Turma do Pagode une samba e futebol em novo projetoDivulgação

Rio - Com mais de 26 anos de carreira, 7 bilhões de streams nas plataformas digitais e inúmeros sucessos, a Turma do Pagode se inspirou no clima da Copa do Mundo e uniu o universo da música e do futebol no projeto 'Turma Futebol Clube'. O álbum conta com músicas inéditas do grupo, formado por Leiz, Caramelo, Rubinho, Thiagão, Neni, Marcelinho TDP, Leandro Filé e Fabiano Art, além de regravações de artistas como Belo, Jorge Aragão, Jorge Ben Jor, Jorge & Mateus, Cassiano, Vanusa, entre outros.
Em entrevista ao MEIA HORA, o violonista e compositor Filé dá detalhes do novo trabalho, aponta uma trilha sonora para o campeonato mundial, fala sobre chances de shows em estádios e analisa a história do grupo ao longo da trajetória profissional. Confira! 
- A Turma do Pagode lançou recentemente o projeto 'Turma Futebol Clube'. A Copa do Mundo de certa forma inspirou vocês neste trabalho?
Com certeza a Copa nos inspirou a fazer o projeto. Nós somos todos apaixonados por futebol, são 7 torcedores do Corinthians e 1 do Palmeiras e a gente sempre que pode faz uma resenha com futebol. O 'Turma Futebol Clube' combina muito com a gente e decidimos gravar e lançar aproveitando esse momento.
- Pagode e futebol tem tudo a ver. Se vocês pudessem escolher uma trilha sonora para esse momento de Copa, qual seria?
A música do Turma que tem tudo a ver é 'Camisa 10', sem dúvida nenhuma. O título já diz tudo, né? Quando o compositor fez a música, a referência de camisa 10 na época era o Ronaldinho Gaúcho, que estava no Barcelona, e ela é uma música atemporal.
- E por falar em música, o 'Turma Futebol Clube' tem músicas da Turma do Pagode e releituras de clássicos. Como foi esse processo de escolha?
A escolha do repertório foi bem difícil, geralmente a nossa seleção é bem criteriosa e mais lenta. A gente ouve muitas músicas até chegar no repertório final. Graças a Deus nós temos muitas músicas boas para gravar e regravar e ainda ficaram muitas músicas de fora.
- Nesta semana vocês lançaram o clipe de Investigador, com o Menos é Mais, e em dois dias já tem mais de 800 mil visualizações. Imaginaram que este trabalho seria bem recebido?
Nossa parceria com os meninos do Menos é Mais já vem de um tempo, desde o projeto Turma no Quintal, em que gravamos 'Bebe e Vem me Procurar', uma das nossas músicas mais ouvidas nas plataformas. Quando pensamos nesse projeto e tínhamos 'Investigador', entendemos que era uma música que casava muito com eles, além da amizade que a gente tem.
- E vocês, são bons de bola assim como são bons de música?
Na nossa cabeça, nós somos jogadores de futebol nas horas vagas. A gente gosta muito. Eu particularmente joguei na infância, jogo até hoje na várzea, disputo campeonato, futebol é minha vida, gosto muito. Antigamente, a gente chegava nas cidades dos shows e sempre tinha um jogo antes. A gente tinha até um time do Turma do Pagode. Hoje por causa da correria, da agenda, não dá tempo, a gente também não é mais tão jovem. Do grupo hoje, são só Rubinho, Thiagão e Neni que jogam menos e gostam mais da resenha. Eu, Leiz, Marcelinho, Fabiano e Caramelo jogamos mais.

- Já pensaram em fazer shows em estádios dessa turnê? 
Seria maravilhoso poder fazer turnê em estádio, unir força com outros artistas seria lindo. Por enquanto, ainda não temos nada em vista e programado, mas por que não? Quem sabe a gente sai de uma quadra menor e termina em estádio.

- Antes de 'Turma Futebol Clube', vocês lançaram um projeto com o Zeca Pagodinho. Ele gravou com vocês, inclusive. Como foi essa experiência e como foi compartilhar alguns momentos com o Zeca?
O Zeca é um ícone da música popular brasileira, não tem quem não goste dele. Crescemos ouvindo o som dele, somos grandes fãs e já tínhamos esse sonho há muito tempo. Em quase toda entrevista a gente falava que ele era o feat (participação) dos sonhos que faltava na nossa carreira, um verdadeiro objetivo a ser alcançado. De tanto mentalizarmos e falarmos sobre isso, a energia fluiu e Deus permitiu que tudo desse certo. Nossa ideia não era apenas gravar uma música, mas sim prestar uma grande homenagem. E ele foi extremamente receptivo e carinhoso com a gente, com aquele jeito espontâneo dele.
Conversamos sobre o repertório e mostramos a faixa inédita, 'Pedindo a Conta'. Ele fez questão de saber quem eram os compositores, que, no caso, é uma composição minha e do Rosyl (Soares), enfim, foi um momento fantástico. Para fechar com chave de ouro, tomamos aquela cervejinha juntos, que não podia faltar, né? O resultado está disponível no YouTube e em todas as plataformas digitais. Uma homenagem mais do que merecida!

- Vocês têm 25 anos de carreira. Como avaliam essa trajetória na música? E como foi esse processo de construção musical de vocês, porque a Turma do Pagode tem uma identidade própria.
Comemorar 25 anos de carreira não é para qualquer um. Nossa trajetória tem sido de muita luta, mas, acima de tudo, muito vitoriosa. Conquistamos muito mais do que jamais imaginamos lá no início, quando montamos o grupo. A gente se renova a cada ano, a cada repertório, e, graças a Deus, estamos conseguindo atravessar gerações. Seguimos na estrada com a agenda cheia, gravando, lançando novidades e longe de qualquer acomodação. Continuamos sonhando alto, buscando realizar novos projetos e chegar a lugares que ainda não conhecemos, e a gente sempre quer mais. É um degrau por dia, sem perder o foco. Por isso, considero a nossa história uma verdadeira vencedora.
A nossa construção musical tem uma base percussiva muito forte. Crescemos ouvindo Fundo de Quintal, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho, Dona Ivone Lara. As grandes referências são essa galera dos anos 70 e 80, que nossos pais já ouviam e tocavam nas reuniões de família. Nos anos 90, veio a explosão do pagode bem na época em que estávamos começando o grupo, então absorvemos muito dessa energia também. Já nos anos 2000, começamos a aparecer de fato no cenário. No início, tocávamos em aniversários e barzinhos, mas logo nos destacamos por ser um grupo jovem com uma percussão marcante. Foi assim que fomos criando a nossa identidade, o jeito Turma do Pagode de ser.
- E quais são as maiores alegrias e conquistas de vocês ao longo da carreira?
Nossa maior vitória é estar há 25 anos na estrada, fazendo show, vivendo de música, e levando alegria para o público e para os nossos fãs. Uma das nossas maiores alegrias é poder manter nosso trabalho sempre em alta. A música nos proporcionou conhecer pessoas c que a gente nem imaginava, visitar novos lugares, inclusive fora do país, e, principalmente, proporcionar, e, principalmente, proporcionar para as nossas famílias o que não tivemos na nossa infância.