Camarote Favela leva representatividade, criatividade e potência das comunidades brasileiras ao Rock in RioRodrigo T. Ribeiro / Agência O Dia

Rio - A favela ganhou vez, voz e protagonismo no Rock in Rio. Presente no maior festival de música do país, o Camarote Favela se consolida como um espaço de potência, representatividade e celebração de talentos que surgem das comunidades brasileiras. Depois de conquistar seu espaço no Carnaval, o projeto chega ao universo do rock para mostrar que a favela também é lugar de criatividade, profissionais qualificados, cultura e grandes realizações.

À frente do Camarote Favela, a CEO Gabriela Lopes destaca que a presença no festival representa uma importante conquista. “Começou no Carnaval, deu samba e agora é dia de rock, bebê”, brinca. Para ela, ocupar espaços como o Rock in Rio é também uma forma de ampliar a representatividade e apresentar ao público as múltiplas potencialidades existentes nas favelas.
Gabriela resume esse propósito em uma pergunta que, segundo ela, deveria ser feita sempre que alguém questiona a presença da favela em grandes eventos: “Por que a Favela?”. A resposta vem logo em seguida: “Por que não a Favela?”.
Para a empresária, é preciso mudar a narrativa e dar visibilidade ao que existe de positivo nas comunidades, valorizando pessoas, profissionais, criatividade e iniciativas que muitas vezes ficam escondidas diante dos estereótipos associados à favela.

O espaço dentro do Rock in Rio materializa justamente essa proposta. Com uma estrutura que permite acompanhar diferentes áreas do festival e uma vista privilegiada dos palcos, o Camarote Favela reúne convidados e profissionais em uma experiência que une entretenimento e representatividade. A movimentação surpreendeu até mesmo Gabriela, que esperava que os convidados chegassem, circulassem e fossem embora. “Está todo mundo aqui”, comemora, diante da adesão ao espaço.

Para colocar o projeto de pé, Gabriela também aposta na força do coletivo. Ela conta que não tem receio de buscar profissionais mais experientes ou melhores do que ela em determinadas áreas. “A estratégia foi reunir uma equipe qualificada, formada por pessoas que compartilham da visão do projeto”, disse Gabriela ao reunir um time que ajuda a transformar uma grande ideia em uma estrutura capaz de ocupar um dos maiores eventos do mundo.

A filosofia, ainda segundo Gabriela, é simples: para chegar a lugares onde ainda não se chegou, é preciso caminhar ao lado de pessoas boas e competentes. E o resultado pode ser visto no próprio camarote, que se tornou um dos pontos de encontro e celebração da diversidade durante o festival.

No Rock in Rio, o Camarote Favela mostra que a favela não está apenas sendo convidada para ocupar novos espaços. Ela está chegando para construir, criar, empreender e protagonizar. Afinal, como defende Gabriela Lopes, a favela tem potência, e agora essa potência também brilha no Rock in Rio.