Marilene Saade e Stênio Garcia Reprodução / Instagram

Rio - Marilene Saade se pronunciou sobre a disputa judicial que envolve o marido, Stênio Garcia, a ex-companheira dele, Clarice Piovesan, e as filhas do ator, Cássia e Gaya. Em vídeo publicado no Instagram, na quarta-feira (15), a atriz afirmou que o veterano, de 94 anos, não consegue exercer o direito de usufruto sobre parte dos bens que transferiu às herdeiras.

Formada em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Marilene explicou que decidiu falar publicamente por considerar que o marido enfrenta uma situação injusta. Ela também afirmou que atua na defesa dos direitos da pessoa idosa.

"Estou vivendo e vendo dentro da minha própria casa uma injustiça, uma falta de ética, uma falta de moral, uma crueldade com um idoso de 94 anos, chamado Stênio Garcia Faro. Esse homem de bem, que tanto alegrou a casa e o coração de tantas pessoas, está tendo o direito dele de usufruto usurpado pelas filhas e pela ex-esposa", disse.

De acordo com Marilene, Stênio transferiu imóveis para as filhas, mas manteve o direito de usufruto. Segundo ela, o artista sempre pagou as despesas dos bens e ajudou financeiramente as herdeiras. "Ele sempre exerceu o usufruto. Foi sempre ele que pagou tudo, sempre foi o provedor delas, inclusive com mesadas muito altas. Hoje, naturalmente, não está mais trabalhando e vive apenas da aposentadoria, que não cobre todas as despesas de saúde, remédios e alimentação", revelou.

A atriz também criticou a condução do caso e defendeu que a idade e as necessidades financeiras do marido sejam consideradas no processo. "Ver um idoso de 94 anos, que trabalhou a vida inteira, tendo que lutar para exercer um direito garantido por lei, é algo que me revolta. Usufruto não se discute. É o direito de usar, gozar, fruir e dispor", afirmou. "Sou presidente nacional da pasta dos idosos do Instituto de Combate à Violência Familiar e não vou me calar", completou.

Durante o vídeo, Marilene rebateu o argumento de que o padrão de vida do casal seria incompatível com o pedido de gratuidade de Justiça. Segundo ela, parte dos serviços e procedimentos usados por eles resulta de acordos de divulgação nas redes sociais.

A atriz citou academia, salão de beleza, viagens e a harmonização facial feita por Stênio como exemplos de permutas. "Graças a Deus somos muito benquistos e temos permutas em diversos setores. Tudo isso foi comprovado no processo e, mesmo assim, a gratuidade de Justiça foi mantida", explicou.

Marilene também falou sobre a residência do casal, no Camorim, na Zona Sudoeste do Rio. Ela declarou que o imóvel pertence à família dela e faz parte de um inventário aberto depois da morte de sua mãe, em 2021. "Esse patrimônio da minha família está sendo usado para tentar tirar a gratuidade de Justiça de um idoso vulnerável. Eu não vou permitir que entrem na esfera da minha família para prejudicar os direitos dele", prometeu.

Ao final, ela pediu que Cássia e Gaya contribuam com os cuidados e as despesas do pai. "Quando descobrimos que um apartamento havia sido alugado sem a anuência dele, eu liguei para pedir ajuda para pagar o plano de saúde. Eu vendi muitas coisas minhas, porque quem ama, cuida. Agora vocês também têm obrigação, como filhas, de dividir essa responsabilidade comigo. Parem de usurpar o direito de um idoso. Quem não ama, não cuida", disse.

Entenda a disputa judicial

Stênio tenta obter renda com um apartamento avaliado em cerca de R$ 2 milhões. O imóvel foi transferido para as filhas, mas o ator afirma que preservou o direito de usufruto. A ex-esposa do artista mora no local há aproximadamente três anos.

No processo, o veterano relata dificuldades financeiras desde o fim de seu contrato com a TV Globo, em 2020. Ele afirma que recebe pouco mais de R$ 7 mil de aposentadoria por mês e precisa arcar com despesas de saúde, medicamentos e tratamentos.

O ator também acusa as filhas de abandono afetivo e diz que não recebe visitas ou ajuda financeira desde o afastamento familiar, em 2023. "Me incomoda, é muito delicado você ficar assim... Parece sempre que você está disputando uma posição. Eu, com 90 e tantos anos, já passei dessa faixa de interesse econômico, financeiro", afirmou ele ao "Domingo Espetacular", da Record.

As filhas negam as acusações. Em entrevista ao mesmo programa, Cássia declarou que o pai possui condições financeiras e afirmou que as irmãs nunca deixaram de procurá-lo. "Ele não se encontra em nenhuma condição financeira vulnerável. Nunca precisou de ajuda nenhuma. Nem financeiramente, nem emocionalmente. Ele é um idoso de alto poder aquisitivo", alegou.

"Nunca abandonamos ele. Pelo contrário, o afastamento foi por parte dele. E, mesmo ele tendo se afastado, a gente nunca deixou de procurar ele em momento algum. A gente tenta, mas também não consegue falar com ele", afirmou Cássia.

Marilene, por sua vez, disse que acompanha de perto os impactos da disputa sobre a saúde do marido. "Me incomoda vê-lo sofrer, vê-lo ter a saúde debilitada demais, demais, demais", afirmou.
 
 
 
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