Naldo Benny lança Casa do Naldo 2 ? Em CasaDivulgação
Gravei o 'Casa do Naldo' como uma continuidade do primeiro projeto. Fiquei muito satisfeito com a resposta do público, com o reconhecimento pelo meu talento vocal e pela capacidade de transitar por outros gêneros, como o pagode, em regravações como 'Papel Machê', 'Flor de Lis' e 'Final Feliz'. O retorno foi muito positivo, orgânico e espontâneo. Vi isso nos comentários, nos números e na repercussão. Muitas pessoas destacaram que gostaram de me ouvir cantando pagode e reconheceram esse lado da minha voz, que às vezes não aparece tanto no funk. Nesse novo trabalho, misturei outros estilos, como a black music, com arranjos mais elaborados, inspirados nos anos 80. Essa diversidade foi o que mais me motivou a dar continuidade ao projeto.
- Esse audiovisual tem uma proposta mais intimista, 'em casa'. O que você quis mostrar de diferente pro público com esse formato?
O 'Casa do Naldo' em casa representa exatamente o que eu vivo no meu dia a dia. O primeiro projeto foi muito inspirado em memórias afetivas, principalmente das visitas à casa da minha avó, quando eu ouvia samba e pagode. Já o segundo foi gravado literalmente na minha casa, no dia do meu aniversário, com uma proposta mais íntima. A ideia era mostrar um momento real, como se eu estivesse reunido com amigos, ouvindo música e fazendo um churrasco. Mesmo sendo uma proposta mais pessoal, o projeto ganhou uma estrutura maior do que eu imaginei, com equipe, cenário e direção feitos por mim. Ficou um trabalho mais elaborado, mas sem perder essa essência de proximidade.
- Depois de tantos anos de estrada, o que ainda te motiva a subir no palco e gravar novos projetos?
Depois de tantos anos de carreira, realmente não é simples encontrar motivação o tempo todo. Já tenho projetos muito marcantes, como o DVD de 2013, que considero um dos maiores dentro do meu segmento. Mas o que me move é o reencontro com amigos, a possibilidade de revisitar músicas e ver o projeto tomando forma. Quando tudo começa a acontecer, vem a energia, a alegria e a vontade de seguir criando.
- Você saiu de uma realidade muito difícil no Complexo da Maré até se tornar um dos nomes populares do país. Em que momento você percebeu que tinha virado a chave na sua vida?
Percebi essa virada em 2009, quando gravei 'Na Veia'. A música começou a tocar no Brasil inteiro e fui convidado para participar do 'Show da Virada', na Globo. Naquele momento, mesmo sem uma grande estrutura de equipe, entendi que estava no caminho certo. A partir dali, senti que minha música poderia me levar mais longe. Antes mesmo de outros sucessos, como 'Chantilly' e 'Amor de Chocolate', já dava para perceber que algo diferente estava acontecendo. Os shows cresceram, o público aumentou e eu entendi que dali em diante seria um caminho sem volta.
- Sua carreira tem fases de muito sucesso e também momentos mais turbulentos. Como você enxerga hoje esses altos e baixos?
Os momentos mais difíceis da minha vida foram as perdas da minha mãe, do meu irmão e de pessoas importantes que estiveram comigo no início da carreira. Minha trajetória sempre foi marcada por superação, desde o começo, saindo de uma realidade difícil e sem apoio. Hoje, consigo olhar para tudo isso com gratidão, entendendo que essas experiências me fortaleceram e fizeram parte da construção da minha história.
Essas perdas são muito duras. A saudade é inevitável quando existe amor. Ao mesmo tempo, sigo em frente porque sei que eles torciam por mim e queriam ver tudo isso acontecer. Minha forma de lidar com essa ausência é continuar realizando os sonhos que também eram deles. Existe uma mistura de emoção, saudade e gratidão. São sentimentos que acabam sendo transformados em música e me dão força para seguir.
- Você tem um estilo que mistura funk, pop e R&B. Hoje, como você define o 'som do Naldo'?
O meu som tem raiz no funk pop, mas eu me defino como um artista que faz música, sem se prender a um único gênero. Gosto de explorar diferentes estilos, seja uma música romântica, um R&B ou algo mais dançante. Já fiz trabalhos com diversas sonoridades ao longo da carreira e continuo aberto a experimentar. A base é o funk, mas a música me permite ir além e explorar novas possibilidades.
- A indústria da música mudou muito com redes sociais e plataformas digitais. O que você precisou aprender para continuar relevante?
As redes sociais facilitaram muito a divulgação, mas também trouxeram desafios, como a valorização excessiva dos números. Mesmo assim, acredito que o talento sempre se destaca, independentemente da ferramenta. A indústria está sempre mudando, como já mudou antes, e o mais importante é continuar evoluindo junto com ela.
- Existe algo na sua carreira que você sente que ainda não conquistou e quer realizar?
Tenho muita vontade de conquistar mais reconhecimento na música, como premiações. Tudo o que envolve música me motiva, seja ter uma canção tocando, ser premiado ou reconhecido pelo meu trabalho. Isso faz parte da construção da minha história e é algo que ainda quero alcançar.








