Anitta lança álbum 'Equilibrivm'Jhuan Martins / Divulgação
Anitta abre shows de The Weeknd no Brasil e vive transição com novo álbum 'Equilibrivm'
Escalada para a turnê do canadense, artista detalha o projeto mais caro da carreira e comenta relação com Shakira
Rio - Escalada para abrir os shows do cantor canadense The Weeknd no Brasil, Anitta já avisou que não deve transformar o palco em vitrine de seu álbum recém-lançado, "Equilibrivm". A escolha de priorizar a estética do funk não só define o repertório da apresentação como também revela o momento de transição vivido pela artista, que divide sua carreira entre o espetáculo global e uma fase mais conceitual e introspectiva.
"Não dá pra eu cantar 'Ternura' naquele palco do The Weeknd. A música (São Paulo) que deu certo com ele é um funkão explícito", afirma, ao justificar a decisão de não centrar o set nas faixas do novo projeto. "Não criem a expectativa de que é um show do álbum", pede ela, destacando que a apresentação será mais curta e alinhada ao clima sombrio e cinematográfico que marca a identidade da turnê do artista.
A participação de Anitta inclui três datas no Brasil, com a primeira sendo no Rio de Janeiro, no Estádio Nilton Santos, neste domingo (26), e apresentações em São Paulo, no Estádio Morumbis, na quinta-feira (30) e 1º de maio. Além do show de abertura, ela também retorna ao palco para dividir com The Weeknd o hit "São Paulo", uma parceria dos dois.
Lançado recentemente, "Equilibrivm" marca o oitavo álbum de estúdio da artista e representa uma guinada conceitual em sua trajetória. Com 15 faixas, o projeto mistura gêneros como funk, samba, MPB e afrobeat, reunindo nomes como Liniker, Luedji Luna e Rincon Sapiência.
Mais do que um trabalho musical, Anitta define o disco como uma experiência. "Podemos ver o álbum como um ritual, porque ele vai de um ponto que segue uma ideia", fala. A construção simbólica se revela já na estrutura: o projeto começa e termina com referências à pombagira, entidade espiritual feminina presente em religiões de matriz africana.
Apesar da abordagem, a Poderosa evita posicionar o álbum como uma ferramenta direta de combate ao preconceito religioso. "Não sei se consegue enfrentar o preconceito, porque acho que as pessoas que já têm esse ódio dentro delas não estão abertas para escutar o outro", pondera. Ainda assim, ela reconhece o potencial para quem compartilha dessas crenças: "Espero que ajude as pessoas a se sentirem mais fortes, principalmente diante do julgamento social".
Ao longo das faixas, "Equilibrivm" dialoga com questões sociais e políticas. Anitta, que frequentemente se posiciona publicamente, reforça que vê a arte como espaço de provocação e reflexão, mas sem abrir mão da liberdade criativa. "Quando a gente fica muito preocupado em lacrar, às vezes não faz algo incrível", diz. Para ela, o disco surge como uma resposta à polarização e ao ambiente de intolerância nas redes sociais. "O mundo nunca vai melhorar se a gente não conseguir parar com esse ódio um com o outro".
A cantora também é enfática ao comentar as críticas vindas de setores mais conservadores. "Eu não trabalho pensando nesse público. Eles não estão interessados em mim, só se for pra ganhar engajamento, pra falar mal, pra ganhar alguma vantagem nesse sentido. Não teria porquê eu pensar nessas pessoas. Vejo como uma coisa completamente indiferente e irrelevante", declara.
Parceria com Shakira
Entre os destaques do álbum está a colaboração com Shakira na faixa "Choka Choka". A parceria, segundo Anitta, nasceu de forma espontânea, e também da proximidade pessoal entre as duas, que são vizinhas em Miami. "Ela já era uma amiga. Mostrei o álbum e ela escolheu essa, e então gravamos à distância", conta. A entrada da colombiana, no entanto, trouxe um desafio adicional: os visuais da faixa já estavam prontos antes de sua participação, o que exige adaptações.
Anitta não poupou elogios à colega. "Ela me manda flores no meu aniversário, me mandou flores depois do álbum. É uma amiga muito cuidadosa, muito querida", revela. A conexão entre as artistas ganha ainda mais relevância com a presença de Shakira no Brasil, onde fará um megashow na Praia de Copacabana no dia 2 de maio.
O álbum mais caro da carreira e futura turnê
Outro ponto que chama atenção em 'Equilibrivm' é o investimento financeiro. Segundo Anitta, se trata do projeto mais caro de sua carreira, resultado de uma produção ambiciosa que envolveu deslocamento de equipes, gravações em locações como Ibitipoca (MG) e Serra da Ibiapaba (CE), além de uma estratégia robusta de divulgação. "Eu estava tão feliz com o que estava criando que queria fazer mais". Apesar de não revelar valores, ela admite que extrapolou padrões anteriores. "Foi o álbum que mais gastei dinheiro em tudo".
Se nos palcos da "After Hours Til Dawn Tour" a artista aposta em um repertório alinhado ao funk e à energia de grandes arenas, o futuro da turnê de "Equilibrivm" seguirá caminho oposto. A proposta é de apresentações menores, mais conceituais e voltadas a um público disposto a mergulhar na narrativa completa do disco. "Não vai ser um show popular. Para ir, você precisa ter ouvido o álbum inteiro", explica. A ideia é criar uma experiência introspectiva, distante do formato festivo que marcou projetos anteriores, como os "Ensaios da Anitta".




