Maria Mariana lança nova edição de Confissões de AdolescenteLuísa Lorenzi / Divulgação
Maria Mariana lança nova edição de 'Confissões de Adolescente'
Autora comenta sucesso da obra, que marcou os anos 1990, os dilemas dos jovens e admite que sente saudade dos palcos
Escrito por Maria Mariana, o livro "Confissões de Adolescente" vendeu mais de 250 mil exemplares, quebrou tabus, se tornou peça de teatro, série de televisão nos anos 1990 e longa-metragem. Agora, a obra, que nasceu dos diários da autora, ganha uma nova edição, trazendo a profissional de volta às próprias memórias e provocando um diálogo entre diferentes gerações.
Hoje, aos 53 anos, Maria revisita o passado como escritora e acompanha de perto o presente como mãe de quatro filhos e psicóloga. "Está sendo um reencontro comigo mesma essa reedição do livro. Uma reedição de mim mesma. Nem sempre tem sido fácil, mas sempre mais fácil do que imaginei. Tenho acolhido a Mari aos 19 (anos) do jeitinho que ela é, com todas as fragilidades e forças. Ela está bem perto de mim, me dando coragem e alegria para reviver isso tudo", afirma.
Ela ainda comenta como é ver uma experiência tão íntima ganhar diferentes formatos e alcançar diferentes gerações. "É sempre uma surpresa pra mim ver a força que esse projeto tem, força que abre os próprios caminhos e me resgata de onde eu estiver, para um lugar mais alto. É uma alegria ver que 'Confissões' tem uma missão bem maior que eu e sempre volta por um chamado, uma necessidade real da sociedade."
A autora explica que durante anos tentou entender o segredo por trás do sucesso e da identificação do público com a obra. "Busquei durante 34 anos essa explicação, essa receita de bolo, e não encontrei. Agora, com mais distanciamento, vejo que o grande escândalo foi a relação de confiança que tive com meu pai (o cineasta e dramaturgo Domingos Oliveira) ao confessar minha intimidade, algo que ainda é um tabu. É escandaloso hoje construir um vínculo profundo com alguém a quem se possa confessar o inconfessável, mais ainda se essa pessoa for o pai ou a mãe."
A escrita, entretanto, surgiu muito antes na vida da autora. Ela começou a colocar os sentimentos no papel aos nove anos, por incentivo do pai. "Foi minha salvação, meu melhor remédio e minha busca e encontro de um caminho profissional. Estou percorrendo novamente, com esta reedição do livro, a jornada da minha escritora que nascia, e este momento está me inspirando para escrever um novo livro", relata.
Unindo a experiência materna ao olhar clínico da psicologia, a autora conta quais diferenças mais lhe chamam a atenção entre os dilemas que viveu naquela época e os que percebe nos adolescentes de hoje. "Eles mudaram muito e precisam se lembrar do que nunca mudará, do que é eterno na adolescência. Aí entra o olhar da psicóloga e mãe de quatro, sempre na investigação para entender o que eles realmente estão precisando."
Maria, então, revela o que gostaria que uma adolescente de hoje encontrasse ao ler o seu livro pela primeira vez. "Quero que eles desenvolvam a própria reflexão a respeito das grandes mudanças que aconteceram dos anos 90 para os dias de hoje e encontrem, principalmente, o que não mudará nunca."
O mergulho na reedição de "Confissões de Adolescente" não apenas resgatou memórias, mas também reacendeu o lado artístico da escritora. "Estou com muitas saudades do palco e no ano que vem pretendo montar um monólogo com texto do meu novo livro", adianta.




