Por raphael.perucci
Rio - A Em Cima da Hora, que vai abrir o desfile da Série A em 2014, divulgou esta semana a sinopse do seu enredo. O tema será uma reedição do clássico "Os Sertões", apresentado originalmente em 1976.
Confira a sinopse
Logotipo do enredo da Em Cima da HoraDivulgação

Assim é o meu lugar,

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Bem longe se ouve o canto do cardeal,
Solitário canto que anuncia a barra do dia.
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Desperta o sertão, marcado pela própria natureza,
Antônio é seu nome, seu caminho é longo, chão e poeira.
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“Conselheiro” em suas andanças, o sol alumia as visões,
A terra é seca e o cultivo é difícil, morrem as plantas, foge ar.
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Vejo o povo, sertanejo lutador, homem forte e de valor,
No destino, triste sina de morte e vida, a verdade severina.
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Sua simplicidade trança sonhos, borda arte pela arte,
Faz rima bonita, e de repente a realidade é cultura.
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Quando tira um versado, musicado e arretado que só,
É pra cantar as coisas boas que esse chão tem.
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A fé é o esteio que sustenta os corações firmes,
É de Nossa Senhora, Cícero Romão e São João,
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Que vale o corpo e a alma no momento de aflição.
Quis o Bom Jesus guiar os passos do “Conselheiro” e assim legar uma missão,
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Era preciso livrar os homens do reino do “anticristo” que se erguia nesse país.
Após muito peregrinar, eis a terra liberta dos males da sociedade,
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Que do alto dos seus montes avistava-se milagres acontecerem.
As leis eram de Deus, a terra dos homens, a prosperidade era de todos,
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Eis o “Belo Monte”, arraial. A resistência contra os pecados do mundo, “Canudos”.
Porém, quis a crueldade e a ganancia transformar a realidade,
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Foi-se o sossego, a paz e a tranquilidade,
Veio o medo, a agonia e o desespero.
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Foras da lei, homens da lei, chora de tristeza o sertão,
Choravam homens, mulheres, velhos e crianças,
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Os sonhos viraram poeira, a poeira o vento levou, as marcas ficaram,
Restaram ruínas, quem sobreviveu contou o que viu.
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As páginas são reais, as palavras se tornaram imortais,
E os mesmos sertões que agonizaram momentos de tristeza,
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Renascem na glória de um novo carnaval.
Em azul e branco, apoteose de toda raça e valentia,
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Pois os jagunços lutaram até o final,
Defendendo Canudos, naquela guerra fatal.