Por thiago.antunes

Rio - O fim de semana é para quem tem muito fôlego e disposição. Desfilam 103 blocos no Rio — 54 no sábado e 49 no domingo —, sendo sete voltados para o público infantil. No sábado, às 9h, tem bloco do Príncipe, na Barra; às 10h, é a vez do Bloco da Pracinha, no Jardim Botânico, Sá Pereira Infantil, em Botafogo, e Minibloco, na Tijuca; e às 15h, sai o Bloco da Mamadeira, em Botafogo.

Domingo, às 10h, em Laranjeiras, é dia de Gigantes da Lira, o primeiro bloco de crianças da cidade, e às 11h tem Fanfinha – Fanfarani Infantil, em Botafogo. E para a segurança dos pequenos foliões, a Unimed-Rio vai distribuir, nos próximos fins de semana, 10 mil pulseiras de identificação, em locais de grande concentração.

Dois em um

A transformação vai acontecer no palco. No sábado, às 15h, o Bloco Brasil faz baile na Pedra do Leme e recebe, em homenagem, o Pra Iáiá, inspirado no trabalho do grupo musical Los Hermanos. Pedro Buarque, cantor das duas agremiações, vai incorporar personagens diferentes para caracterizar qual bloco está na vez.

Pedro Buarque vai incorporar vários personagensDivulgação

Quando for o Pra Iáiá, ele aparece de arlequim. Quando for o Bloco Brasil, que toca clássicos da MPB em ritmo de Carnaval, ele será o malandro Vadinho, um dos maridos de Dona Flor, do clássico de Jorge Amado.

Tem literatura no samba

A Estação das Letras, reduto literário do Rio, resolveu entrar na folia. O Estação Primeira das Letras reúne na quarta, às 18h, na Praça São Salvador, em Laranjeiras, foliões fantasiados de personagens e títulos de livros. O bloco espera doações de livros para repassar às bibliotecas e escolas públicas.

Nas águas da Guanabara

No último domingo, um grupo de velejadores cariocas saiu em um protesto pela Baía de Guanabara, inspirados no enredo ‘Que Merda É Essa Nas Águas da Guanabara’, do bloco de Ipanema, que empresta nome ao tema. Conhecido pela sátira à política nacional, o Que Merda É Essa desfila no domingo de Carnaval, às 14h. Mas a festa começa mesmo com o Que Caquinha É Essa, que vai reunir os pequenos foliões.

Pura cor

O Suvaco do Cristo desce a ladeira da Rua Faro, no Jardim Botânico, domingo pela manhã, com suas 20 baianas, e Cynthia Howlett, porta-bandeira há 15 anos, que vem vestida com uma “releitura mexicana do enredo Como o Suvaco no hay!”, segundo João Avelleira, presidente do bloco. Uma ode à diversidade, o Suvaco convoca os foliões a vestirem muitas cores em uma babel de referências mundiais, como o festival indiano de Holi e as cores da pintura mexicana de Frida Kalo.

Suvaco de Cristo vai desfilar em várias coresPublius Vergilius / Ginga Fotos

Alô, burguesia de Ipanema

O Simpatia É Quase Amor comemora em grande estilo seus 30 anos no desfile de sábado. A fundação do bloco, em 1984, contou com Albino Pinheiro e Dona Zica como padrinhos, e Aldir Blanc como patrono, e será lembrada com a presença de baluartes no desfile. Uma Kombi amarela e lilás, as cores do bloco, vai trazer elementos contando a história do Simpatia, como os enredos Verão da Lata, em 1987 —quando 15 mil latas de maconha foram jogadas no mar do Rio de Janeiro —, Piano Pro Infinito, de 1997 — uma homenagem a Tom Jobim —, e Festa a Iemanjá, de 2013.

O Simpatia É Quase Amor comemora em grande estilo seus 30 anos no desfile de sábadoPublius Vergilius / Ginga Fotos

Confetes

Fogo e Paixão vai atirar calcinhas ao público no desfile de domingo, no Centro, em uma referência ao cantor de música romântica Wando, que ganhava as peças femininas das fãs em seus shows.

Pinto Sarado, bloco do Morro do Pinto, concentra na Travessa Sara, no Santo Cristo, com saída sábado, às 17h. ‘Me beija na boca, é bom demais, me faz um chamego, eu quero é mais, se é casado ou solteiro, homem ou mulher, aqui no Pinto só não brinca quem não quer’, canta o samba deste ano.

AfroReggae vem esse ano com seus 300 ritmistas vestidos no clima da Copa do Mundo e vai desfilar pela primeira vez na Avenida Rio Branco neste sábado. O bloco vai ter Valesca Popozuda para mandar seu beijinho no ombro para a tristeza, que não combina com Carnaval.

Por falar na Popozuda, a cantora de funk endossa a campanha ‘Beijinho no ombro, camisinha no bolso’, que vai ser lançada na próxima semana pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual.

Os bailes voltaram com força total ao Carnaval carioca. Amanhã é dia do Baile da Sebastiana, no Monte Líbano, que há sete anos resgata o espírito dos antigos bailes, ao som de orquestras e público fantasiado. Cordão da Bola Preta, Empolga às 9 e Virtual comandam o salão.

A colunista é Rita Fernandes

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