Ana Paula fala sobre autocuidado e posição social da mulher Reprodução / Gshow

Rio - Ana Paula Renault, de 44 anos, fez um depoimento sobre cuidado, maternidade e reconstrução pessoal após o fim da novela "Quem Ama Cuida", exibida na noite desta terça-feira (19). No discurso, a campeã do "BBB 26" questionou a expectativa social que recai sobre as mulheres e afirmou que, neste momento da vida, escolheu se escutar e voltar o cuidado para si.
"As mulheres acabam esquecendo de perguntar para elas mesmas o que é que a gente quer, o que é que a gente precisa, qual é o nosso cuidado", disse. A partir daí, Ana Paula refletiu em torno de diferentes formas de maternar. "Tem mulheres que nasceram para maternar filhos, tem mulheres que nasceram para maternar projetos, tem mulheres que nasceram para maternar causas, e tem mulheres que nasceram para maternar sua própria reconstrução — que eu me vejo nisso, sabe? Eu sou minha própria mãe, de certa forma".
Para a jornalista, muitas mulheres acumulam funções de cuidado em várias frentes ao mesmo tempo. "Outras exercem outros papéis, então elas têm que ser mães dos próprios filhos, mães do próprio marido, mães dos próprios pais. Então é algo muito complexo, é tudo muito intenso, difícil". 

No depoimento, Ana Paula hamou a atenção para o desgaste provocado por esse acúmulo. "A cobrança é muito exaustiva para cima de nós mulheres". Segundo ela, muitas acabam entendendo que precisam entregar "tudo que a sociedade puxa delas", sem parar para pensar no que realmente desejam. "Mas na verdade, o que é que a gente quer? Porque cuidar de todo mundo, isso a gente faz o tempo inteiro".

Ao falar da própria experiência, a jornalista lembrou que sempre ocupou esse lugar de cuidado com as pessoas ao redor. "Eu cuidei do meu pai, assim como eu cuido dos meus irmãos, assim como eu cuido dos meus amigos, assim como eu cuido da minha própria vida". 
Ainda assim, disse que chega uma hora em que é preciso inverter a pergunta: "Como eu quero ser cuidada? E quem vai cuidar de mim? E a resposta é muito clara: a gente". A loira também criticou a permanência da maternidade como uma espécie de obrigação feminina. "Eu não entendo por que a sociedade ainda coloca a maternidade como obrigatoriedade feminina. Por quê?". 
"Eu vejo uma forma muito positiva eu não entregar para a sociedade o que ela espera de mim". Para ela, ainda existe uma expectativa de que uma mulher de sua idade esteja casada, com filhos ou permanentemente dedicada ao cuidado dos outros. 

Indo contra às expectativas, Ana Paula comentou que decidiu olhar para si. "Eu escolhi me escutar e eu entendi que eu precisava cuidar de mim para sobreviver nessa selva que é a sociedade atual...Eu sou uma mulher de 44 anos que não sou mãe, né? E agora nem filha eu sou mais, porque não tenho pai e não tenho mãe. Chegou um ponto que agora eu vou cuidar ainda mais de mim".
"E isso vai incomodar ainda mais você, que não está aberto a entender que nós, mulheres, não viemos para entregar o que você espera. Quem ama respeita. Quem ama respeita a minha opinião, quem ama respeita o meu tempo, quem ama respeita o que eu penso", concluiu.
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