Mariana Goldfarb relata relacionamento abusivo: ’Eu ia morrer’Reprodução de vídeo / Instagram
"Percebi que estava num relacionamento abusivo acho que desde muito cedo, mas eu não sabia nomear. A violência psicológica não deixa marca visível, mas ao mesmo tempo, agora olhando para trás, eu consigo, sim, ver a violência psicológica se transformando no meu corpo em formas de queda de cabelo, olho tremendo, falta de apetite, doença como anorexia. Essa tortura psicológica que aparece através do tratamento de silêncio, que é insuportável, tudo é para te desestabilizar e é tudo sobre controle", iniciou a modelo, com lágrimas nos olhos.
Em seguida, a apresentadora comentou que começou a consumir bebida alcóolica em excesso como 'escape'. "Dói também perceber que não é amor. Nunca foi amor, é tudo sobre poder, dominação e controle. Eu nunca sabia direito o que viria. Era sempre um 'pisar em ovos', sempre uma coisa muito extenuante fazer de tudo para que o dia terminasse bem, e não vai terminar bem. Eu comecei a beber muito. Acho que a gente vai procurando subterfúgios também para anestesiar a dor. Também ouvi muito das minhas amigas e do meu circulo familiar de que aquilo estava errado, porque era visível. Eu já não era eu mesma".
Mariana citou que um dos mecanismos do parceiro tóxico foi afastá-la de amigos e familiares. "O meu brilho tinha saído porque parece que tem alguém na sua jugular chupando e sugando tudo. Você vai minguando mesmo. A partir do momento que você tem um entorno, fica mais difícil de te manipular. Se for cortando essas pessoas, que são tão importantes para você e te lembram que você é, você se vê nelas também, fica muito mais vulnerável", complementou.
"Também é uma outra coisa, porque assim, nenhum amizade presta: 'Todas são ruins, invejosas, todas estão com ciúmes de você, todas estão querendo ser você'. É isso que você escuta. 'Sua família também não presta'". Acho que tem um jogo psicológico também de culpa, vitimização e o que é tão difícil também... escutei muito isso: 'Mas por que você não sai?'. E eu entendo porque foi só a partir do momento que vivi isso, que entendo que não é só isso. Não é uma relação saudável, não é simples sair. Existe uma dependência que acaba aparecendo também. O problema dessa relação é que ela vai na tua identidade, a maneira como você se enxerga no mundo, como você é. A partir do momento que você não sabe mais o que é, é como se a gente fosse um zumbi".
127, ramal 2; Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV/MPRJ): (21) 2215-7130 / 7138 e nav@mprj.mp.br; Central de Atendimento à Mulher: 180.



Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.