Andreas Kisser em podcast 'Tantos Tempos'Reprodução/YouTube

Rio – O guitarrista do Sepultura, Andreas Kisser, de 57 anos, abriu o jogo sobre o processo de luto após a morte da mulher, Patrícia Kisser, aos 52, em 2022, devido a complicações de um câncer de cólon. Ele citou as dificuldades que enfrentou no momento doloroso, em entrevista ao podcast “Tantos Tempos”, e lembrou a relação da amada com a morte.
"Quando eu perdi a Patrícia para o câncer, um processo durante a pandemia, um ano e meio desde o diagnóstico até o falecimento dela... no dia que ela morreu, eu percebi perfeitamente essa frase ‘a vida é um sopro’. Assim, foi tão claro para mim, porque de repente, ela não estava mais lá. Tudo o que a gente passou em 32 anos casados, três filhos, tudo que a gente construiu, toda a participação que ela teve na minha vida profissional... de repente não estava mais lá”, disse.

Ele também refletiu sobre a necessidade de se falar sobre a morte. "Eu percebi que a gente precisa falar de morte. A Patrícia sempre falava de morte de uma maneira tão tranquila, desde que a gente namorava, e ela falava com todo mundo".

Patrícia teria preparado os familiares para o momento. "Ela falava ‘Ó, quando eu morrer não vai esquecer, pelo amor de Deus, o meu travesseiro, o meu cobertor, o meu pijama e a minha meia, porque eu quero ficar confortável, não quero ficar naquela madeira dura’. Ela sempre falava isso. Quando aconteceu, todo mundo sabia o que ela queria. Não teve conflito”.

Kisser, ainda, revelou que ganhou novos aprendizados durante este processo. "Morte não é uma punição, não é uma guerra. Ela tem sido uma grande professora. Quantas vezes a gente não fecha ciclos? Um livro sem fim, um filme sem fim, é insuportável".
*Reportagem da estagiária Isabela Bitencourt, sob supervisão de Isabelle Rosa