Vandam é um dos integrantes da equipe do Serviço Móvel de Urgência Reprodução / Laura Campanella

Em "Emergência 53", nova série do Globoplay, Jaffar Bambirra realizou um trabalho que exigiu maior concentração no set de filmagem para interpretar Vandam. A produção, que combina ação e o universo médico, é um dos projetos que ocupam a agenda do ator de 28 anos, que vive um momento movimentado na carreira e se prepara para novos compromissos no audiovisual.
"Exige uma atenção extra e um preciosismo. É uma série que exige muito da gente", conta. Sobre uma continuação do projeto, ele mantém o mistério. "Ainda não tenho muito o que adiantar, mas tenho certeza que a segunda temporada vai ser tão boa quanto a primeira e que a galera vai gostar", afirma. 
A sequência de trabalhos também colocou o artista diante de profissionais que já admirava antes. Além de "Emergência 53", Jaffar integra o elenco do filme "Os Corretores", dirigido por Andrucha Waddington, ao lado de Fernanda Torres, e se prepara para viver Davi em "Enfim Sós", produção da Netflix.
"Uma das coisas mais legais do nosso trabalho é trabalhar com pessoas que a gente admira. Tive a honra recente de emendar trabalhos com pessoas com quem eu já queria muito trabalhar", conta. Entre os nomes citados pelo artista estão Andréa Beltrão, Cláudia Abreu, Marco Ricca, Fábio Assunção, Yara de Novaes e Luisa Arraes. "Tenho agradecido muito por estar trabalhando com pessoas com quem a gente não só soma por fora, mas também artisticamente, que é algo muito importante para a gente."
Em "Enfim Sós", o encontro também acontece com Maurício Farias e Cláudio Paiva, dupla ligada a produções como "A Grande Família" e "Tapas & Beijos". "Eu estava com uma equipe casca-grossa, que já fez algumas das melhores produções de comédia que a gente viu. Para mim foi uma honra estar com eles. Dois talentos incríveis e, para mim, é sempre uma honra estar com essas pessoas", celebra. 
A trama acompanha o jovem diante de um dilema familiar atravessado pela pressa de fazer a vida dar certo. "A modernidade traz para esses jovens essa coisa de querer ganhar logo a vida. Parece que existe uma pressa para que tudo já dê certo muito cedo e que a gente quer pular um pouco as etapas. Sinto que o Davi é um pouco isso. É uma comédia que gira em torno dessas situações, desses lugares familiares", explica. 
Neste ano, Jaffar recebeu o prêmio de Melhor Ator de Série no "Melhores do Ano", da TV Globo, pela atuação como Theo em "Dias Perfeitos", adaptação da obra de Raphael Montes. O personagem, marcado por comportamentos machistas e misóginos, exigiu que o ator encontrasse uma lógica interna para interpretar alguém que caminha na direção oposta daquilo em que o ator acredita.

"O Theo representa todo esse traço machista e misógino que a gente tem visto e tem brigado muito para que mude. Acho que ele é uma representação macro de algo que a gente vê no nosso cotidiano", analisa. Para Jaffar, interpretar esse tipo de figura também passa pela responsabilidade de expor suas contradições sem abrir mão da verdade do personagem. "O ser humano está aí com seus defeitos e suas qualidades, e a gente, na arte, aponta e escancara eles."
O ator evita tratar o reconhecimento como resultado de um trabalho isolado. "O audiovisual realmente não se faz sozinho. Sinto que o Theo não existiria se não fosse a Julia ali comigo. O olhar da personagem dela para o Theo faz o público olhar para ele com outros olhos", afirma.

No processo, a obra de Raphael Montes se tornou uma das principais referências para além do repertório pessoal. "O livro do Raphael Montes é todo na cabeça desse personagem. Então eu tinha ali quase que um diário de emoções e pensamentos", explica. "Era uma boa base para entender a lógica de pensamento de um homem como o Theo."
Jaffar também destaca direção, caracterização e figurino como partes fundamentais da construção. "Se não fossem todos esses subterfúgios, eu não teria como fazer o Theo com a verdade que ele foi feito. Então, é um prêmio meio conjunto."

O artista começou a estudar atuação aos 15 anos para aperfeiçoar a carreira que imaginava construir como músico. "A primeira vez que entrei no palco acho que foi o momento em que falei: 'Caraca, eu amo isso aqui, quero fazer isso aqui'. A mosquinha me picou e eu não consegui largar mais", lembra.
Questionado ainda jovem sobre a necessidade de ter outra profissão como alternativa, ele conta que a resposta sempre foi a mesma. "Ser artista para mim sempre foi plano A, B, C ou D. Nunca fez sentido ter um plano B, porque era o que eu amava fazer e acho que não tinha outra opção para mim."

As duas vocações já se encontraram algumas vezes diante das câmeras. Em "Quanto Mais Vida, Melhor!", uma música de Jaffar entrou na trilha da novela. Em "A Vida Pela Frente", ele também viveu Carlos André (Cadu), um personagem músico.
Para o artista, a mistura é interessante justamente porque a composição deixa de partir somente de sua própria identidade. "Quando estou no personagem, não sou eu fazendo música. É um personagem fazendo música", explica. "É legal esse lugar de entender o que é esse personagem fazendo música e o que ele se diferencia de mim. Acho isso sempre muito interessante."

Fora da ficção, Jaffar já prepara a próxima etapa da carreira musical. Depois do primeiro disco, "O Menino Que Nunca Amou", ele trabalha na produção de um novo projeto, ainda sem data divulgada. "Estou há um tempo já na produção do meu segundo álbum. Ainda não tenho uma data de estreia, mas ele está saindo do forno", adianta.

*Reportagem da estagiária Carolina Irigoyen, sob supervisão de Isabelle Rosa