Selton Mello na série 'Sessão de Terapia'André Cherri / Divulgação
Selton Mello fala sobre nova temporada de 'Sessão de Terapia' e defende: 'Precisa ir para a TV aberta'
Ator retorna como Caio Barone em episódios que abordam maternidade, envelhecimento, autocobrança e os limites emocionais
Rio - Mais de dez anos depois da estreia, "Sessão de Terapia" continua encontrando novas formas de discutir emoções, traumas, inseguranças e relações humanas sem sair praticamente de uma única sala. Com Selton Mello no centro da produção, tanto como protagonista quanto na direção, a sexta temporada da série, que terá 35 episódios ao todo, já está disponível no Globoplay. Desta vez, o psicanalista Caio Barone mergulha em discussões sobre maternidade versus pressão social, cuidado familiar, negação do envelhecimento, pressão profissional, autocobrança e os limites emocionais do próprio terapeuta.
"Eu amo essa série. É por isso que a gente faz ela há tanto tempo, porque eu sei a importância de falar sobre esse tema. Sei também o quanto a terapia é importante na minha vida. É uma resposta através da arte para algo que considero fundamental e cada vez mais necessário", conta Selton.
Na nova leva de episódios, onde cinco capítulos serão liberados semanalmente às sextas-feiras, Caio surge mais ameno e focado no próprio autocuidado. O personagem retoma os estudos, busca atualização profissional e aceita, pela primeira vez, supervisionar colegas. É justamente nesse contexto que surge Érica, personagem de Olivia Torres. Ao aceitar acompanhá-la profissionalmente, o terapeuta acaba confundindo os sentimentos e acredita estar vivendo um possível envolvimento amoroso, situação que o desestabiliza.
"Essa nova temporada mostra que o terapeuta também falha com a sua vida, com seus dramas e com a sua história. O Caio Barone viverá seus dilemas pessoais, lembranças da filha e feridas do passado, para assim fechar seu ciclo de luto e buscar um novo começo", explica Selton.
Além de Érica, Caio passa a buscar supervisão para si próprio com Rosa Gabriel (Grace Passô), que desafia o terapeuta em lugares que ainda não conseguiu acessar. "A Rosa tem um jeito muito particular de trabalhar. Talvez essas chacoalhadas que ela dá nele sejam justamente a doçura que ele precisava", acredita o ator.
Entre os novos pacientes, a temporada apresenta personagens atravessados por conflitos contemporâneos. Bella Camero interpreta Ingrid, jovem obcecada por produtividade e reconhecimento profissional, enquanto Paulo Gorgulho vive Ulisses, empresário que enfrenta a negação do envelhecimento. Já Alice Carvalho dá vida à Morena, mulher sobrecarregada pelos cuidados familiares.
"Foi uma honra trabalhar com a Alice, essa potência. Foi lindo ver ela nesse lugar mais doce, mais sensível, algo que a gente não tem visto", diz Selton sobre a atriz.
Nos bastidores, o ator fala sobre o envolvimento afetivo que construiu com a produção ao longo dos anos e sobre o desafio de dirigir e atuar simultaneamente. "Não existe série mais adequada para essa dinâmica de diretor e ator ao mesmo tempo do que essa. Eu fico ali analisando como diretor, mas também estou sendo analisado. É duplamente louco", afirma. "E é engraçado porque as pessoas veem 'Sessão de Terapia' como uma série pesada, mas o ambiente é muito agradável. A gente adora fazer".
Selton, ainda, relembra o início precoce da carreira e diz que carrega até hoje a espontaneidade daquele período para dentro do trabalho atual. "Sou ator desde criança. Aos 8 anos já fazia novela, aos 11 estava na terceira. E o que eu guardo daquela época e tento proteger até hoje, é a pureza, a simplicidade. O menino Selton não tinha escola de atuação, não tinha grandes referências. Ele só estava ali, em cena. E essa coisa tão pura é o que eu carrego até hoje".
Baseada originalmente na israelense BeTipul, a adaptação brasileira ganhou identidade própria e hoje é a única versão da franquia no mundo a alcançar uma sexta temporada. Para Selton, o alcance da produção no país diz muito sobre o momento atual da sociedade brasileira e pede a exibição dela na TV aberta.
"Precisa. Me coloca à 1h da manhã na programação, começa lá do capítulo 1, da temporada 1. Vai ter gente assistindo. Porque essa série é muito importante. Talvez seja a produção mais relevante sendo feita hoje quando falamos sobre saúde mental", defende. "Sempre falam do Brasil como o país da praia, da caipirinha, do sorriso. Mas essa série continua viva aqui há tantos anos. Talvez exista muita coisa subterrânea que não é dita. Acho fascinante tenha durado tanto justamente no Brasil", completa.
Apesar de mais de uma década à frente do projeto, o artista afirma que não perdeu o entusiasmo pela série. "Eu ficaria velho fazendo essa série. Todo mundo se vê ali em algum momento. Acho que é por isso que ela tem tanta força", avalia.



