Rio - João Guilherme participou do "Sem Censura", da TV Brasil, nesta terça-feira (12), e contou como lida com a diferença de opiniões e posicionamentos do pai, o cantor Leonardo. Protagonista do filme "O Rei da Internet", o ator destacou que sertanejo de 62 anos vem de uma família "muito conservadora", comentou que os dois conversam sobre tudo e elogiou a escuta dele.
"O meu pai é um cara de 65 anos. Ele nasceu e cresceu em um outro contexto, em um lugar movimentado pelo agro. Ele vem de uma família muito conservadora. Sou ator não só no set, mas na vida. E a gente tenta compreender as pessoas e humanizar essas pessoas. É claro que eu não vou ficar procurando uma desculpa, analisando e compreendendo todas as suas atitudes e está tudo certo. Não é isso", explicou João.
"Mas eu entendo como meu pai cresceu. Eu não acho que ele seja um cara agressivo, violento. A gente pode divergir em ideias, mas tenho argumentos, não são só opiniões. Então quando a gente dá argumentos fica: 'Beleza, entendo sua opinião, mas estou falando algo que é a realidade. Não é o que eu estou pensando, não é o que me ensinaram. Um ato tem consequência, então isso não pode ser assim'", completou.
Em seguida, o ator elogiou a postura do pai. "E ele escuta, e eu acho isso muito interessante. Primeiro esse respeito da escuta, porque ele poderia ou nem querer estar perto, ou poderia me cortar, ser um cara arrogante, ser firme. E ele é um cara disposto à conversa".
João, então, exemplificou: "Ontem mesmo (segunda), a gente teve uma pré-estreia em Goiânia, estava com a minha família. Nós estivemos juntos e a gente fala de todos os assuntos. A gente fala de arte, sobre cinema, minha posição como produtor associado do filme ('O Rei da Internet'), ele fala sobre música. E hora ou outra entra no assunto do que está acontecendo (no mundo), está mudando o TFE (Taxa de Fiscalização de Estabelecimentos), etc".
O ator comentou que os dois lidam bem com as diferentes opiniões. "Ele (Leonardo) vem com opiniões. É claro, não é de tudo que eu sei falar, e eu não vou ficar falando o que não sei. Mas a gente entra nesses assuntos, ele fala uma coisa, eu falo outra. Ela fala que precisa convocar o Neymar (para a Copa do Mundo), eu falo que não sei. E assim vai, está tudo certo. Não é a gente que vai tomar essa decisão".
Na conversa, João disse que gosta de conversar sobre outros assuntos com outros familiares. "Eu tenho irmãos mais novos e eu acho que quanto mais novo, mais vontade eu tenho de conversar sobre esses assuntos. Porque eu entendo que ainda tem uma coisa desse contexto. As pessoas estão no começo da vida também. Não é porque você está com 20, 30 anos que não consegue virar uma chave. Talvez quando você já tem uma família inteira construída do seu jeito, enfim. Eu tento ter essa conversa".
"E tem muitas pessoas na minha família que concordam comigo, que a gente caminha ideologicamente de forma parecida. E eu acho que é muito valiosa essa troca. É o meu pai! Eu tenho duas opções: ficar brigado com ele e falar: ‘Ah, porque ele vota nesse (político), ele é um m*rda. Eu não concordo'. Se fosse um estranho, tá tudo certo, eu não vou querer ser seu amigo. Mas o meu pai, o meu irmão, a minha família (fazem diferença) na minha vida. Não sou eu que vou comprar essa briga fatal. É uma pena essa escolha dele, mas tomara que o nosso país, através de educação e de inúmeros outros meios, tenha a ciência de não tomar a escolha errada. Se é que tem uma escolha certa", concluiu.