Gabriela Duarte em podcast Reprodução / Youtube
“Eu amarguei, eu amarguei. Não foi fácil”, disse. Na sequência, completou: “Eu tive medo. Mas eu falei: ‘Agora não dá mais pra voltar atrás. Agora eu vou até o final’”.
Ao relembrar aquele período, Gabriela explicou que tentou adiar ao máximo uma conversa mais direta com a mãe. Segundo ela, a parceria entre as duas funcionava muito bem em cena e também era vista de forma positiva por quem estava de fora. “A gente era uma dupla, indiscutivelmente a gente era uma dupla incrível”, afirmou. “A intimidade, a cumplicidade, a verdade que aquilo transmite, tava tudo certo.”
O problema, segundo a atriz, é que esse lugar foi ficando confortável para todo mundo, menos para ela. “Virou um lugar confortável”, disse. “Pra mim começou a ficar muito ruim.” Gabriela contou que já era adulta quando começou a sentir esse desgaste com mais força. Na época de "Por Amor", novela em que atuou com Regina e que ela definiu como “a novela de maior sucesso que a gente fez até hoje”, tinha 21 anos.
Depois desse trabalho, as duas seguiram em sequência em novos projetos. Gabriela lembrou que fez a fase jovem de Chiquinha Gonzaga, enquanto a mãe interpretou a personagem na maturidade e na velhice. “Foi um trabalho lindo”, disse. Mas, passada essa experiência, começou a se perguntar qual seria o próximo passo. “E agora? O que vem depois de mãe e filha e depois da mesma personagem?”
Segundo a atriz, novas propostas começaram a surgir de novo em torno dessa mesma lógica. Houve mais uma possibilidade de mãe e filha, depois uma peça em que as duas também atuaram juntas por anos. Gabriela contou que seguiu enquanto aquilo ainda fazia sentido, mas passou a travar quando o audiovisual voltou a insistir em relações parecidas. “Ah, elas são vizinhas”, “elas são tia e sobrinha”, lembrou, ao citar algumas ideias. Até que decidiu interromper o movimento. “Eu falei: ‘Não, chega. Chega. Agora não dá pra mim, gente. Agora estamos forçando uma barra que eu não estou mais a fim’”.
Foi aí que aconteceu a conversa com Regina. “Ela não gostou”, disse Gabriela. A atriz também afirmou que a empresa em que trabalhava na época tampouco via com bons olhos essa separação, porque a parceria entre as duas tinha peso comercial. “Regina e Gabriela Duarte”, resumiu, ao citar a força do nome das duas juntas. Ainda assim, decidiu sustentar a escolha. “Quem dorme comigo? Quem toma banho comigo? Quem convive 24 horas do dia comigo? Eu. Então quem tem que estar feliz sou eu.”
Ao longo da conversa, Gabriela disse que já travava internamente esse embate muito antes de o termo “nepo baby” ganhar força nas redes. “Eu já brigava com a coisa do nepo baby muito antes desse termo existir”, afirmou. “Eu respeito, eu amo, eu admiro. Imagina, minha mãe, essa que me deu a vida. Mas eu sempre soube que eu também tinha o direito humano de falar assim: ‘Eu não quero ser a mesma pessoa, eu não sou a mesma pessoa que ela. Eu me recuso a ser a mesma pessoa que ela’.”
A atriz disse que esse processo não teve a ver com negar a mãe ou apagar a história das duas, mas com poder existir de outra forma. “Eu não me sinto mais obrigada a compartilhar das mesmas ideias, a andar juntinho assim como se a gente fosse aquela duplinha dinâmica inseparável. Eu quero poder pensar por mim mesma, eu quero poder ser uma coisa diferente, embora seja filha.”
Questionada sobre o resultado dessa ruptura, Gabriela respondeu que, para ela, valeu a pena. “Pra mim adiantou. Esse é o mais importante”, disse. “Pra mim se resolveu. Se fez um ciclo que se fechou da forma como ele tinha que se fechar.”
Gabriela Duarte é uma atriz com mais de três décadas de carreira na televisão, no cinema e no teatro, conhecida por trabalhos como "Por Amor", "Chiquinha Gonzaga", "Passione" e "Orgulho e Paixão". Nos trabalhos mais recentes, ela lançou em 2025 o livro "Eu, Gabriela: Entre memórias, identidade e personagens" e esteve em cartaz com o monólogo "O Papel de Parede Amarelo e Eu", que marcou sua volta ao teatro em um projeto solo.



