Ferrugem Thais Marques / Divulgação

Rio - Com mistura de elementos do soul dos anos 70 e pagode, Ferrugem fala sobre o amor de maneira ainda mais profunda no álbum "Sentimentos", lançado recentemente. Gravado no Teatro Municipal de Niterói, o projeto conta com 12 faixas inéditas, entre elas "Apagar" e "Arrependidaço", que já estão na boca do povo. O artista de 37 anos vibra com o sucesso deste trabalho em tão pouco tempo.  
"É incrível. Quando as pessoas já estão cantando, comentando, se identificando tão rápido, dá a sensação de que a mensagem chegou. Isso mostra que a conexão continua viva. Dá aquele friozinho na barriga, claro, mas acima de tudo dá vontade de continuar sendo verdadeiro com o que eu sinto e canto", comemora. 
Ao longo da trajetória musical, Ferrugem sempre cantou sobre o amor, superação, felicidade... Ele, então, comenta como esse trabalho se diferencia dos outros. "Esse disco nasce de um lugar ainda mais criterioso. Eu já venho há mais de um ano escolhendo repertório, deixando música pelo caminho, retomando outras, até entender o que de fato fazia sentido contar agora. Com o tempo, a gente vai ficando mais exigente mesmo", acredita o artista. 
"'Sentimento' é um álbum pensado como um todo, não como faixas soltas. Cada música conversa com a outra, como capítulos de uma mesma história. É mais direto, realista e mais profundo emocionalmente. Quis cantar o amor como ele é: bonito, intenso, mas também dolorido às vezes", completa.
Escolher o repertório não foi uma tarefa fácil. "O filtro foi identificação. Ouvi muita coisa e fui separando aquilo que me atravessava de verdade. O disco passa por vários momentos de uma grande história de amor: a conquista, o auge, os conflitos, a separação, a possibilidade de voltar. Tem coisa ali que eu vivi, tem coisa que vi pessoas próximas viverem. Acho que muita gente vai se reconhecer", diz ele, que aponta suas canções prediletas deste trabalho. "Hoje, a faixa escondida 'Amar ou Odiar' e 'Casal do Mal' são músicas que mexem muito comigo e é uma grande aposta".
"Sentimento" foi inspirado nos programas de TV dos anos 70, com referências aos clássicos do samba e do jazz. "A ideia veio muito da estética e da sonoridade dos anos 70. Sempre me conectei com o groove mais orgânico dessa época, dos arranjos do soul e da disco. Isso refletiu direto nas escolhas do álbum: menos sintetizadores, mais instrumentos orgânicos, arranjos mais simples e uma performance mais focada na interpretação e no sentimento. A ideia foi tirar o pagode do automático e levar pra um lugar mais artístico, íntimo e emocional", explica Ferrugem.
E por falar nas emoções, o cantor entrega que seu 'estado de espírito' influencia diretamente nas músicas que ouve. "Totalmente. Eu sou muito movido por sentimento, então a música acompanha isso. Tem dia que eu quero ouvir algo mais leve, tem dia que quero algo mais intenso. 'Sentimento' nasceu muito desse lugar de olhar pra dentro, entender melhor minhas emoções. Cuidar do que a gente sente é essencial, e a música sempre foi uma forma muito honesta de expressar isso". 
Cria da Zona Oeste 
Natural de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, Jheison Failde de Souza, mais conhecido como Ferrugem, ganhou notoriedade em 2015 com o hit "Climatizar". Desde então, coleciona sucessos como "Tentei Ser Incrível", "Ensaboado", "Pirata e Tesouro", "Pra Você Acreditar", "É Natural" e "Sinto Sua Falta". Atualmente, o ele tem mais de 10,5 bilhões de reproduções nas plataformas digitais e quase 10,5 milhões de ouvintes mensais no Spotify. O artista celebra a trajetória profissional e suas origens.
"É motivo de muito orgulho, mas também de muita responsabilidade. São mais de 10 anos de uma trajetória em crescimento e muita gente olhando, se espelhando. Hoje eu encontro moleques de 12, 13 anos dizendo que começaram a cantar por minha causa. Isso vai muito além da música. É uma responsabilidade social também. Eu tento manter os pés no chão, lembrar de onde eu vim e entender que sucesso não é motivo pra se sentir maior do que ninguém", frisa. 
Carnaval
O cantor está com a agenda cheia no carnaval. "É uma época intensa, mas também muito especial. É trabalho, claro, mas é uma celebração da nossa cultura, né?. A gente se organiza pra dar conta e aproveitar da melhor forma possível", diz ele, que pretende prestigiar a mulher, Thais Vasconcellos, que será destaque no Salgueiro. A agremiação desfila no dia 17 de fevereiro. "Eu acompanho tudo de perto e dou muita força pra ela. Ver a Thais vivendo esse momento é lindo. A gente se apoia muito, e estar presente é essencial. Família é minha base, sempre foi".