Debora Bloch Divulgação / TV Globo

Rio - Uma das atuações mais comentadas em 2025 foi a de Debora Bloch no remake de "Vale Tudo", da TV Globo. Aos 62 anos, a atriz assumiu o desafio de interpretar Odete Roitman, uma das maiores vilãs da teledramaturgia brasileira. Segura no papel, a veterana conquistou o público e a crítica, tornando a empresária implacável reescrita por Manuela Dias o grande destaque da televisão neste ano. 
A responsabilidade de revisitar a personagem vivida por Beatriz Segall, que morreu aos 92 anos, em 2018, na versão original, exibida em 1988, nunca foi ignorada pela artista. "Foi um desafio encontrar a minha Odete, reverenciando a dela, mas ao mesmo tempo diferente. Tive muito prazer em interpretar essa personagem tão rica e bem construída, com diálogos afiados, e com tantas camadas. Daquelas personagens raras na carreira da gente. Havia muita expectativa em torno da novela e de todos os personagens. Então, fiquei muito feliz com a aceitação do público e com toda repercussão", declara.
Com o sucesso, veio também a repetição de um fenômeno clássico da teledramaturgia: a personagem que ultrapassa a ficção. Assim como Beatriz na primeira versão, Debora passou a ser chamada de "Odete" fora dos estúdios.  
"Já estava preparada pra isso acontecer se fosse sucesso. Vivi isso quando fiz 'Bete Balanço' (1984). Por muitos anos era chamada de Bete e onde eu chegava tocava a música do Cazuza ou alguém cantarolava do meu lado. Até hoje quando estou numa festa o DJ coloca 'Bete Balanço' pra tocar", relembra aos risos. "Mas quando eu era garota isso começou a me incomodar porque ator quer mudar de pele e personagem. Hoje estou mais madura, sei que é assim mesmo e fico feliz de ter marcado as pessoas com a minha Odete".
Uma das novidades do remake foi a abordagem da maturidade feminina. A dona da TCA, empresa de aviação, se impôs como uma mulher desejável, rompendo estereótipos, e ganhou o apelido de 'loba' dos internautas. "É algo que já estava na primeira versão de forma mais sutil e que a Manuela colocou mais explícita. E eu junto com o Paulo, diretor e a Marie, figurinista quisemos aproveitar e ressignificar o papel da mulher de 60 anos. Acho que a representação artística é algo muito importante na vida das pessoas", afirma Debora. 
O desfecho da vilã também foi diferente da versão original. Depois de levar um tiro, disparado por Marco Aurélio (Alexandre Nero), Odete sobreviveu e forjou a própria morte com a ajuda de Freitas (Luis Lobianco). No folhetim de 1988, a empresária foi assassinada por Leila (Cassia Kis).
Questionada sobre a importância de 2025 na própria carreira, a veterana não esconde que o ano ficará guardado na memória. "Foi um ano marcante, sim, porque foi uma personagem marcante na minha trajetória. Acho que posso dizer que é uma das minhas personagens preferidas".
Intimidade
Na vida pessoal, a artista encara a passagem do tempo com naturalidade. "Acho a maturidade uma benção. Me sinto mais tranquila e satisfeita hoje do que quando era jovem. Tendo saúde, toda idade pode ser boa e potente. Acho que tem as perdas, claro, as chatices como fazer mais exames, usar óculos pra ler...mas acho que tem muitos ganhos. É aceitar, é a natureza. Pra mim, se estiver com saúde estou no lucro".
A atriz mostrou vitalidade e até dançou 'na boquinha da garrafa' em registros de algumas festas com os colegas elenco que viralizaram nas redes sociais, mas garante que o ano foi de entrega quase absoluta à novela. "Fora o meu aniversário só fui a do Humberto (Carrão), da Carol (Dieckmmann) e da Mart'nália! Mal conseguia ir as festas da equipe e ver meus amigos e família. Ninguém tem ideia do trabalho louco que é gravar novela. Ainda mais uma personagem como Odete que tinha muito texto, que exigia estudar e tempo pra decorar", conta. 
Mesmo com a rotina intensa de gravações do folhetim, Debora reservou tempo para viver um momento especial: a união da filha, Júlia Anquier, com a cantora Maria Beraldo em maio. "É uma alegria ver minha filha feliz, encontrando o amor e uma companheira tão legal como a Maria. Foi muito emocionante o casamento delas. Ela tem uma relação linda, é bonito de ver. É algo tão raro um encontro desses que me deixa muito feliz. Fez 2025 fez um ano mais marcante pra toda a família".
Conhecida por resguardar sua privacidade desde o início da carreira, a atriz segue firme nessa escolha, mesmo em tempos de exposição constante. "Trabalho desde os 17 anos e não gosto de expor a minha vida pessoal. Agora em tempos de redes sociais ficou mais difícil ainda, porque onde você vai tem alguém filmando e postando. Acho isso muito chato. Então tento me preservar. O que é público é o meu trabalho, as personagens que faço, e não a minha vida. Prefiro que seja assim", diz. 
Merecido Descanso
Após um ano tão exigente com a personagem de destaque em "Vale Tudo", a artista planeja desacelerar e recarregar as energias. "Costumo me esconder no meu sítio no meio do mato. Onde descanso, planto, leio e fico tranquila", revela. 
Com a reta final do ano, Debora pretende aproveitar essa pausa antes de pensar no futuro profissional. "Ainda não tenho nada fechado para 2026. Estou recarregando as baterias para um próximo projeto. Tenho desejo de voltar ao teatro, mas ainda sem plano fechado", antecipa.