Sarah Aline comanda videocast sobre saúde mental Divulgação / Julio Barbosa
Uma das principais mudanças foi justamente dar mais espaço aos convidados. Na primeira temporada, as entrevistas duravam entre 30 e 40 minutos. Agora, podem chegar a uma hora e dez. A decisão veio da percepção de que o público queria acompanhar mais profundamente as histórias compartilhadas.
"Deixei mais espaço na minha própria fala para que o convidado pudesse se colocar mais. (...) As pessoas ficavam muito curiosas para ouvir mais daquele convidado, acompanhar aquela narrativa por completo", explica Sarah.
A dinâmica dos episódios também mudou. Antes, o programa tinha duas publicações semanais. Agora, o "Fala com Sá", com convidados, e o "Toma com Sá", conduzido apenas por Sarah, se alternam a cada semana. Segundo ela, a ideia é permitir que o público tenha tempo para "assentar os temas" e elaborar as discussões antes de uma nova conversa.
Para a apresentadora, tornar a psicologia acessível não significa apenas explicar conceitos de forma simples. Existe, segundo ela, uma questão social anterior: muitas pessoas sequer tiveram a oportunidade de aprender que têm direito ao cuidado. "Muitas pessoas nem sabem o que é cuidado porque não têm acesso aos direitos mais básicos de cuidado. E estou falando de cuidado físico mesmo: cuidado médico, cuidado nas relações, cuidado no trabalho."
A psicóloga conta que essa percepção também foi construída durante sua experiência profissional quando trabalhou por dois anos em uma clínica voltada para pessoas negras e para quem não tinha condições financeiras de pagar por terapia. "Como tornar a psicologia acessível para alguém que talvez nem saiba que pode se dar o direito de descansar? Que pode se dar o direito de estar alegre?"
É justamente nesse ponto que ela encontra o propósito do videocast. As conversas não pretendem substituir a terapia, mas ampliar o acesso a informações que ajudem as pessoas a reconhecer e nomear aquilo que sentem. "Não existe uma única forma de ser no mundo. Existe a minha forma de ser no mundo. E, a partir disso, eu também posso encontrar a minha maneira de cuidado."
Depois do BBB, aprender a ser Sarah novamente
A exposição provocada pelo "Big Brother Brasil", em 2023, também atravessou um período importante da trajetória de Sarah. Ela conta que deixou o reality em um momento emocionalmente delicado e enfrentou dificuldades para se reinserir socialmente.
Mesmo com acompanhamento psicológico e psiquiátrico, além do apoio de familiares e amigos, ela passou por questões relacionadas à depressão e a uma ansiedade intensa. Foi preciso, segundo Sarah, descobrir uma nova maneira de existir depois de uma experiência que alterou praticamente tudo ao seu redor.
Hoje, ela diz estar bem com os diferentes projetos que construiu. "Eu percebi que praticamente tudo mudou, mas uma coisa não mudou, e é justamente a mais importante: eu."
Ambição sem pressa
Aos 28 anos, Sarah concilia a psicologia com a apresentação, a criação de conteúdo, as palestras e outros projetos. A ambição profissional a acompanha desde muito antes da fama. Aos 21 anos, já havia recebido uma promoção para um cargo de liderança e mantinha uma clínica com cerca de dez pacientes.
A diferença, hoje, está na maneira como encara o próprio tempo. "Hoje estou aprendendo também a respeitar o meu próprio tempo. Quero ter mais recursos, mais possibilidades, continuar sonhando e fazendo mais, mas sem esquecer de agradecer por tudo aquilo que já construí."
O alcance do trabalho dela também ganhou outra dimensão. Conteúdos sobre saúde emocional produzidos em suas redes já chegaram a cerca de 15 milhões de pessoas. "Quando eu olho para esses números, acho muito bonito. Porque, no final, são números que representam pessoas. E eu estou falando sobre vida e sobre saúde emocional para pessoas assim como eu."




