UPM tenta conquistar outra vez seu espaço na elite do Carnaval, após rebaixamento em 2025S1 Fotografia / Unidos de Padre Miguel

Rio - As escolas de samba da Série Ouro chegam à Marquês de Sapucaí, nesta sexta-feira (13), para o início dos desfiles do Carnaval de 2026. A partir das 21h, sete agremiações vão passar pela Avenida na luta por uma vaga no Grupo Especial. Unidos do Jacarezinho, Inocentes de Belford Roxo, União do Parque Acari, Unidos de Bangu, Unidos de Padre Miguel, União da Ilha do Governador e Acadêmicos de Vigário Geral abrem a primeira noite.
De acordo com o regulamento da Liga RJ, entidade responsável pela Série Ouro, o tempo de desfile para cada escola é de, no mínimo, 45 minutos e, no máximo, 55 minutos. A campeã sobe para o Especial, enquanto as duas últimas colocadas irão para a Série Prata.
Unidos do Jacarezinho
Ficha técnica
Enredo: O ar que se respira agora inspira novos tempos
Presidente: 
Mattheus Gonçalves
Carnavalesco: 
Bruno Oliveira
Intérpretes: 
Ailton Santos e Thiago Acacio
Mestre de bateria: 
Pelezinho
Rainha de Bateria: Karen Lopes
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: 
Maycon Ferreira e Lorenna Brito
Comissão de Frente: 
Akia Almeida
Campeã da Série Prata em 2025, a Unidos do Jacarezinho volta a Sapucaí com a missão de olhar para dentro e exaltar a própria comunidade. O enredo "O ar que se respira agora inspira novos tempos" exalta um dos seus mais célebres "crias", o compositor, cantor, ator e multinstrumentista Xande de Pilares, dono de sucessos como "Tá Escrito" e "Clareou". A Rosa e Branco vai levar ao Sambódromo uma viagem pelos lugares que fizeram parte da vida do artista, como o Morro do Turano, Andaraí, São Gonçalo, Pilares e o próprio Jacarezinho.
"Reconhecendo Xande como um dos maiores nomes de sua geração, iremos homenageá-lo através da sua trajetória e do seu encanto pelo samba, pelo Carnaval e pela cultura do povo. Sua história como artista está intrinsecamente ligada à comunidade. O primeiro samba-enredo que Xande ganha em sua trajetória é justamente na Unidos do Jacarezinho, em 1999, mostrando mais uma vez essa grande ligação. Será um desfile aguerrido, em que a comunidade demonstrará através da sua energia e do seu canto, toda a reverência à esse solo sagrado da Sapucaí e também o seu empenho em homenagear o Xande", afirma o carnavalesco Bruno Oliveira. 
O desfile terá, ainda, um fator a mais: a superação, já que a escola enfrentou dois incêndios no pré-Carnaval. Em outubro de 2025, o fogo destruiu adereços e outros materiais no barracão. Já no início deste mês, a agremiação perdeu fantasias de 12 alas, queimadas em num incêndio que consumiu o ateliê, na quadra. 
Inocentes de Belford Roxo
Ficha técnica
Enredo: Um sonho de um tal Pagode Russo nos frevos do meu Pernambuco
Presidente: 
Icaro Ribeiro
Carnavalesco: 
Edson Pereira
Intérprete: 
Ito Melodia
Mestre de bateria: 
Washington Paz
Rainha de Bateria: Carolane Silva
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: 
Thainá Teixeira e Vinicius Jesus
Comissão de Frente: 
Sérgio Lobato e Patricia Salgado
Segunda a entrar na Avenida, a Inocentes de Belford de Roxo vai apresentar uma exaltação à cultura pernambucana. Com o enredo "Um sonho de um tal Pagode Russo nos frevos do meu Pernambuco", a agremiação da Baixada se inspira na lenda que afirma que os passos de frevo foram inspirados em uma dança típica russa, destacando aspectos culturais, econômicos e turísticos do Recife, com o colorido do Nordeste.
"O enredo mostra a cultura de Pernambuco, optando por dar voz ao universo fantasioso que propõe a Rússia em Pernambuco, buscando nas barbas ruivas da Troça do Cariri Olindense e dos badulaques enfeitados do Galo da Madrugada, os traços e semelhanças, contradizendo o que é fato sobre a influência das polcas, das danças ciganas e dos grupos de balé russo que circularam a cidade nos anos de 1950, abraçando a ideia de que os passos do frevo, no sonho trazido por Luiz Gonzaga em sua música, são a alusão que se apresenta nas linhas do horizonte de nossa gente", explica o carnavalesco Edson Pereira.
União do Parque Acari
Ficha técnica
Enredo: Brasiliana
Presidente: 
Carlos Eduardo Farias (Dudu)
Carnavalesco: 
Guilherme Estevão
Intérpretes: 
Leozinho Nunes e Tainara Martins
Mestres de bateria: Daniel Silva e Erik Castro
Rainha de Bateria: Luciana Picorelli
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: 
Renan Oliveira e Amanda Poble
Comissão de Frente: 
Fábio Batista
A União do Parque Acari vai usar a Passarela do Samba para celebrar o histórico grupo de teatro Brasiliana, criado em 1949, que valorizou a cultura afro-brasileira no palco, levando música, dança e folclore para mais de 50 países e revelou grandes artistas negros. O enredo conversa com a identidade da agremiação, que busca temas que exaltem a brasilidade e musicalidade. Para isso, Guilherme Estevão garante um desfile com diversidade estética, uma escola maior em componentes e no tamanho das alegorias, além de uma homenagem na comissão de frente ao ator e escritor Haroldo Costa, criador do grupo, que morreu em dezembro de 2025.
"O enredo surge a partir de uma pesquisa sobre o Teatro Negro de maneira ampla. Entendendo o Brasiliana como uma passagem e companhia fundamental desse movimento, intensificaram-se as pesquisas sobre o grupo e a necessidade de ter um enredo apenas sobre ele. Apresentaremos sua construção, fases, abordagens culturais ao longo de sua história e os inúmeros integrantes da companhia. A ideia é trazer um pouco da estética cenográfica e de figurinos da companhia ao longo dos momentos em que foi Grupo dos Novos, Teatro Folclórico Brasileiro e Brasiliana. Uma pluridade de referências culturais populares brasileiras", completa o carnavaesco. 
Unidos de Bangu
Ficha técnica
Enredo: As coisas que mamãe me ensinou
Presidente: 
Leandro Augusto
Carnavalescos:
 Lino Sales, Alexandre Costa e Marcus du Val
Intérpretes: 
Fredy Vianna e Pipa Brasey
Mestre de bateria: 
Dinho
Rainha de Bateria: Camila Prins
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: 
Leonardo Moreira e Bárbara Moura
Comissão de Frente: 
Fabio Costa
Com o enredo "As coisas que mamãe me ensinou", a Unidos de Bangu vai recontar a vida da cantora e compositora Leci Brandão. O desfile exaltará a trajetória da artista, conhecida pelo ativismo social e pela atuação em defesa das minorias como deputada estadual por São Paulo. A Bangu também irá revisitar a ancestralidade, a influência da família em sua formação e a construção da identidade como mulher negra, akém de lembrar hits da carreira, como "Zé do Caroço" e "Barco à vela".
Em uma publicação nas redes sociais, Leci agradeceu a homenagem: "Axé, Bangu! Quero agradecer ao presidente, ao diretor de Carnaval, à ala das baianas, minhas queridas senhoras baianas, à harmonia, à bateria, toda a comunidade da Unidos de Bangu. Estou com muita expectativa para esse desfile. Se Deus quiser, Ogum e Iansã vão fazer com que a Bangu tenha um resultado magnífico nesse Carnaval."
Unidos de Padre Miguel
Ficha técnica
Enredo: Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema
Presidente: Lara Mara
Carnavalesco: Lucas Milato
Intérprete: 
Bruno Ribas
Mestre de bateria: 
Laion
Rainha de Bateria: Andressa Marinho
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: 
Marcinho Siqueira e Cristiane Caldas
Comissão de Frente: 
Paulo Pinna
A Unidos de Padre Miguel, que retornou à Série Ouro após ser rebaixada do Grupo Especial em 2025, vai tentar conquistar outra vez seu espaço na elite com o enredo "Kunhã-Eté: O Sopro Sagrado da Jurema". O Boi Vermelho e Branco da Zona Oeste apresenta a história da indígena potiguara Clara Camarão, peça-chave na expulsão dos invasores holandeses no Recife, no século XVII, liderando um exército feminino, mas que teve registros históricos apagados. O carnavalesco explica que o desfile da escola da Vila Vintém será um manifesto contra o apagamento e vai preencher lacunas com fatos e a espiritualidade da Jurema Sagrada. Lucas Milato ainda destaca que o tema se entrelaça com a identidade da agremiação, comandada por muitas mulheres. 
"A UPM é uma escola sustentada por pilares femininos. Temos a Lara Mara como nossa presidenta e mulheres ocupando posições de liderança em diversos segmentos. Falar de Clara Camarão é falar da nossa própria essência: uma escola que luta diariamente para valorizar o protagonismo feminino e que entende que o Carnaval também é espaço de crítica e reflexão. Trazer esse tema é uma urgência social e uma homenagem às mulheres que fazem a nossa engrenagem girar", diz Lucas. Para o desfile deste ano, a UPM promete manter um padrão de grandiosa que virou marca registrada.
"O público pode esperar uma UPM imponente e extremamente correta plasticamente. Podem esperar uma estética que mistura o rigor histórico das batalhas coloniais com o misticismo profundo da Jurema Sagrada. Um dos pontos altos será a forma como vamos retratar o exército feminino de Clara: não apenas como guerreiras de combate, mas como detentoras de um saber ancestral. Teremos um efeito visual em uma de nossas alegorias que fará a "floresta de Jurema" ganhar vida, simbolizando que, mesmo onde tentaram apagar a história de uma mulher, a natureza e a espiritualidade a mantêm viva", completa o artista.
União da Ilha
Ficha técnica
Enredo: Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois
Presidente: 
Ney Filardi
Carnavalesco: 
Marcus Ferreira
Intérprete: 
Tem Tem Jr.
Mestre de bateria: 
Marcelo Santos
Rainha de Bateria: Gracyanne Barbosa
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: 
João Oliveira e Duda Martins
Comissão de Frente: 
Junior Scapin
Penúltima a desfilar, a União da Ilha do Governador quer levar a galáxia para a Sapucaí. O enredo "Viva o hoje! O amanhã? Fica pra depois" propõe uma viagem cósmica embalada pelo Cometa Halley, visível a olho nu da Terra a cada 75-76 anos, com sua última passagem em 1986 e a próximo prevista para 2061. A tricolor insulana usa o cometa como metáfora para lembrar que a vida é rara, passageira e deve ser vivida agora, com leveza, brilho e irreverência. O título lembra, ainda, os antológicos sambas de 1977 ("O Amanhã") e de 1982 ("É hoje"). 
"Em determinados pontos em algumas alas, a gente mostra que a ciência tenta entender esse universo que a gente não conhece. Então, vêm alquimistas misturados um pouco com a religiosidade, a fé. Quando o 'bicho pega', eu acho que a gente se apega a fé. A Ilha vem um pouquinho barroca, um pouquinho religiosa, um pouquinho futurista. Acho que essa mistura vai dar um tom legal para a plástica (...) O cometa é o nosso homenageado, é parte de nós. Cientificamente, a gente faz parte do universo enquanto molécula. Então, ele já abre o desfile e encerra de maneira muito apoteótica, muito feliz, muito alegre, como a Ilha gosta", detalha Marcus Ferreira. 
Ainda segundo o carnavalesco, a agremiação aposta na inovação das baianas, sem deixar de lado a tradição da ala, para impressionar o público e jurados. Marcus Ferreira conta também que o desfile homenageará Maria Augusta Rodrigues, carnavalesca fundamental na história da escola, que morreu em julho de 2025: "O final, que é bem impactante, traz uma homenagem muito grande à espiritualidade que a Maria Augusta me ensinou em vida, enquanto amiga, enquanto protetora que era, enquanto a maior artista que passou pela Ilha."
Acadêmicos de Vigário Geral 
Ficha técnica
Enredo: Brasil Incógnico: O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa
Presidente: 
Elizabeth da Cunha (Betinha)
Carnavalescos: 
Alex Carvalho e Caio Cidrini
Intérprete: 
Danilo Cezar
Mestre de bateria: 
Luygui
Rainha de Bateria: Patrícia Souza
Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira:
 Johny Matos e Isabella Moura
Comissão de Frente: 
Marlon Cruz e Handerson Big 
Fechando a primeira noite da Série Ouro, a Acadêmicos de Vigário Geral remonta os relatos mitológicos e fantasiosos dos primeiros europeus que chegaram ao Brasil e imaginaram uma terra de criaturas monstruosas e seres míticos. O enredo "Brasil Incógnico: O que os seus olhos não veem, a minha imaginação reinventa" ressignifica essas figuras e as transforma em heróis símbolos de identidade, resistência e diversidade. O desfile aposta em um olhar antropofágico sobre a cultura brasileira, valorizando o que antes foi tratado como estranho.
"O português criou monstros, seres estranhos, híbridos e cidades perdidas para justificar sua ambição. Na nossa proposta, viajamos pelos mesmos locais que esse português, passando pelos biomas marítimo, o da floresta e o do sertão profundo árido. Só que no nosso desfile esses monstros e criaturas imaginárias são nossos heróis, são o que fazem do Brasil ser o que é. Dessa forma a gente prepara um desfile colorido e com a mensagem que somos filhos da antropofagia, da diferença e das culturas mescladas", diz o carnavalesco Alex Carvalho, que assina o desfile ao lado de Caio Cidrini. 
Sábado de gigantes
No sábado (14), outras oito escolas passam pelo Sambódromo no segundo e último dia de desfiles da Série Ouro. A Avenida receberá Botafogo Samba Clube, Em Cima da Hora, Arranco do Engenho de Dentro, Império Serrano, Estácio de Sá, União de Maricá, Unidos do Porto da Pedra e Unidos da Ponte. 
 
* Colaborou Raphael Perucci