Escritora foi chamada para representar a revolucionária Luísa Mahin Divulgação

A escritora Ana Maria Gonçalves, de 55 anos, foi convidada pelo carnavalesco da Acadêmicos da Grande Rio, Antonio Gonzaga, para representar Luísa Mahin, como destaque no segundo setor do desfile da agremiação no Carnaval 2027.
A revolucionária é uma figura histórica que participou da Revolta dos Malês e é referência de resistência negra. Ela inspirou a personagem Kehindé no livro “Um Defeito de Cor”, escrito pela autora. O convite foi realizado durante visita de Gonçalves ao barracão da escola.

A escritora irá integrar o setor voltado às revoltas e movimentos de luta, que levaram os negros a retornar às suas terras de origem. A agremiação levará para avenida o enredo “Sankofa Tabon – Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, trazendo histórias sobre ancestralidade e resistência ligados às raízes negras.
O projeto é uma parceria entre os compositores Deré, Licinho Junior, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Igor Federal e Gustavo Clarão, e se passa na região da Costa do Ouro, local no qual atualmente fica Gana, primeira nação a alcançar a independência na África Subsaariana.

O samba foi escolhido em evento que marcou a coroação de Anitta como rainha de bateria da Grande Rio. A cantora recebeu a coroa de Eloína dos Leopardos, conhecida como a primeira rainha de bateria da história do carnaval do Rio.

Conheça samba-enredo da Grande Rio para Carnaval 2027:

Sankofa Tabon – Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade
Sankofa!
Em suas asas vou buscar minhas raízes
A travessia não apaga cicatrizes
Eu sou história, ouro de mãe, negro ancestral

Ave sagrada!
Ainda me lembro do navio agourento
A dor do meu primeiro atravessamento
Venci o drama, eu sou a trama atemporal

Retorno no caminho das marés no entorno…
Outro sentido, outro viés
Será… que levo a luta dos Malês, será?
Será… que é tudo que se fez pra libertar?
O povo preto nesta terra que me adotou
Um sol à frente, bordado “kente”
Ekome Feemo!!

Meu olhar marejou, mareia
No encontro que Nyame abençoou
O clarão da velha lua cheia
Na pedreira do meu pai Xangô

No brilho do povo Akan, Adinkra simbologia
Conheço da gente irmã, sabor e sabedoria
Tabon eu me sinto em casa
Tabon eu vim pra ficar
O amor acendeu a brasa
Com asas eu quis voar
Liberdade ao som do agbê
Liberdade nos palmos deste chão
Meus filhos irão erguer o tempo de reparação
Meus filhos irão erguer um país com a gana
Da força africana e chamar de nação

Ô, estrela! Estrela de toda negrura
Na bandeira, a Grande Rio
Traz de Gana a bravura!
*Reportagem da estagiária Isabela Bitencourt, sob supervisão de Leticia Pessôa