Andrea Andrade, rainha de bateria da Unidos do Porto da Pedra Divulgação
Rainhas de bateria revelam detalhes de fantasias para segundo dia de desfile da Série Ouro
Beldades ainda revelam práticas pessoais de fé, proteção e concentração antes de entrarem na Sapucaí
Rio - A folia continua! Botafogo Samba Clube, Em Cima da Hora, Arranco do Engenho de Dentro, Império Serrano, Estácio de Sá, União de Maricá, Porto da Pedra e Unidos da Ponte cruzam a Marquês de Sapucaí neste sábado (14), na segunda noite de desfiles da Série Ouro. À frente das baterias, as rainhas prometem transformar a Avenida em um espetáculo à parte e, em entrevista ao DIA, revelam os rituais que antecedem a entrada no Sambódromo, além de anteciparem detalhes das fantasias que levarão brilho, simbologia e energia para o desfile.
Abrindo a noite, o Botafogo Samba Clube leva para a Avenida o enredo "O Brasil que floresce em arte", em homenagem a Roberto Burle Marx. A responsabilidade de conduzir os ritmistas fica por conta da irmã de Lexa, Wenny Isa, de apenas 16 anos, que estreia como rainha da escola após 4 anos na Unidos de Bangu. A jovem define sua fantasia como um meio-termo entre ousadia e elegância.
"Ela é um equilíbrio dos dois. Tem atitude, tem brilho e tem personalidade. Minha fantasia representa o exuberante jardim de Burle Marx. Ela traduz a força da natureza, as formas orgânicas, as cores intensas e a liberdade criativa que ele trouxe para o paisagismo brasileiro", afirma. Antes de entrar na Avenida, Wenny aposta no silêncio e na espiritualidade. "Faço uma oração, agradeço por estar ali e peço proteção. Entro na Avenida com o coração aberto".
A força feminina ancestral dá o tom da Em Cima da Hora, mas Maryanne Hipólito prefere manter o mistério sobre o visual que levará para a Sapucaí. À frente da bateria, ela garante que a fantasia dialoga diretamente com o enredo "Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagira!".
"Venho representando a força, a feminidade, a altivez e a potência. É bem ousada." Adepta das religiões de matriz africana, ela reforça a importância da preparação espiritual: “É necessário que as obrigações estejam em dia. Rezo, peço proteção da minha Pomba Gira e ando sempre com o fio de conta mais antigo dela. É sempre ela, com ela e por ela. Salve Menina", diz.
Gisa Cobel promete levar alegria para a Avenida defendendo o Arranco do Engenho de Dentro. A escola homenageia Maria Eliza Alves dos Reis, a primeira palhaça negra do Brasil, no enredo "A Gargalhada é o Xamego da Vida". "Minha fantasia celebra o sorriso, a liberdade e a energia da Avenida. É ousada na medida certa. O Carnaval pede brilho, movimento e presença, mas sempre com elegância", conta. O ritual, segundo ela, é simples: "Respiro fundo, mentalizo coisas boas e me conecto comigo mesma".
Com mais de 25 anos de história na Sapucaí, Quitéria Chagas retorna ao desfile do Império Serrano carregando simbolismo e ancestralidade. No enredo "Ponciá Evaristo – Flor do Mulungu", a rainha teve a fantasia redesenhada a pedido da própria escritora Conceição Evaristo. "Vou encarnar uma entidade ligada à espiritualidade dela. É uma fantasia luminosa, carregada de ancestralidade", explica.
A preparação espiritual é parte fundamental do desfile: "Sou de matriz africana, do candomblé. Faço um ritual de proteção espiritual, desfilo com meu pai de santo e me conecto com Deus, com os orixás e com as forças em que acredito. A troca de energia na Avenida é muito intensa".
Estreando como rainha de bateria da Estácio de Sá, Vivi Winkler promete impacto visual logo na concentração. Defendendo o enredo "Tata Tancredo – O Papa Negro no Terreiro do Estácio", ela não economizou na produção. "A fantasia representa uma rainha da omoloko. Está super ousada e muito rica. Investi mais de 200 mil reais nessa joia". Antes de cruzar a linha do desfile, o pedido é simples: boas energias para a escola.
Na União de Maricá, Rayane aposta no simbolismo para contar a história do enredo "Berenguendéns e Balangandãs", que celebra a ancestralidade afro-brasileira. "Eu venho como joia negra, representando força, ancestralidade e poder. É ousada na mensagem e na representatividade", destaca. O ritual envolve fé e afeto: "Reúno minha equipe para orar e levo minha mãe comigo. Ela é minha base, minha proteção".
Pelo segundo ano consecutivo à frente da bateria da Porto da Pedra, Andrea de Andrade desfila com um personagem ainda mantido em segredo. A escola apresenta o enredo "Das mais antigas da vida, o doce e amargo beijo da noite": "É algo que sempre tive muita vontade de desfilar no Carnaval. A fantasia é mais ousada do que as últimas, mas sem exageros. Tem tudo a ver comigo", conta. A preparação começa antes do desfile: "Faço meus banhos, orações e peço proteção para toda a comunidade".
Thalita Zampirolli promete encerrar a noite de desfiles na Sapucaí em clima de baile à frente da bateria da Unidos da Ponte. No enredo "Tamborzão – O Rio é Baile! O Poder é Black!", o dourado será protagonista. "Vai ter muito ouro. Sempre aposto na ousadia, porque o Carnaval pede atitude. Não é só sobre mostrar pele, é sobre representar poder, autoestima e a energia do Tamborzão", afirma. O ritual inclui conexão com a natureza: "Vou a uma cachoeira para um banho de limpeza espiritual e faço minhas orações antes de entrar na Avenida".
















