Milton Cunha comenta planos pessoais e profissionais para 2026: ’Viver mais’Divulgação

Rio - Natural de Belém, no Pará, Milton Cunha é uma figura conhecida do público devido ao talento, carisma, looks chamativos e bordões "babilônicos". Alto-astral, o carnavalesco de 63 anos está com vários planos pessoais e profissionais para 2026. Ele pretende aproveitar momentos de diversão, se dedicar os estudos do pós-doutorado e ainda almeja um novo programa com pegada popular.

"Em 2026 eu quero terminar o terceiro pós-doutorado e quero fazer algum programa de TV sobre cultura popular, folia popular, arte popular. Quero apresentar um programa, como a Globo tem me dado esse 'Rolé do Milton'. E aí, quero mais trabalho, mais coisas, quero me divertir mais, viver mais. Plantei e agora estou colhendo. Estou feliz", celebra Milton, citando o programa que estreou neste ano.
E por falar em projetos profissionais, o comentarista vai se dedicar ao trabalho até na virada do ano, apresentando o Rio Réveillon 2026, em Copacabana, no Palco Samba. "Adoro passar lá com os meus amigos sambistas, o público sambista. É uma forma de eu devolver para o público da cidade que gosta de mim, gosta de samba, gosta de animação. Eu celebro com eles o ano novo, a virada".
A festa na Rua República do Peru, na Zona Sul, será comandada pela DJ Tamy, Roberta Sá, Mart'nália, Diogo Nogueira, Feyjão, que convida o Bloco da Preta, e a Grande Rio, a partir das 18h.

E por falar em samba, o comentarista está animado para os desfiles do próximo ano. "O Carnaval 2026 vai ser cheio de cultura, histórias bonitas e homenagens lindas. Estou esperando muita força das comunidades e sambas lindos. Quero que todo mundo brilhe", diz.
Milton ainda comenta a paixão pelo Carnaval. "Já estou há quinze anos na transmissão e há trinta na folia. Eu olho com olhos de criança encantado para isso tudo. É isso que me segura, me deixa acordado, me leva. É isso que me traz a paixão pela cultura popular. Nunca é igual, cada ano é um ano".

Apesar de tanta história na folia, ele acredita que ainda não é o momento de se tornar o grande homenageado de uma agremiação. "Ainda está cedo. Acho que quando eu virar enredo, aí eu já vou ter uma consagração maior na televisão. Preciso dessa outra coisa, porque o enredo vai ter que mostrar que eu era sobretudo artista. Então, ainda não está na hora, não. Deixa eu envelhecer mais", afirma ele.

Universidade Carnaval

Um dos reitores da Universidade Livre do Carnaval de Maricá - junto com a rainha de bateria da Mangueira Evelyn Bastos e Vovô do Ilê -, Milton destaca a importância do projeto "É fabuloso, porque democratiza o saber tão importante da escola de samba. E esses alunos já estão trabalhando nos barracões, já estão fazendo festas de criança. Ou seja, é uma forma de você municiar a população que gosta de trabalhos manuais para se jogar no mercado de trabalho. É um projeto lindo, que vai crescer. Esse ano de 2026 [terão] muitos cursos técnicos. [...] Muitos talentos em Maricá".

Ao integrar a Universidade do Carnaval unindo o lado da folião e acadêmico, o comentarista ressalta que possui múltiplas facetas. "Eu curso meu terceiro pós-doutorado no Museu Nacional, eu sou pesquisador, mas junto com isso sou artista, sou comunicador, adoro me enfeitar colorido, me fantasiar, dançar, brincar. Então, não acho que os seres humanos são uma coisa só, sabe? Nós somos multifacetados. Eu vivo a minha vida de forma muito livre", destaca o carnavalesco.
Natal Brasilidade
Especialista do Natal Brasilidade Maricá 2025, com desfiles que aconteceram até domingo (28), Milton detalha as inspirações em elementos nacionais para compor a grande festa. "A gente vai para o cordel, que tanto explorou imagens bíblicas, como os três reis magos, manjedoura, estrela de Belém.[...] Muitos indígenas também, muitas damas chita. Eu faço um Natal de chita, de cangaceiros do bem, do amor, que é a arma mais poderosa. Também vão encontrar muito da negritude".

"O Natal Europeu é muito branco, de olho azul, neve, Papai Noel, e o que mais me impressiona no Natal é a mensagem de humanidade de Jesus. Vivia com os miseráveis, com os doentes, lavou o pé de Maria Madalena, isso eu acho de um ensinamento. Porque o mundo é tão soberbo. Aí eu digo: 'Não, eu vou pegar pelo lado da humanidade, eu vou pegar o nascimento de Jesus nos ensinando que a mensagem dele está no coração dos pescadores, dos quilombolas, dos sertanejos, do povo simples, do cordel", fala o artista.
Reconhecimento do público

Milton, que fala abertamente sobre a sua sexualidade e história de vida, revela que já recebeu relatos de pessoas que começaram a entender os familiares LGBTQIAPN+ devido aos seus relatos. "O que mais eu vejo são pais e mães dizendo para mim na rua: 'Você me ajudou a entender meu filho, hoje eu trato ele ou ela de forma diferente'. E isso é nos aeroportos, na rua, todas as classes, todos os lugares", fala o carnavalesco.

"A minha história é de muita coragem porque eu sou movido por uma certeza de que o bem leva a gente longe, de que o estudo é fundamental, de que tratar todo mundo bem, respeitar é o máximo. Então, acaba que eu acho que a carreira volta, tudo volta porque eu acho que é a lei do retorno", complementa.

Milton, por fim, se diverte ao contar que por onde anda, escuta seus bordões "na boca do povo". "Esse meu linguajar já entrou na loucura do brasileiro. Eu passo e eles gritam: 'Faraônico'. Eles não sabem dizer 'nabucodonossoriano', eu adoro. Então, são qualificativos que eu fui catando ao longo da minha vida. E a cada ano eu vou descobrindo novos, então não há limites para o glamour e o desvario".

Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa