Guanayra Firmino, presidente da MangueiraDivulgação

Primeira mulher eleita e reeleita presidente da Mangueira na história, Guanayra Firmino já deu início ao planejamento das celebrações pelo centenário da agremiação, em 2028. No mês em que a Verde e Rosa completa 98 anos, a dirigente conversou com O DIA sobre sua gestão e revelou como espera ver a escola nos próximos anos.
O DIA: A senhora sempre gosta de citar os 'crias' da Mangueira. Como analisa essa valorização de quem é da comunidade?

Guanayra: A Mangueira sempre formou talentos. O que fizemos foi reconhecer e ampliar isso. Hoje temos pessoas da comunidade em áreas estratégicas, na comunicação, nos projetos, no barracão, na bateria. Isso fortalece a escola e muda a forma de pensar gestão.

A estrutura da escola também mudou. Qual o impacto disso?

A quadra é um espaço da comunidade. Quando a gente reforma, melhora a estrutura, organiza, está cuidando de um espaço de convivência, de cultura e de encontro. Isso impacta diretamente quem vive ali.

A atuação cultural da Mangueira se expandiu. O que orienta isso?

A gente entende que a Mangueira não é só desfile. Fortalecemos ações culturais, projetos de memória e formação. O acervo digital é um passo importante para organizar nossa história e abrir novas possibilidades, por exemplo.

Esse acervo também gera oportunidades?

Gera. Ele serve para pesquisa, formação e criação. Pode virar exposição, documentário, produto cultural. A memória também gera trabalho e renda.

A marca Mangueira também se fortaleceu?

Muito. Fizemos um reposicionamento, ampliamos parcerias, criamos produtos, fortalecemos a loja. Isso ajuda a sustentar a escola e ampliar nossa presença.

O que muda quando a escola se organiza financeiramente?

Muda a capacidade de planejar. Hoje conseguimos executar o Carnaval com antecedência, com mais segurança. Isso permite que a gente olhe para outras frentes que sempre foram importantes, mas que agora ganham estrutura.

O que mudou na gestão financeira?

Mudou a forma de operar. Voltamos a acessar Leis de Incentivo, conseguimos certificação internacional, criamos mecanismos de transparência. Isso dá credibilidade e abre caminhos.

Isso chega na vida das pessoas?

Chega direto. Geramos oportunidades, formalizamos trabalhadores, criamos serviços dentro da escola e nos projetos. A Mangueira movimenta o território.

As oficinas culturais entram nesse contexto?

Sim. Elas ganham mais estrutura agora. Formam pessoas, geram oportunidade e também fortalecem a memória da escola, conectando novas gerações com a história da Mangueira.

O que define esse momento da escola?

Organização, responsabilidade e visão de futuro.

E o centenário?

O centenário é um projeto. A gente quer chegar com a escola estruturada, com a comunidade participando e com tudo consolidado. É garantir que a Mangueira siga forte pelos próximos cem anos. A poucos anos do centenário, a Mangueira entra em um novo ciclo com efeitos concretos dentro e fora da avenida. No território, a reorganização da escola se traduz em ampliação de oportunidades, geração de trabalho, fortalecimento de projetos e maior presença no cotidiano da comunidade, consolidando sua atuação como um agente ativo na vida social da Mangueira. Ao mesmo tempo, esse processo de estruturação administrativa e financeira impacta diretamente a preparação para o Carnaval. Com planejamento antecipado, equipes técnicas fortalecidas e melhores condições de produção, a escola eleva seu nível de organização e competitividade, mirando não apenas a manutenção de sua tradição, mas uma disputa mais qualificada nos próximos anos, com foco já projetado para o Carnaval de 2027. O que se constrói é uma Mangueira mais organizada, mais presente no território e mais preparada para o futuro. Rumo aos 100 anos, a escola se reposiciona para fazer do centenário não apenas uma celebração da sua história, mas uma afirmação da sua força no presente e da sua capacidade de vencer no futuro.