Pedro Mussum é um dos participantes do The Voice BrasilSimone Fransisco/Divulgação

Rio - Carregar um sobrenome que faz parte da história do humor, da música e da televisão brasileira não é tarefa simples. Para Pedro Mussum, 29 anos, neto do saudoso Mussum (1941-1994), ex-trapalhão e fundador do grupo Originais do Samba, essa herança sempre veio acompanhada de afeto. Mesmo sem ter conhecido o avô, ele cresceu cercado por relatos carinhosos, discos, filmes e lembranças que mantiveram viva a presença do artista em sua formação.
Com 10 anos de carreira e vivendo seu momento de maior projeção nacional no "The Voice Brasil", do SBT, Pedro tem se destacado e brilhado a cada apresentação. Em entrevista ao Meia Hora, ele revisita essa trajetória, fala sobre os desafios de honrar o gigante legado do avô e revela o desejo de gravar um feat com Belo. O artista ainda relembra o início na música, a influência familiar, o impacto de estar na televisão e os planos para o futuro. Confira!
- Pedro, você cresceu cercado pela arte e pela memória de um dos maiores nomes do humor e da música brasileira. Como foi lidar desde cedo com o legado do seu avô, Mussum?
Quando criança, acho que eu não tinha muita noção da dimensão, da grandiosidade do que o meu avô representava. Mas sempre soube que ele foi muito amado, porque as pessoas me falavam sempre bem dele e eu conseguia enxergar através dessas palavras muito carinho. Um carinho tão grande, que chegava a transbordar, sendo transmitido também para mim, apenas pelo fato de ser neto dele.
- Você não pode conhecê-lo, mas como tenta visitar a memória dele? De alguma forma, o som dele nos Originais do Samba te inspirou?
Infelizmente não cheguei a conhecê-lo, mas ele se fez presente de várias formas na minha vida, através, principalmente, das artes, seja na música ou na atuação. Quando eu tinha mais ou menos sete/oito anos, ganhei um CD dos ‘Originais do Samba’, grupo em que ele foi um dos fundadores, e sempre escutava muito empolgado aquele CD. Também tinha contato com ele através da televisão, os DVDs, os filmes do Trapalhões... Então ele sempre esteve de algum jeito presente na minha vida, em forma de arte.
- Ouviu boas histórias sobre ele do seu pai? Tem alguma curiosa ou divertida que possa compartilhar?
Tenho a alegria de sempre encontrar com pessoas que guardam boas memórias, boas histórias com o meu avô e acabam dividindo comigo. Gosto muito porque isso me aproxima mais dele. Mas uma história curiosa, que não sei se todo mundo sabe, é que meu avô quem criou e ajudou a popularizar um dos instrumentos que hoje em dia é indispensável em qualquer roda de samba, que é o reco-reco. Ele tinha formação em mecânica, inclusive foi militar na força aérea, e desenvolveu esse instrumento.
4. Quando e por que decidiu investir na música?
A música sempre foi um grande sonho na minha vida, desde muito pequeno. Na verdade, desde que me conheço por gente eu canto e já era afinadinho. Com mais ou menos oito/nove anos entrei numa escola de música para fazer aula de canto e lá existia uma apresentação musical dos alunos todo mês. E nessas apresentações comecei a me destacar, as pessoas já olhavam e diziam que valeria investir porque eu tinha futuro. Mas como éramos eu e minha mãe sozinhos, nós não tínhamos uma boa condição naquela época, nem mesmo a internet que hoje possibilita que os artistas se exponham, mostrem seu trabalho, seu talento... hoje em dia sinto que as coisas são um pouco mais fáceis e democráticas, o que não era naquela época. Então, eu não tinha investimento para de fato impulsionar a minha carreira musical.
- Ser neto de um artista torna a trajetória mais fácil ou mais difícil?
Acho que essa é a pergunta que mais me fazem e normalmente digo que só sobrenome não sustenta nada. Principalmente quando se fala de artes. Quando estou no palco cantando ou atuando, é só o Pedro que está ali. Não é o meu avô. Então não adianta nada ter sobrenome, se você não tiver o que de fato mostrar. É por isso que venho há anos me preparando, trabalhando... principalmente porque tenho na minha família um cara que é gigante, que é um artista único, que representa tanta coisa. Acho que existe até uma cobrança maior por isso, porque leva a comparação. Meu avô foi muito virtuoso na carreira dele. E por tudo isso, não posso fazer feio.
- Como você foi parar no 'The Voice Brasil'? Foi um convite?  Qual tem sido o maior desafio?
Participar do 'The Voice' sempre foi um grande sonho. E acho, na verdade, que é o sonho de qualquer artista estar neste palco, que é uma grande vitrine que te traz uma enorme visibilidade. E o maior desafio pra mim, é estar saindo da minha zona de conforto, já que estou buscando me desafiar no programa. Entrei cantando pagode, que é o segmento que atuo, mas estou me desafiando buscando cantar outros estilos também. Com isso espero surpreender o público e mostrar a minha versatilidade, porque antes de abraçar e ser abraçado pelo pagode, de escolher começar a cantar este estilo, sou um artista que já trabalhou no teatro musical. Então, sempre gostei de cantar outros gêneros e estou buscando mostrar isso no 'The Voice'. E posso dizer que estou muito feliz com isso!
- No 'The Voice Brasil', sua interpretação de "Perfume" emocionou o público. Como escolheu essa música e o que ela representa pra você?
‘Perfume’ é uma das minhas músicas preferidas do Belo. Porque tenho algumas. Mas essa, em especial, amo a letra, a melodia e a formo como foi produzida, porque amo o estilo de pagode dela, que é o sambalanço, o swing... e quando a gente fala desse estilo de pagode, o nosso maior representante é o Belo, que também é um artista que admiro muito, uma das maiores referências que tenho. Então, na hora que parei para pensar em que música cantaria no 'The Voice', me veio logo essa música em mente.
- O Mumuzinho virou a cadeira e te escolheu para o time dele. Como tem sido essa troca com um artista que também representa essa geração do samba?
Está sendo maravilhoso ter essa troca com todos os técnicos, na real. No programa, a gente acaba tendo a oportunidade de ser visto e observado por artistas consagrados como o Mumuzinho, Péricles, Duda Beat e Matheus & Kauan. Receber dicas deles também. Está sendo uma experiência incrível por ter essa troca com artistas tão gigantes, em especial estes do pagode, que são o Mumuzinho e o Péricles, duas das grandes referências que tenho.
- São dez anos de carreira e agora uma nova visibilidade nacional. O que mudou em você como artista desde os primeiros passos até este momento no 'The Voice'?
Tenho dez anos de carreira artística, porque comecei fazendo Teatro Musical. Mas como disse, a música sempre foi um grande sonho na minha vida. Então, há mais ou menos dois anos, consegui dar o pontapé inicial a minha carreira musical, de fato. No sentido de investir e me dedicar somente a música. E acho que a maior mudança, analisando lá do início, foi que pude me encontrar. Acho que durante esse tempo todo trabalhando com arte em geral, foi na música mesmo que encontrei um propósito e um sentido para a minha vida. Sempre amei trabalhar com teatro, mas sempre quis me dedicar a música. E agora estou podendo fazer isso.
- Seu projeto audiovisual com sete faixas, lançado pela Som Livre, mostra uma mistura de inéditas e regravações. Como foi o processo de escolha desse repertório?
O meu álbum ‘Identidade’ é muito pessoal. Não gravei ele pensando em lançar, foi mais pensando no sentido de ter algum tipo de material gravado, porque até então eu não tinha. Então gravei meu primeiro álbum com músicas que gostava de cantar, de escutar, e por isso falo que é um álbum muito pessoal, diz muito sobre mim. Por isso esse nome.
- Trabalhar com Wilson Prateado (produtor musical. músico e compositor) é um privilégio que poucos têm. O que aprendeu com ele e como essa parceria impactou sua sonoridade?
Trabalhar com o Prateado está sendo um dos maiores presentes que a arte poderia me dar. Ele é muito inteligente, estuda muito, tem muitas referências. Cada encontro, cada conversa que tenho com ele, é praticamente uma aula. Nós estamos tendo muita afinidade e isso me deixa muito feliz! Ele gosta de buscar referências em outros estilos musicais e eu gosto muito disso. Volta e meia ele vem com alguma sugestão. Eu também envio coisas para ele. Está sendo muito legal ter essa troca e, principalmente, ver que temos essa afinidade musical.
12. Quais são seus planos após o 'The Voice'? Já pensa em novos lançamentos ou parcerias?
Pretendo gravar e lançar o meu novo audiovisual, com a produção do Prateado e do Raul Silva. É um projeto que estou muito ansioso para poder realizar e espero que a gente consiga depois do 'The Voice'. E quanto a parcerias, gostaria muito de ter alguns feats com artistas que eu admiro, como o Belo, por exemplo, seria um deles com certeza.
- E para finalizar: se pudesse mandar uma mensagem ao seu avô hoje, o que você diria sobre tudo o que está vivendo?
Nossa, essa é para emocionar mesmo? Mas eu gostaria de dizer para ele ou realizando o meu sonho. Que assim como ele, me encontrei na arte, na atuação, na música. Dizer que estou fazendo o máximo para respeitar toda a trajetória e história dele. E que estou muito feliz por poder trabalhar com isso, que é o que amo e o que me deu um propósito de vida. Também queria agradecer por tudo que ele construiu e por todas as portas que ele deixou abertas, não só para mim, mas para muitas pessoas.