André Dale, Leandro Soares e George Sauma Ricardo Brajterman / Divulgação

Rio - Amigos há anos e parceiros na arte, André Dale, George Sauma e Leandro Soares voltam aos palcos com um projeto que fala diretamente sobre o amor ao teatro. O trio reestreia a comédia "A Coisa" no Teatro Gláucio Gill, em Copacabana. Dividida em três partes: 'A Coisa', 'O Enigma' e 'A Máscara', a peça aborda histórias curiosas sobre o que acontece dentro e fora do palcos promove uma reflexão sobre os limites entre realidade e ficção. 
"É uma comédia surreal com tragédia, mistério e galhofa. Composta por uma coletânea de textos que se ligam pela união dos elementos do teatro, apresentado como uma metáfora da vida. A começar pela efemeridade: uma hora tudo acaba", explica Leandro.
Com leveza, o espetáculo toca em assuntos atuais, como a forma como as pessoas se veem e se mostram para o mundo. "A nossa ideia é falar sobre teatro, aproximar o público deste universo e mostrar que o teatro não é chato. Queremos despertar este interesse ao máximo e deixar a experiência o mais divertida e leve possível!", diz George, que integra o remake da novela "Dona Beja", da HBO Max, como Januário. 
O artista reforça que cada apresentação traz algo novo. "O teatro é sempre igual e sempre diferente. Esse é o grande mistério. Sempre tem como crescer com um espetáculo e nesse caso, que estamos entrando em mais uma temporada, já deu pra sentir que muito pode acontecer!". 
Para os atores, "A Coisa" tem um significado especial. "Para mim, representa um resgate, uma lembrança de uma qualidade de teatro que acontece quando estou em cena com meus amigos de vida. O jogo que existe entre nós desperta o nosso melhor em cena e me lembra, a cada sessão, dos motivos pelos quais entrei nessa profissão", afirma André.
Leandro define o momento como 'um renascimento artístico'. "Porque diferente do audiovisual, no teatro a gente consegue ter uma ascendência artística muito maior sobre o projeto, e colocar no palco aquilo que a gente realmente acredita". Já Gerorge resume o sentimento do grupo: "Esse trabalho representa um reencontro artístico de nós três e uma reafirmação mútua de amor e fé no teatro e na arte". 
Em cartaz até 1º de abril, com sessões às quartas-feiras, às 20h, no Teatro Gláucio Gill, com ingressos a partir de R$ 30, o espetáculo também viaja pelo estado com o Circuito SESC Pulsar, com apresentações em Quitandinha (7/3), Madureira (14/3), Teresópolis (20/3), Valença (10/4), Ramos (24/4) e São Gonçalo (7/5).
"A ideia é resgatar no público a lembrança de que teatro é algo necessário para saúde e para a capacidade de celebrar a vida. O teatro é maravilhoso e queremos deixar evidente o quanto é legal e divertido. Na nossa peça, as reflexões são profundas, mas a volta pra casa é leve", fala André. 
Comédia premiada
Idealizada, dirigida e interpretada pelo trio, a peça nasceu de textos escritos por Leandro ainda na universidade. "Quando eu cursava Teoria do Teatro na Unirio e entrei em contato com autores como Beckett e Ionesco, escrevi 'A Coisa’' texto que dá nome à peça, que foi premiado num festival de esquetes. Marília Pêra (1943-2015) estava na plateia e veio me parabenizar pelo texto. Aquilo me motivou a escrever mais textos, que no entanto ficaram na gaveta. Meu amigo André Dale se juntou a mim na tarefa de tirá-los de lá e dar uma nova vida a eles”, diz o criador da série "Vai que Cola".
A produção conquistou o Prêmio de Humor na 17ª edição da FITA - Festival Internacional de Teatro de Angra dos Reis. "É maravilhoso receber o reconhecimento da classe. Claro que, quando se cria uma peça, se busca conexão com o público, tem que ser assim. Mas quando a classe abraça o trabalho, é muito especial. Recebemos este prêmio depois de uma sessão linda que fizemos no festival, a casa estava lotada e muito conectada conosco, foi uma delícia. A FITA é uma festa importante para o teatro brasileiro e nós ficamos muito agraciados com o prêmio", afirma André, que interpretará "Gonzaguinha" no documentário sobre o cantor que estreia este ano.