Grupo Menos é MaisThaís Mallon / Divulgação

Rio - Formado por Duzão, Gustavo Goes, Ramon Alvarenga e Paulinho Félix, o Menos é Mais é um dos grandes destaques do pagode. Com mais de cinco bilhões de visualizações no Youtube, o grupo brasiliense levou o gênero ao topo dos rankings das plataformas de música, após anos de domínio do sertanejo, com o hit "P do Pecado", em parceria com Simone Mendes, e ainda coleciona outros hits na carreira. Em entrevista ao MEIA HORA, Gustavo, porta-voz do quarteto na conversa, comenta a fase atual do grupo, fala sobre o lançamento de "Churrasquinho 4" e aponta os planos para este ano. Confira! 
- Vocês lançaram o "Churrasquinho 4" em um momento especialmente positivo da carreira do grupo. O que esse novo projeto representa artisticamente para vocês?

O "Churrasquinho 4" representa um momento de maturidade e consolidação do Menos é Mais. O público já conhece bem os nossos projetos, não apenas o 'Churrasquinho', e agora sentimos que era a hora de mostrar essa evolução do grupo. Trouxemos muitas músicas inéditas, algo diferente de outras edições, sem abrir mão das regravações, que são uma marca do projeto. Além disso, o trabalho antecipa como será o evento que vai ganhar as ruas em 2026, passando por 10 cidades, com a dinâmica de palco, movimentações e interações que traduzem as várias horas de pagode que vamos apresentar ao vivo.

- "Brinda Aê" foi escolhida como faixa foco. Por que ela traduz tão bem o espírito desse novo trabalho?

"Brinda Aê" tem a cara do Churrasquinho. A linguagem, os arranjos e a sonoridade são genuinamente pagode, sem diálogo com outros gêneros. A música conta uma história de luta, rotina e conquista, celebrando a vitória, algo muito brasileiro. Ela também dialoga com o período em que foi lançada, entre o fim de um ano e o começo de outro, quando o país vive um clima constante de comemoração, entre dezembro e o Carnaval. Soma-se a isso o contexto da Copa do Mundo, que costuma despertar um sentimento maior de união e patriotismo, deixando rivalidades de lado para reunir todo mundo em torno de uma cerveja e de um bom pagode. É essa vibe que a faixa carrega.

- A gravação reuniu cerca de 15 mil pessoas em São Paulo. De que forma a energia do público influencia as decisões criativas e o clima dos projetos do grupo?

A energia do público dita o ritmo das gravações do Menos é Mais, seja em projetos intimistas ou em grandes eventos. É essa troca que traz calor às músicas e faz a batucada pulsar mais forte. Quanto maior a plateia, maior também a responsabilidade. No "Churrasquinho", o grupo buscou entregar leveza e precisão, com muita preparação, por se tratar de um projeto que é a cara do Menos é Mais e que levou o nome do grupo para todo o Brasil. Esse cuidado se reflete em cada detalhe: escolha de repertório, arranjos, momento da gravação e até na experiência do público no evento.
- "P do Pecado" lidera rankings de streaming e rádios, além de quebrar uma hegemonia de sete anos do sertanejo no topo. Vocês tinham dimensão do impacto que essa música poderia alcançar?

"P do Pecado" foi uma explosão positiva na trajetória do Menos é Mais. O grupo acreditava na força da música e sabia que era diferente, mas não imaginava que ela poderia alcançar lugares tão altos. A canção chegou inicialmente com uma pegada de reggaeton, vinda de compositores ligados ao sertanejo, e foi traduzida para a linguagem do pagode, mantendo a parceria com Simone Mendes. Sobre os rankings e números, a satisfação é grande, mas o mais relevante é ver o pagode chegando a cidades e espaços onde antes havia menos abertura, com o público cantando em coro nos shows. Essa conexão diz mais sobre o momento vivido pelo Menos é Mais do que os resultados estatísticos. Não se trata de desbancar o sertanejo, até porque não há competição, o gênero também contribuiu para esse sucesso, tanto pela parceria com Simone Mendes quanto pelo público que abraçou a música. É, acima de tudo, uma vitória da música.

- O sucesso abriu novas possibilidades criativas. Há espaço para outras fusões musicais nos próximos projetos, como a parceria com Simone Mendes, ou a ideia é aprofundar ainda mais o pagode em sua essência?

O Menos é Mais vive hoje o melhor momento da carreira, o que permite fazer escolhas com mais segurança. A ideia é manter o que vem dando certo e, ao mesmo tempo, inovar. O grupo seguirá com o projeto Molho, que tem forte conexão com o público, e planeja uma gravação maior no fim do ano, trazendo novidades e mostrando novas facetas do Menos é Mais. As parcerias continuam surgindo a partir da música: primeiro vem a canção, depois a escolha de artistas que tenham afinidade estética e energética com o grupo. O foco é seguir criando, motivado pela resposta do público, a quem o grupo atribui todas essas conquistas.

- Existe algum feat dos sonhos que ainda não aconteceu, mas que vocês gostariam de realizar?

Existem muitos feats dos sonhos, o que torna difícil citar apenas um. O Menos é Mais se inspira em diferentes gêneros e referências, não apenas no pagode. Entre os nomes admirados estão Djavan e Ivete Sangalo, além de grandes ídolos do pagode como Fundo de Quintal – com quem já gravamos –, Grupo Revelação e Sorriso Maroto. As influências são diversas, reflexo da formação cultural de Brasília, e os sonhos seguem abertos.

- Como estão os planos de turnê para os próximos meses? O público pode esperar novidades ou formatos diferentes de show?

A agenda dos próximos meses segue intensa, com a missão constante de rodar o Brasil em shows semanais. Em 2026, o grupo também volta ao exterior, com apresentações confirmadas em Portugal, além de outros destinos ainda não divulgados. Entre as novidades, está a circulação do 'Churrasquinho' do Menos é Mais e a preparação de shows especiais em cidades estratégicas. A proposta é seguir se renovando, atualizando o repertório e oferecendo experiências diferentes ao público ao longo do ano.

- Vocês costumam reforçar que preferem ser conhecidos pela música, longe de polêmicas. Em um cenário de superexposição e redes sociais, como manter esse equilíbrio?

O equilíbrio entre visibilidade e discrição acontece de forma natural. O grupo nunca buscou polêmicas e acredita que ainda não ocupa esse lugar de superexposição da vida pessoal. Nas redes, o foco segue sendo a música, embora o Menos é Mais entenda que o público gosta de conhecer um pouco do cotidiano dos artistas. Essa aproximação acontece sem excessos, mantendo a essência e priorizando o trabalho musical, que sempre foi o principal motor da trajetória do grupo.

- Depois de tantas conquistas em 2025, quais são os principais objetivos do grupo para 2026?

Para 2026, os objetivos passam por continuar buscando boas músicas, parcerias coerentes com a identidade do grupo e entregas consistentes ao público. Após um ciclo muito positivo entre 2024 e 2025, a meta agora é manter o mesmo espírito: felicidade, realização pessoal e gratidão. O Menos é Mais quer seguir vivendo intensamente as conquistas, valorizando cada passo da caminhada.

- Olhando para o futuro, qual é o maior sonho coletivo do Menos é Mais que ainda falta realizar?

O grupo entende que muitos dos maiores sonhos já foram realizados, especialmente quando conseguiu, há sete anos, viver exclusivamente da música, um feito significativo no cenário brasileiro. Rodar o Brasil e o mundo também já se tornou realidade. Por isso, mais do que projetar objetivos distantes, o momento é de manter os pés no chão, seguir trabalhando com dedicação e aproveitar tudo o que ainda está por vir ao longo de 2026.