Rio - Em busca do 23º título, a Portela apresentou o enredo "O mistério do Príncipe do Bará - A oração do negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande". O desfile foi uma grande exaltação à religiosidade, cultura e resistência da população negra no Rio Grande do Sul, estado brasileiro com o maior número de terreiros.
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Apesar da beleza das alegorias, o quinto e último carro da Portela, que levava a Velha Guarda, sofreu problemas e correu risco de nem sequer entrar no Sambódromo. Os componentes sofreram para colocá-lo na avenida e a escola precisou ficar parada por um tempo considerável para esperá-lo. O problema acabou provocando um “clarão” na passarela, houve um pouco de correria, mas a apresentação conseguiu ser encerrada dentro do tempo regulamentar.
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Último carro da Portela, com a Velha Guarda, apresenta problemas e demora a entrar na Avenida.
A Portela narrou o encontro do personagem folclórico Negrinho do Pastoreio com o orixá Bará, do Batuque gaúcho. A reunião leva à história do Príncipe Custódio, africano do Benin que vem ao Brasil, se instala no Rio Grande do Sul e passa a ser reconhecido como curandeiro e feiticeiro.
Logo no esquenta, a Portela já mostrou que seria um desfile coberto de emoção. Enquanto o estreante Zé Paulo Sierra cantava sambas marcantes, o filho do intérprete Gilsinho, Vinicius Suma, chorou abraçado com o cantor. Um dos principais nomes da história recente da Majestade do Samba, Gilsinho morreu aos 55 anos, em setembro do ano passado, por complicações decorrentes de uma cirurgia. Ele passou 18 anos como intérprete da agremiação e, antes do desfile, Sierra ressaltou que a escola homenagearia o seu antecessor com um canto forte na avenida.
A comissão de frente apresentou um show de luzes e impressionou com um componente que sobrevoava a avenida utilizando um drone gigante abaixo dos pés. O abre-alas, maior da história da escola, formava um xirê para mostrar o encontro entre Bará e Negrinho do Pastoreio.
Logo em seguida, o primeiro carro já trouxe a grandiosa águia, símbolo da Portela. A segunda alegoria também impressionou a Sapucaí com água em movimento, fazendo referência a Iemanjá ajudando na chegada do Príncipe Custódio ao Brasil.
O desfile ainda contou com a estreia do mestre Vitinho à frente da Tabajara do Samba, que tem Bianca Monteiro como rainha há 10 anos. Ela se apresentou com um luxuoso figurino prateado com detalhes brilhantes. As fantasias foram um ponto alto da azul e branco de Madureira na Sapucaí. A ala de abertura utilizou luzes de led na parte de baixo da roupa, dando a impressão de que as componentes estavam voando na avenida. Já a apresentadora Adriane Galisteu vestiu o Falcão Lanário, com penas em tons beges que chamaram a atenção.
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