldade financeira. Ele também é pai de duas meninas. E, ainda assim, nunca usou sua vida pessoal como argumento de merecimento dentro do jogo. Para ele, aquilo é um jogo. Um programa de entretenimento, exibido após as 22h, para maiores de idade, onde falas duras, desproporcionais e controversas acontecem todos os dias. Não cabe, a todo momento, transformar cada conflito em pauta moral absoluta”.
Os comentários fechados nas redes sociais também foram justificados. “Sobre os comentários fechados: é verdade. Não estamos preparados, e nem obrigados, a lidar com o volume de injúrias raciais, morais e desumanas que nosso jogador, amigo e parceiro tem recebido. Preparamos conteúdos leves, divertidos, criativos. Estávamos prontos para lidar com o ‘jogador planta’, o observador, o resmungão, o emburrado e até com o ‘arquibancada’. Porque conhecemos a essência do Edilson: um homem que viveu a vida inteira em grupo, em vestiário, que não compra briga que não é sua, que demora a entrar no jogo, mas que ativa o modo Capetinha e entrar pra decidir quando precisa”.
A carta termina com uma mensagem de apoio, independentemente da decisão do brother no reality. “Edilson, como ele mesmo sempre brinca, não deitou pra Romário, a empresários, a adversários. Sempre enfrentou desafios com sorriso no rosto e entrega total em campo. Se Edilson decidir apertar ou não o botão de desistência, estaremos aqui. Firmes. Orgulhosos. Porque, independentemente do BBB, ele tem uma história real, uma vida inteira construída com coragem e uma carreira linda aqui fora (e nem é meme)”.