Rio - Oito escolas da Série Ouro vão se apresentar neste sábado (14), a partir das 21h, na Sapucaí. São elas: Botafogo Samba Clube, Em Cima da Hora, Arranco do Engenho de Dentro, Império Serrano, Estácio de Sá, União de Maricá, Unidos do Porto da Pedra e Unidos da Ponte. Assim como as sete agremiações da primeira noite, todas vão lutar por uma vaga no Grupo Especial em 2027.
De acordo com o regulamento da Liga RJ, entidade responsável pela Série Ouro, o tempo de desfile para cada escola é de, no mínimo, 45 minutos e, no máximo, 55 minutos.
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Botafogo Samba Clube
Ficha técnica
Enredo: O Brasil que floresce em arte Presidente: Sandro Lima Carnavalescos: Raphael Torres e Alexandre Rangel Intérprete: Nêgo Mestre de bateria: Bruno Marfim Rainha de Bateria: Wenny Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Diego Moreira e Beatriz Paula Comissão de Frente: João Pedro Santos
Abrindo a segunda e última noite da Série Ouro, a Botafogo Samba Clube vai prestar uma homenagem ao legado de Roberto Burle Marx, mestre do paisagismo e das artes visuais. Os carnavalescos Raphael Torres e Alexandre Rangel destacam que a agremiação passará pela Avenida exaltando o legado e o compromisso do artista com a proteção do meio ambiente.
"Nosso enredo será uma grande homenagem a Burle Marx. O desfile mostrará suas expedições pelos biomas do país, suas criações abstratas e seu compromisso com a preservação da natureza. Podem aguardar uma Botafogo Samba Clube muito colorida e irreverente na Avenida", garante Raphael Torres.
Em Cima da Hora
Ficha técnica
Enredo: Salve Todas as Marias - Laroyê, Pombagiras Presidente: Heitor Fernandes Carnavalesco: Rodrigo Almeida Intérprete: Igor Pitta Mestre de bateria: Léo Capoeira Bateria: Sintonia de Cavalcanti Rainha de Bateria: Maryanne Hipólito Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Marlon Flôres e Winnie Lopes Comissão de Frente: Marcio Moura
Segunda da noite, a Em Cima da Hora vai passar pela Sapucaí apresentando a figura mística e poderosa das pombagiras, que com coragem, transformação e ousadia quebraram estigmas e preconceitos ao longo dos séculos. O enredo "Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!" promete fazer uma reverência ao espírito de resistência, à conexão com as ruas e encruzas e à beleza e o mistério da entidade, que é símbolo de liberdade, força e espiritualidade.
"Nossa escola entra na Avenida para mostrar a vida e a história dessas entidades tão vilipendiadas, tão maltratadas e que sofrem tanta intolerância. As pombajiras, mulheres que governaram, que lutaram, que amaram, que viveram, que foram ricas, poderosas, e o ser humano não consegue aceitar, porque o único pecado delas foi nascer mulher. A Em Cima da Hora quer dar olhar, voz, lugar à elas. Venham participar com a gente dessa grande gira. Salve todas as Marias. Salve Maria Padilha, Maria Navalha, Maria Kitéria. Salve todas as Marias Mulambo", afirma o carnavalesco Rodrigo Almeida.
Arranco do Engenho de Dentro
Ficha técnica
Enredo: A Gargalhada é o Xamego da Vida Presidente: Diná Costa Carnavalesca: Annik Salmon Intérpretes: Pâmela Falcão e Rodrigo Tinoco Mestre de bateria: Laísa Rainha de Bateria: Giselle Farias Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Diego Falcão e Denadir Garcia Comissão de Frente: Lipe Rodrigues e Márcio Dellawegah
O Arranco do Engenho de Dentro, única agremiação com uma carnavalesca mulher, garante uma apresentação leve, colorida e divertida, sobre a história de Maria Eliza Alves dos Reis. O enredo "A Gargalhada é o Xamego da Vida!" contará a vida da mulher por trás do palhaço Xamego, que em uma época em que mulheres não podiam ser palhaças, desafiou o racismo e o machismo e brilhou no picadeiro do Circo Teatro Guarany, arrancando risos sem nunca revelar sua identidade.
"O enredo vai contar, como diz o nosso samba, 'uma história de garra e de coragem'. Vai ser uma grande celebração à gargalhada, transformando a Sapucaí em um circo de ilusão com muita cor, alegria, leveza e emoção. Vamos celebrar essa grande mulher e a história de força dela que enfrentou o preconceito de seu tempo para viver a arte da palhaçaria e encantar o público", destaca a carnavalesca Annik Salmon.
Império Serrano
Ficha técnica
Enredo: Ponciá Evaristo Flor do Mulungu Presidente: Flávio França Carnavalesco: Renato Esteves Intérprete: Vitor Cunha Mestre de bateria: Felipe Santos Rainha de Bateria: Quitéria Chagas Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Matheus Machado e Maura Luiza Comissão de Frente: Marlon Cruz
A noite continua com o Império Serrano celebrando um dos maiores nomes da literatura brasileira, Conceição Evaristo. O enredo "Ponciá Evaristo Flor do Mulungu" vai levar ao Sambódromo as "escrevivências" – conceito que une literatura e vivências – de mulheres negras em um conto poético, misturando personagens marcantes da autora com elementos biográficos e ressaltando a força de sua escrita na luta contra o racismo, desigualdades sociais e a violência de gênero.
"O enredo é uma escrevivência, a partir da obra de dona Conceição Evaristo, em que foi criada uma personagem, a Evaristo Flor do Mulungu. Isso está sendo traduzido em formas de alegorias e fantasias, ilustrando essa escrevivência nesse conto, que acaba sendo dividido em cinco capítulos, e a gente vai contando a história através de carros e alas, ilustrando cada parte do que foi concebido nessa sinopse, que é uma escrevivência", explica o carnavalesco Renato Esteves.
Estácio de Sá
Ficha técnica
Enredo: Tatá Trancedo: o Papa Negro no terreiro do Estácio Presidente: Edson Marinho Carnavalesco: Marcus Paulo Intérpretes: Tiganá e Serginho do Porto Mestre de bateria: Chuvisco Bateria: Medalha de Ouro Rainha de Bateria: Vivi Winkler Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Feliciano Junior e Raphaela Caboclo Comissão de Frente: Junior Barbosa
A Estácio de Sá preparou um desfile que enaltece a vida, obra e trajetória de Tancredo da Silva Pinto. O enredo "Tatá Trancedo: o Papa Negro no terreiro do Estácio" celebra o escritor, colunista, compositor, líder religioso e cultural, desde a infância em Cantagalo, no interior do Rio, brincando nos blocos fundados pela família, a adolescência no Morro do São Carlos, e a vida adulta com, entre outros feitos, a fundação da Umbanda Omoloko, da Deixa Falar - primeira agremiação carnavalesca do Brasil-, bem como a celebração na Praia de Copacabana, que veio ao longo dos anos se tornar o maior Réveillon do mundo. Entretanto, com poucos registros sobre o homenageado, o carnavalesco Marcus Paulo buscou na comunidade as respostas que precisava.
"Eu estranhava eles falarem de Tatá Tancredo não como uma pessoa que já tivesse partido, falam como um amigo que vai chegar a qualquer momento. Mas depois eu entendi que Tancredo está aqui. Esses muros da escola de samba carregam a ancestralidade de Tancredo, esse chão que a gente pisa da quadra para ensaiar carrega a ancestralidade de Tancredo. As ladeiras do Morro de São Carlos, as músicas, os sons, as ruas carregam a ancestralidade de Tancredo. Hoje eu já falo de Tancredo também como se ele estivesse aqui presente. Essa é a relação que a comunidade do Estácio de Sá, o bairro e o Morro de São Carlos têm com ele. É uma relação de um filho, um irmão, um pai", detalha Marcus.
O carnavalesco promete um desfile de estética alegre, colorida e festeira, como a essência de Tatá Tancredo. "Ele gostava de celebrar, de festejar, era alegre, tinha aquela essência da turma do Estácio, do bom malandro. Ele tem a essência do samba, desse samba que ele também ajudou a criar. É um enredo com essa cara, com essa alegria, com a cara do carioca, das comunidades aqui do Complexo de São Carlos, com a cara da Estácio de Sá, que é a cara do Carnaval do Rio de Janeiro. Um enredo alegre, colorido, grandioso, alegorias monumentais, fantasias grandiosas, coloridas. A gente chega agora em 2026 com a comunidade altaneira, de peito cheio, erguido, cabeça para cima, cantando para o alto. O que estamos preparando é um grande espetáculo, diverso, colorido e monumental."
União de Maricá
Ficha técnica
Enredo: Berenguendéns e Balagandãns Presidente: Matheus Santos Carnavalesco: Leandro Vieira Intérprete: Zé Paulo Sierra Mestre de bateria: Paulinho Steves Rainha de Bateria: Raiane Dumont Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Fabrício Pires e Giovanna Justo Comissão de Frente: Patrick Carvalho
Cotada como uma das favoritas ao título, a União de Maricá, sexta a desfilar, passará pela Sapucaí com o enredo "Berenguês e Balangandãs". A agremiação vai exaltar a força, beleza e resistência das mulheres negras, através da simbologia dos balangandãs, joias-amuletos usadas como instrumentos de proteção, fé, identidade e estratégia de independência econômica. A escola leva ao público uma leitura da joalheria negra e a sabedoria ancestral que transformou ornamentos em símbolos de liberdade e poder. Leandro Vieira diz que a ideia já era antiga e segue dentro do contexto de sua trajetória como carnavalesco desde 2019, contando histórias não contadas pela história.
"Existe por trás do balangandã uma história de identidade, rebeldia, transgressão, que é protagonizada por mulheres pretas que, com o ganho diário, acumularam joias e estas joias foram transmutadas numa espécie de poupança, que possibilitou com que elas tivessem acesso a uma liberdade construída por elas mesmas e não uma liberdade concedida, como reproduz a maior parte do imaginário sobre a liberdade negra no Brasil. É um enredo que tem um caráter pedagógico, que olha para essa história de luta e transgressão com o interesse de popularizar uma ideia que pode ser motivo de orgulho para comunidades tradicionalmente colocadas numa condição pouco afirmativa."
Unidos do Porto da Pedra
Ficha técnica
Enredo: Das Mais antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da noite Presidente: Fabrício Montibelo Carnavalesco: Mauro Quintaes Intérprete: Wantuir Mestre de bateria: Pablo Rainha de Bateria: Andrea de Andrade Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Rodrigo França e Joyce Santos Comissão de Frente: Aline Kelly
Penúltima da noite, a Unidos do Porto da Pedra cruza a Passarela do Samba sem preconceitos e esteriótipos. Com o enredo "Das Mais antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da noite", a escola quer dar voz à história das profissionais do sexo. Na narrativa da agremiação de São Gonçalo, as personagens passam a ser protagonistas não pelo julgamento, mas pelo abraço que acolhe e enaltace a mais antiga das profissões. O desfile também reserva um momento político, com a presença de Lourdes Barreto, eleita uma das 100 mulheres mais importantes do mundo pela lista da BBC de 2024, e homenagem à já falecida Gabriela Leite, ambas prostitutas e ativistas pelos direitos das profissionais do sexo.
"O enredo contempla não só mulheres, mas também homens e trans, porque não tem como você só focar em mulheres, o universo dos profissionais do sexo é muito maior do que a gente pode imaginar. O objetivo é diminuir o estigma, humanizar essas profissionais. Não é uma glamorização, nem mesmo fazer apologia à profissão, mas diminuir esse estigma apontando esses corpos que são mães, são filhas, são avós, são mulheres que carregam a família, são mulheres que levam sustento para casa. Mudar o olhar da sociedade que consome esses serviços diante dessas guerreiras que matam um leão por dia", explica o carnavalesco Mauro Quintaes.
Unidos da Ponte
Ficha técnica
Enredo: Tamborzão - O Rio é Baile! O poder é black! Presidente: Tião Pinheiro Carnavalesco: Nicolas Gonçalves Intérpretes: Thiago Brito e Matheus Gaúcho Mestre de bateria: Alex Vieira e Junior Rainha de Bateria: Thalita Zampirolli Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Thiaguinho Mendonça e Jéssica Ferreira Comissão de Frente: Juliana Frathane
Fechando os desfiles da Série Ouro, a Unidos da Ponte vai transformar o Sambódromo em baile. O enredo "Tamborzão - O Rio é baile! O poder é black!" celebra as raízes negras e periféricas do Rio de Janeiro, por meio do som que vem da favela. A escola de São João de Meriti revisita os primeiros bailes do século XIX, com o lundu e maxixe, até os bailes funk atuais, em uma grande mistura de presente, passado e futuro. O carnavalesco Nicolas Gonçalves conta que a inspiração surgiu após um convite para um baile funk na quadra da agremiação, palco de várias festas blacks, e do desejo de fortalecer reuniões de grupos negros periféricos.
"A gente vai fazer uma mistura muito legal de elementos que hoje são chamados no Carnaval como afro e também misturar com elementos contemporâneos. Acho que a grande brincadeira é mostrar que esses bailes desde antigamente e até hoje em dia resgatam muito da nossa ancestralidade e isso se reflete visualmente", revela o carnavalesco. "A mensagem principal é unir nossas comunidades, desde a galera do funk, nós do samba. Por mais que a gente faça isso se divertindo, cantando e dançando, essa é a melhor maneira da gente se organizar politicamente e passar nossa mensagem. A Ponte vai fazer um grande baile, sambar e rebolar até o amanhecer, mas trazendo várias mensagens de empoderamento e contra o racismo e os ritmos."
Grupo Especial começa neste domingo
Depois das 15 agremiações da Série Ouro, o domingo (15) marca o início dos desfiles do Grupo Especial. A noite começa com a estreante Acadêmicos de Niterói, com o enredo "Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil", seguida de Imperatriz Leopoldinense, com "Cameleônico", Portela e "O Mistério do Príncipe do Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande", e termina com a Mangueira apresentando "Mestre Sacaca do Encanto Tucuju - O Guardião da Amazônia Negra".
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