Um choque de gestão para garantir a vitória da Portela na Sapucaí

Novo modelo organizacional é estratégia para quebrar jejum de 31 anos sem levar título na Avenida

Por nicolas.satriano

Rio - Depois de arrumar a casa no ano passado, quando a nova administração liderada por Sérgio Procópio ganhou a eleição na Portela, foi a vez de a escola detentora do maior número de títulos do Grupo Especial, com 21 campeonatos, montar um time de primeira para garantir uma melhor gestão do Carnaval. No comando operacional da agremiação, cuidando de todos os detalhes do desfile, está o vice-presidente Marcos Falcon. Nas panelas, para fazer a tradicional feijoada que arrasta milhares de fãs todo mês à quadra em Madureira, está Tia Surica. O departamento cultural pertence a Procópio, já a missão de compor grandes sambas-enredo, como o deste ano, cabe a Noca da Portela.

“A grande sacada da Portela foi criar esse grupo, em que cada um ocupa um cargo naquilo que melhor sabe fazer”, contou o vice e supervisor de Carnaval Falcon. Para o time de portelenses, a nova organização da escola pode ser um dos principais quesitos para quebrar o jejum de 31 anos sem conquistar o primeiro lugar. “Agora a Portela é transparente. Temos muito trabalho, mas é um orgulho ver que o torcedor está com a autoestima lá em cima e é com essa garra que todos vão para a Avenida disputar o campeonato”, declarou Tia Surica.

Procópio%2C Noca%2C Tia Surica e Falcon%3A time ‘fiscaliza’ diversos setores da escola para ter desfile impecávelDivulgação

Rainha de bateria desde 2013, Patrícia Nery acompanhou de perto o período turbulento que a agremiação passou naquele ano, quando chegou ao sétimo lugar. “A Portela vinha de uma gestão que há anos não chegava nas campeãs, e conseguimos estar em terceiro lugar ano passado. Não queremos olhar mais para trás. O resgate do orgulho portelense é o que mais importa para nós agora”, afirmou Patrícia.

Prova de que o portelense está confiante é a presença do público na quadra da escola no período pré-Carnaval. Na última edição da feijoada, no mês passado, com a presença da cantora Maria Rita, o espaço teve recorde de público: 10 mil pessoas. “Tentamos fazer o melhor para a Portela. Os torcedores estavam muito afastados, mas agora podem andar de cabeça erguida”, comemorou Procópio.

Para o desfile deste ano, a Azul e Branca de Madureira vai levar para a Sapucaí a maior águia de todos os tempos, com 20 metros de extensão, seis a mais do que a largura do Sambódromo. A tecnologia usada no símbolo da escola será a mesma do carro O Gigante Acordou, do ano passado, com um boneco articulado de 18 metros de altura. Mesmo com toda a tecnologia, os dirigentes da Portela não querem cantar vitória antes do tempo. “Falam do favoritismo, mas isso vem de fora, porque dentro da escola é só trabalho e pés no chão. O portelense sabe das possibilidades e está preparado para lutar pelo título”, garantiu Sérgio Procópio.

Noca ingressa hoje na Velha Guarda da Azul e Branca

Depois de servir à Portela por 48 anos, o compositor Noca entrará amanhã para o seleto grupo da Velha Guarda. Colecionador de sambas, como o deste ano sobre o enredo ‘Imagina Rio, 450 janeiros de uma cidade surreal’, Noca receberá o ‘fardão’da ala com direito a uma feijoada na quadra.

“Estou virando imortal”, brincou o sambista. A última edição da feijoada portelense antes do Carnaval terá ainda a presença de Teresa Cristina, do cantor Jorginho do Império e de Leonardo Bessa, intérprete do Salgueiro.

“Nós andávamos de cabeça baixa, envergonhados com o papel que a Portela fazia. Tem gente que nasceu, cresceu e morreu sem ver a Portela ganhar. Desta vez estamos preparados. A escola tá linda e o samba é muito forte”, acrescentou Noca.

A vontade de conquistar o título é tanta, que o próprio portelense ainda não sabe como vai comemorar, se conseguir chegar ao primeiro lugar.

“Numa reunião com Monarco (presidente de honra), Procópio, Surica e outros portelesenes perguntei: já pensou se a Portela for campeã? E ninguém conseguiu responder nada, a emoção tomou conta”, declarou Falcon, emocionado. “A nova geração precisa ver a Portela campeã. Não podemos só viver das glórias do passado, tem que ter o presente e o futuro”, completou.

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