Thalita Zampirolli desabafa ao deixar cargo de rainha de bateria da Unidos da PonteReprodução de vídeo / Instagram

Rio - A escola de samba Unidos da Ponte anunciou, nesta sexta-feira (20), a saída da rainha de bateria Thalita Zampirolli. A influenciadora digital se despediu do cargo. Ao receber críticas, ela desabafou sobre algumas supostas possíveis situações que teria vivenciado com a agremiação, incluindo uma suposta "cotovelada" de um dos mestres de bateria. Alex Vieira e Junior Santos, no entanto, rebateram.
"Com carinho e reconhecimento, agradecemos à nossa rainha de bateria Thalita Zampirolli pela energia, dedicação e entrega ao nosso pavilhão durante o ano em que esteve à frente da Ritmo Meritiense. Em um ciclo breve no tempo, mas significativo no compromisso, você honrou nossa bateria. Nos despedimos com gratidão por tudo que foi construído e desejamos que seus próximos passos sejam repletos de sucesso", disse o comunicado.
Em seguida, a influenciadora falou sobre o "desligamento" da escola. "Hoje venho a público comunicar meu desligamento da Unidos da Ponte. Foram dias intensos, de entrega, aprendizado e muito amor dedicados a essa escola. Vivi momentos marcantes, de muito trabalho, responsabilidade e respeito ao pavilhão.

"Minha gratidão à comunidade de São João de Meriti, que carrega essa escola com garra e paixão. Vocês são a força da Ponte! Agradeço com carinho à ala de passistas pelo companheirismo, pela energia na avenida e por cada troca verdadeira ao longo desse ciclo. Eu realmente fui feliz ao lado de vocês".

"Obrigada, meu presidente Tião Pinheiro, por sua grandeza, sua delicadeza, sua educação e pela forma humana, respeitosa e admirável com que conduziu esse reinado. Sua postura, seu caráter e seu cuidado fizeram toda a diferença nessa caminhada. Minha admiração e respeito por você são imensos.

"Ao vice-presidente Gustavo Barros, o meu muito obrigada pela parceria, atenção e apoio durante todo esse período. Saio com a certeza de que fiz o meu melhor, honrando cada momento vivido. Desejo que a Ponte siga firme, forte e brilhando cada vez mais. Obrigada por tudo".
Em outro post, ela desabafou sobre as críticas que recebeu sobre "não ter sido uma boa rainha" após a despedida. "Isso gerou muitas críticas, muitos ataques. As pessoas usam as redes sociais para atacarem. E não seria diferente comigo, mais uma vez. Mais uma vez sendo criticada. Acho que em toda versão, precisamos ouvir os dois lados para entender os fatos".
Ela ressaltou a "transparência e respeito pelo Carnaval". "Nunca quis ser maior que nenhum deles. Muito pelo contrário. Sou eu peça pequenininha que está ali para somar e lutar pela vitória, pelo título". Logo após, recordou uma situação logo após ser anunciada como rainha de bateria da agremiação:
"Assim que fechei o contrato com a escola, [...] marcamos de fazer o anúncio do meu reinado. Estava feliz de estar de volta. [...] Aí vieram aquelas surpresinhas [...] Eu não conhecia ninguém da escola ainda. [...] E começaram os pedidos, gente. A gente sabe que toda escola precisa, estamos ali para ajudar, impulsionar e dar nosso melhor para a escola. A escola precisa da ajuda financeira e do apoio moral. E começaram os pedidos sem sequer me conhecerem pessoalmente. Mas começaram por onde? Pelos meus mestres de bateria, sem sequer terem me dado um 'oi', ouvido a minha voz ou saber quem eu era. Começaram a pedir dinheiro, cervejinha e carninha. Claro que se tivesse ao meu alcance eu daria, mas não acho justo começarem os pedidos sem me conhecerem".
"Presenteei a bateria com 30 engradados de cerveja, para eles ficarem felizes. Tentei interagir com a bateria, mas não existiu essa troca. Na minha coroação fiquei até de manhã tentando brincar. [...] Existia um bloqueio de eu, como rainha, e a bateria. Alguns me elogiavam, enquanto os outros ficavam de cara fechada todo o tempo. Parecia que tinha feito alguma coisa para eles. E eu não tinha feito nada", disse a influenciadora.

Thalita afirmou que os pedidos continuaram de ajuda financeira continuaram, mesmo quando ela retornou para os Estados Unidos, onde mora. "Os pedidos continuaram. [...] E tudo hoje em dia eu faço contratualmente com meu advogado e com a agremiação. [...] Os pedidos continuaram e eu estava me programando porque todas as agremiações, faço uma festa para minha bateria. Eu gosto disso. [...] Estava programando uma festa a já estava tudo certo. [...] Fui comunicar aos mestres e eles não queriam festa, ele preferiram o dinheiro para comprar cerveja e churrasco para os ensaios. Beleza, é direito deles. Mas a festa era o momento que eu tenho para conhecer mais os ritmistas. [...] Eles não queriam, mas eu queria. Esse era o meu momento, a festa que dou para a bateria. Desse momento para cá, me tornei a pior pessoa para eles".

"No ensaio de quadra mandei meus assessores fazerem um Pix: 'Compra bebida para eles, vamos lá interagir'. Cheguei na quadra, a minha bateria toda de cara fechada para mim. Sabe quando você chega com felicidade e é surpreendida com aquilo? Sem nem uma interação. Não tinha interação entre eu e eles. Era mais da minha parte, eu rindo e brincando e as caras muito fechadas. Não sei o quê foi dito para eles. Eu sei que estava ali para viver aquele momento".
Ela alegou que foi agredida no ensaio de quadra. "Nesse exato momento, que eu tentei entrar na minha bateria, levei uma cotovelada do meu mestre. Exatamente. E foi falado isso no mesmo dia para a minha presidência. E mesmo com dor, eu ainda continuei sambando um pouco e me retirei. Quem estava lá presente, vai saber... me retirei da bateria e fui sambar com as passistas que sempre me receberam muito bem. [...] Não foi uma cotovelada fraquinha, não. Foi forte. Me machucou. E eu fiquei calada. Fiquei calada e continuei mantendo a pose e seguindo até o ensaio acabar".

Thalita disse que deu a festa para a bateria e convidou a ala de passistas, com quem tinha mais afinidade. No entanto, falou que ninguém compareceu, ao se defender dos comentários negativos. "Agora é muito fácil criticar, falando que faltou isso e aquilo. Pelo amor de Deus. Tudo o que estou falando está protocolado comigo e com meu advogado. É muito fácil me criticar sem saber da verdade. Mas tudo o que estou dizendo é verdade e posso provar tudo. [...] A cotovelada que eu levei não tenho como dizer que foi sem querer e não ter visto. [...] Ato de agressão comigo na frente da bateria. [...] Agora chega de críticas sem vocês saberem a verdade e a real história".
Pronunciamento dos mestres
Na mesma rede social, os mestres Alex Vieira e Junior Santos, mais conhecido como Juninho, rebateram as acusações de "agressão", dos pedidos de ajuda financeira e falaram sobre a festa. "Mentir é um problema muito sério. Vir querer falar de agressão ou de outras coisas que teríamos feito que não fizemos. Aí a gente tem que acabar falando e temos que nos defender. É muito fácil uma pessoa que tem a quantidade de seguidores que ela tem e a visibilidade, vir falar que quisemos extorquir e pedir algo a mais. Só que não foi assim. Claramente não foi assim. E principalmente, esse ponto da agressão. Que é um ponto muito sério chegar e falar na internet que foi agredida. Algo que é muito sério e que de forma alguma uma pessoa tem que falar uma coisa dessas sem ter provas, depois de muito tempo que passou o ensaio", disse Alex.

Juninho complementou: "É muito fácil na hora da raiva e indignação a gente vir falar qualquer coisa. Mas não pensa lá na frente". "Ninguém aqui ficou pedindo Pix e dinheiro à ela, não. A gente pediu ajuda para tratar melhor os ritmistas e poder recebê-los bem. Tem gente que vem do trabalho cansado, com um monte de problema na cabeça. E ali é o momento para relaxar. E nada mais justo de ter uma água, talvez uma cerveja e talvez uma comida. Nosso trabalho é procurar ajuda para tratar bem nossos ritmistas", falou Alex, que continuou:

"Quando o Mestre Junior entrou em contato e foi negado, a gente entendeu que ela já tinha tido um gasto com a escola e a gente procurou de outra forma. A gente negou a festa. A gente falou o seguinte: tira essa festa da bateria, pega esse valor que ia fazer a festa e manda para a gente. Para que a gente consiga fazer um 'bem bolado' para pessoal que está vindo do trabalho com água, comida... o mínimo do mínimo que possamos fazer. E mais uma vez a gente recebeu um 'não'. Então, é muito fácil chegar e falar: 'Eles estão pedindo Pix para isso e aquilo'. Pelo amor de Deus, o que a gente pediu foi o mínimo do mínimo. A gente entende que a escola está na correria para colocar o Carnaval na rua. A gente entende que todo mundo tem seus gastos. O que a gente pediu, primeiramente foi o dinheiro. Então, a gente pediu para tirar algo que já estava em contrato: 'Não faça a festa e manda o dinheiro'. E mais uma vez foi negado. É muito fácil falar um monte de besteira e m*rd* desnecessária".

"A rainha de bateria só apareceu em um ensaio em mais de 30 que fizemos. Toda sexta-feira estávamos lá. A pessoa aparecia no Salgueiro, Grande Rio e em todas as escolas do Rio de Janeiro. Na escola que ela era rainha, ela não aparecia. Aí ela quer que as pessoas a recebam rindo, abraçando? Então, antes de vir falar, aprenda o seu posto. Porque é muito fácil pagar pelo seu posto e depois que chegar achar que todo mundo tem que te abraçar. Não é assim que funciona. Peço até perdão à agremiação, por toda essa confusão e conversa fiada. Até porque, foi algo nosso diretamente com ela. Eu não vou aceitar de forma alguma ser acusado de algo que a gente não fez. Principalmente de agressão. Então, espero realmente que ela se retrate sobre isso, senão a gente vai procurar advogado. Porque ninguém vai me acusar de alguma coisa sem ter provas. Não existe isso. [...] Diante de tudo que ela falou que foi pedido, ela fez pela escola. Pela bateria ela não fez. E porque não quis. E não é questão de dinheiro, não. É presença, estar junto. Não fez porque não quis", disse o mestre.

Juninho citou a festa, dando a sua versão. "A gente jogou limpo, falando a quantidade de ritmistas, porém tem os acompanhantes. As pessoas que são casadas, nada mais justo que levar a família e sua companheira. Não tem nada a ver com as passistas. Mas eu não acho justo levar quem é casado, principalmente o Mestre Alex, ir para uma festa onde ele não pode levar a mulher e chega lá e tem um monte de passista. Uma festa onde falaram que ia ter piscina. Não tem lógica ter várias mulheres de biquíni num ambiente com pessoas que são comprometidas. Se cada um faz adultério pelas costas, a gente não tem nada a ver com isso. A gente zela pelo bem-estar da nossa bateria. Então, se não condiz como a nossa bateria, não foi viável".

"E ela falou que não foi bem recebida. Por incrível que pareça, nossa conversa no Instagram sumiu. Mas ela não fala que estava na mensagem: 'Seja bem-vinda, rainha'. Com todo um carinho e aparato. Mas eu estou colocando a minha cara, eu, Juninho, te mandei mensagem. Mas eu obtive resposta? Não. É realmente o que você falou. É muito fácil vir botar a cara e falar qualquer besteira. É realmente muito fácil, mas vamos jogar limpo. Vamos fazer com a verdade. Falar que estávamos pedindo dinheiro. A maioria dos ensaios foi eu e esse cara aqui tirando dinheiro do bolso. Teve a cerveja, água e o churrasco com muitos amigos ajudando. Então, não precisamos do seu dinheiro. Pedimos a sua ajuda porque você é a rainha. E não sei se você sabe, mas um dos compromissos da rainha é ajudar a bateria. Não é um Pix de um ensaio que você apareceu que vai tirar todo o sumiço e festa".

"E vai ser só esse vídeo, rapaziada. Não tem lógica a gente ficar querendo rebater e ficar com guerrinha de internet. Até porque a gente não vive disso, ela que vive. A gente não vive de internet. Desculpa, Unidos da Ponte, por esse vexame. [...] Mil desculpas que estamos tendo que passar de gravar um vídeo sem necessidade nenhuma", concluiu Juninho.
Procurada para comentar a saída da rainha, a Ponte, através de sua assessoria, emitiu uma nota. "O G.R.E.S. Unidos da Ponte informa que, enquanto instituição, cumpriu integralmente todos os acordos firmados com a ex-rainha de bateria, Thalita Zampirolli. A agremiação esclarece que o ocorrido entre os mestres de bateria e a então Rainha trata-se de uma questão de cunho estritamente pessoal, não envolvendo a instituição em nenhuma circunstância."
A escola de samba foi a última escola a desfilar na sexta-feira (13), levando o enredo "Tamborzão – O Rio é baile! O poder é black!". O tema, desenvolvido pelo carnavalesco Nícolas Gonçalves e pelo enredista Cleiton Almeida - exaltou as raízes negras e periféricas, valorizando a formação da identidade carioca. A agremiação ficou na 11ª posição, com 268,1 pontos. 
* Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Raphael Perucci